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09/11/2005

Democrata é eleito governador de Nova Jersey

The New York Times
Jennifer Bayot e Nate Schweber

Em Nova York
O senador Jon S. Corzine derrotou o candidato republicano, Douglas R. Forrester, na eleição para governador do Estado de Nova Jersey, realizada nesta terça-feira (09/11). Com 91% dos votos apurados, o democrata tinha 1.071.905 votos, ou 54% do total, contra 865.485 do republicano (43%).

A disputa foi acirrada entre dois milionários candidatos a governador de Nova Jersey, na costa leste dos EUA, que travaram uma luta áspera que se estendeu até o último domingo.

A campanha entre Corzine, ex-vice-presidente da Goldman Sachs, e Forrester, que é dono de uma companhia que gerencia benefícios para a aquisição de remédios, está batendo o recorde estadual de gastos eleitorais. Os dois candidatos gastaram US$ 72 milhões.

Em um Estado que oscila entre democratas e republicanos, e que é, com freqüência, tido como um indicador da tendência política do país, os eleitores que deixavam os locais de votação justificavam as suas escolhas com base em questões que transcendem as preocupações locais, como as pesquisas com células-tronco embrionárias, a guerra no Iraque e o casamento de homossexuais.

As pesquisas de opinião realizadas no domingo sugeriram que o comparecimento dos eleitores seria um fator crítico para o resultado. Uma pesquisa feita pela Universidade Quinnipiac, divulgada na segunda-feira, mostrou que Corzine, um democrata que começou a campanha com uma vantagem de dois dígitos, tinha 52% das intenções de voto, e que Forrester, o candidato republicano, contava com 45%. A margem de erro da pesquisa é de 3,5 pontos percentuais. Já a pesquisa WNBC/Marist detectou um empate entre os dois.

James Hollaway, 58, vendedor da International Paper, que votou em Newark na manhã de terça-feira, disse que escolheu Corzine como uma forma de protesto contra o presidente Bush e a guerra no Iraque. "Acho que o país está em rota de colisão com um desastre devido à atual liderança republicana", afirmou.

Mas outras questões levaram Clem Salerno, 47, e a sua mulher, Connie, 44, a votarem em Forrester em um centro de votação em Cranford, no condado de Union. "Não concordamos com muitas das coisas que Jon Corzine defende --como por exemplo o aborto de nascimento parcial e a legalização do casamento gay", afirmou Calerno, que é pastor evangélico. "Creio que Forrester está mais preocupado com a proteção da família tradicional".

Em uma série de debates, tanto Corzine como Forrester afirmaram que, embora se oponham ao casamento de homossexuais, são também contra a emenda constitucional que proíbe este tipo de casamento.

Após votar na manhã de terça-feira em Hoboken, Corzine não quis arriscar previsões sobre o resultado da eleição. "Saberemos a resposta hoje à noite", afirmou. "Não tenho idéia de qual será o resultado".

Forrester começou o dia às 6h30, saudando os eleitores em Princeton Junction, a estação de trem do seu distrito, West Windsor, e mais tarde votou em um centro de atendimento de idosos. A sua agenda incluiu encontros com grupos de eleitores e visitas a jantares em East Windsor, Hasbrouck Heights e Hackensack, seguidos por um comício noturno.

As urnas foram fechadas às 20h, pondo um fim a uma áspera campanha que teve início com debates sobre como lidar com as questões da corrupção e dos impostos elevados sobre bens, mas que terminou com perguntas e insinuações relativas à conduta conjugal dos candidatos.

O comitê de campanha de Forrester mostrou a sua mulher em várias propagandas, e citou a ex-mulher de Corzine, que disse a The New York Times que ele "desapontou a família, e provavelmente desapontará também Nova Jersey".

Corzine também foi criticado por perdoar uma dívida de US$ 470 mil de uma ex-namorada que é presidente de um sindicato estadual de trabalhadores. Em uma propaganda política, a palavra "suborno" piscava na tela quando aparecia a foto da mulher, Carla Katz.

Na semana passada, ambos os candidatos também foram alvo de alegações não comprovadas sobre casos extraconjugais, o que gerou manchetes escandalosas, apesar de eles terem repelido as acusações.

Em um centro de votação no campus da Universidade Rutgers, em Newark, Robert Ship, 53, um gerente de vendas, descreveu a campanha como desalentadora, e disse que pensou em votar em um terceiro candidato quando chegou ao local pela manhã. "Mas eu fui incapaz de jogar o meu voto fora", explicou. "Entretanto, não creio que haja grande diferença entre os dois candidatos. Cada um deles é uma asa da mesma ave de rapina".

Moise Abraham, um funcionário público de 55 anos que votou em Newark pela manhã, disse ter escolhido Corzine para expressar a sua desaprovação a Bush. Ele disse que as propagandas negativas de Forrester só reforçaram a sua decisão. "Trazer ex-mulheres para a campanha é um golpe baixo".

Mas, em Westfield, em frente ao prédio da prefeitura do Condado de Union, vários eleitores defendiam Forrester. Tom Hoens, 22, membro da classe economicamente mais privilegiada do Estado, apoiou o plano de Forrester para a redução dos impostos sobre patrimônio em 30% no decorrer dos próximos três anos, enquanto Susan Moryan, advogada aposentada, disse acreditar que o candidato republicano é mais independente politicamente, e que seria um governador mais eficiente. "Ele é menos controlado pelos republicanos, do que Corzine pelos democratas", opinou Moryan.

Jock Vincentsen, 62, citou o desperdício de verbas na Corporação de Construção de Escolas de Nova Jersey, onde ele trabalha em gerenciamento de construções, como evidência da necessidade de mudança. "A corporação gastou bilhões de dólares de forma imprópria sob a administração dos democratas. Portanto, tentemos os republicanos", afirmou. Embora aborrecido com a falta de elegância dos candidatos, ele disse não estar surpreso: "Isto é Nova Jersey. Divirtam-se com a lama".

O fato de as campanhas terem se focalizado nas vidas pessoais dos adversários fez lembrar a renúncia súbita do governador James E. McGreevey, no ano passado, depois que ele surpreendeu a todos ao admitir que tinha um caso com um homem, que, segundo os seus assessores, havia sido nomeado para o cargo de assessor estadual de segurança interna.

A vaga foi ocupada em novembro passado pelo governador em exercício Richard J. Codey, que decidiu não concorrer a esta eleição.

Embora as 80 cadeiras da Assembléia Estadual também estejam prestes a serem disputadas em eleição, há pouco suspense. Os democratas controlam aquela casa, por 47 a 33, e com a distribuição favorável dos distritos eleitorais e a vantagem na arrecadação de verbas de campanha, esta maioria poderá ser até expandida em uma ou duas cadeiras.

A disputa potencial mais interessante será aquela pela presidência da assembléia, que deverá fazer com que South Jersey volte a ter força política. Com a saída do atual presidente, Albio Sires, o líder da maioria, Joseph J. Roberts --morador de Camden e aliado próximo do democrata que controla o condado, George E. Norcross-- é o próximo na fila de sucessão.

*Contribuíram Bruce Lambert e John Holl. Jon Corzine derrota republicano, em um Estado liberal dos EUA Danilo Fonseca

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