UOL Notícias Internacional
 

07/11/2005

Saindo do bar (de água)

The New York Times
Mireya Navarro
Em Escondido, na Califórnia
No sábado à noite no Inferno, uma boate na área industrial deste subúrbio de San Diego, a pista está pulando. Muitos casais estão dançando. Há também grupos de três ou quatro meninas, uniformemente vestidas de jeans, top justo e sandálias de dedo. Em torno da sala, os rapazes observam, também vestidos de calças jeans folgadas, camisetas e camisas abertas.

A cena era similar a qualquer boate, exceto que no bar, havia somente água à venda. A pista estava suja de chicletes e alguns dos freqüentadores usavam telefones celulares para ligar para os pais para virem pegá-los.

O Inferno, apesar do nome que promete bacanais sem lei, de fato se dedica a um público relativamente inocente: adolescentes.

"É realmente legal", disse Allison Sauer, 17, que dirigiu meia hora de San Diego com três amigas para sua primeira noite em uma boate. Depois de pagarem US$ 10 (em torno de R$ 23) por pessoa, as quatro, todas de 17 anos, ficaram juntas no salão principal. A iluminação era branda, e a bola de espelhos de discoteca mostrava o carpete e as paredes vermelhas. Elas foram dançar juntas. "As pessoas, na verdade, não dançam nas festas, é só conversa", disse Sauer. "A boate é um ambiente mais confortável. Viemos aqui para isso."

Boates para adolescentes existem há décadas, mas as pessoas do ramo dizem que vêm aumentando, em grande parte por causa da demanda crescente. Outro motivo é que as boates de adultos estão competindo pela renda extra que os adolescentes representam.

Taylor Rau, editor da revista Nightclub & Bar Magazine, disse que não há dados concretos sobre o número de boates para adolescentes, mas estima que haja ao menos milhares de casas noturnas abertas a adolescentes no país. Algumas, como o Inferno, são dedicadas apenas aos adolescentes, mas a maior parte são boates adultas que abrem para os mais jovens nas noites mais fracas, especialmente no verão e em finais de semanas prolongados.

Joe Sano, que fundou o site da Web under21nightclubs.com há três anos para cobrir a região da Nova Inglaterra, disse que muitas boates estão abrindo para a faixa etária de 18 a 20, "procurando os dólares adolescentes". Ele disse que conhecia mais de duas dúzias dessas na Nova Inglaterra.

"Você pode ter 500 jovens pagando US$ 10", disse ele, explicando que, apesar do público mais jovem não poder comprar bebida alcoólica, pode-se obter lucro com a entrada.

Os bares das boates procuram oferecer sucos, vitaminas e balas. Os proprietários criam temas como noite do chocolate ou festas de pijamas para atrair os adolescentes.

Muitos dos entrevistados disseram que as boates oferecem uma forma rara de socialização com pessoas de fora da escola e que eram um local diferente do cinema e do shopping para estar com os amigos.

"Nosso vale explodiu. A população aqui está crescendo muito rápido, e os jovens reclamam diariamente que não há nada para fazer", disse Bret Lieberman, professor escolar em Santa Clarita, subúrbio norte de Los Angeles. Assim, no dia 30 de setembro, Lieberman, seu irmão e um amigo, abriram o Suburbia, uma boate de música ao vivo para todas as idades que apresenta bandas de rock locais.

"O objetivo é ter um local seguro e reverter as reclamações", disse ele. "Esta é uma forma de tirá-los das ruas por cinco horas."

Mesmo assim, alguns pais insistem em ficar de olho aberto. No Brandin' Iron Saloon & Dance Hall, boate country em San Bernardino, cidade ao sul de Los Angeles que oferece "noite para adultos jovens" às segundas-feiras há mais de 10 anos, Carol Harvick, 49, tentava passar despercebida, em pé perto da entrada. Estava supervisionando sua filha de 15 anos, Christina, que dançava ao som de uma variedade de músicas.

"Prefiro ficar com ela", disse Harvick. "É jovem demais. Eu dou uma volta, caminho. Gosto da música."

Mais tarde, no pátio coberto, Christina disse que preferia vir com sua mãe a estar acompanhada do pai, porque este era "protetor demais". Mas ela disse que até a presença de sua mãe a deixava sem graça em certos momentos.

"Você viu a dança", disse ela, referindo-se aos movimentos que faz no hip-hop. "Não gosto de fazer isso na frente da minha mãe."

As expectativas variam entre os adolescentes, e atender adolescentes mais jovens e mais velhos é um dos desafios dos proprietários.

David J. Clamage, proprietário da Rock Island, boate em Denver que dedica as noites de sábado para o grupo de 16 a 30, descreveu os jovens de 16 e 17 anos como emotivos e desinibidos. "Eles gritam e uivam quando ouvem sua música preferida, ou cruzam a sala quando vêem um amigo. É bonitinho."

Mas aos 18 , disse ele, "já estão treinando para ser James Dean".

"Eles desenvolvem essa noção do que é ser bacana", disse ele, "e não querem ter mais nada com alguém de 17 anos".

Alguns clubes noturnos para adolescentes dizem que sua clientela é difícil. Ela requer o cumprimento de leis que proíbem a venda de bebidas, que determinam a hora de fechamento e outras regras. Além disso, há os pais nervosos. Isso significa que as boates para adolescentes ainda são poucas e muitas vezes não duram.

Um final de semana nas boates do Sul da Califórnia levou esta repórter a Escondido, San Bernardino e Santa Clarita, que ficam a uma ou duas horas de distância umas das outras. (A nova boate Club Alley Cat estréia no dia 18 de novembro, em Fullerton, no condado Orange. Vai oferecer música às sextas-feiras para 14 a 18 anos e apresentações para todas as idades no resto da semana).

Os donos das boates também precisam cuidar da segurança. Elas barram adolescentes com roupas de gangues ou que aparecem bêbados e precisam discernir entre os que têm idade para beber e os que não tem. Elas usam pulseiras coloridas e áreas restritas para separar os grupos. Ainda por cima, precisam levar em conta os padrões exigentes dos adolescentes.

Sam Baris, ex-proprietário de uma boate adolescente que agora dá consultoria a outras, diz que a iluminação e o som são cruciais, porque os jovens querem ser impressionados. No Inferno, isso significa aumentar o baixo até que vibre pela mobília. Também é aconselhável ter pátios com ar fresco -os adolescentes talvez não bebam, mas fumam, disse Baris.

"Você tem que ter um DJ de ponta", disse ele. "É mais difícil programar a música de uma boate adolescente do que de adultos."

Proprietários como Stojan Mitich, do Inferno, que dirige sua boate adolescente desde 1989, promovem seu negócio não só por sites na Web e rádio local, mas levando DJs às escolas para tocar hip-hop e reggaeton e distribuir filipetas durante o recreio. Em recente promoção na Escola do Vale Temecula, a Inferno competiu pela atenção com uma banda de rock promovendo o clube cristão e recrutadores dos Marines e Navy Seals, que estavam distribuindo camisetas e bonés.

Muitos jovens parecem satisfeitos em ter um lugar só seu para ir. No Suburbia, em recente sexta-feira, cinco bandas de rock e heavy metal com nomes como Merciless Death e Fermata preparavam-se para se apresentar. O ambiente era mais de show do que de dança. O clube teve que competir com jogo de futebol da escola, e o público era pequeno, mas estava satisfeito. "Ficar de bobeira no shopping enjoa", disse Chris Slotterbeck, 17.

No Inferno, a maior parte do público de cem pessoas estava dançando sem parar em sábado recente. Sauer, que dançava com suas amigas, expressou uma reclamação feminina clássica -os rapazes não dançavam. Em certo ponto, ficou cansada de esperar e tirou alguém para dançar com ela.

"Ele disse: 'Claro'", respondeu. "Têm medo de rejeição."

Sua primeira experiência em clube noturno estava completa. Aumenta a procura por boates para adolescentes nos EUA Deborah Weinberg

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