UOL Notícias Internacional
 

10/11/2005

Em voto de protesto, eleitores da Califórnia rejeitam propostas de Schwarzenegger

The New York Times
John M. Broder

em Los Angeles
O governador Arnold Schwarzenegger sofreu forte derrota na última
terça-feira, quando os eleitores da Califórnia rejeitaram a peça central do seu plano para alterar o equilíbrio de poder em Sacramento (a capital do Estado), uma iniciativa para estabelecer um limite para os gastos públicos e a concessão ao governador de novos e amplos poderes de execução orçamentária.

Também foi rejeitado pelos eleitores um outro plano apoiado por
Schwarzenegger, que tinha como objetivo transferir para um comitê de juízes aposentados o poder de elaborar o mapa de distritos eleitorais, algo que atualmente é uma prerrogativa do Legislativo estadual, controlado pelos democratas.

Os eleitores também decidiram três outras propostas eleitorais especiais, apoiadas pelo governador. Mas após o término da campanha mais cara da história do Estado, ficou óbvio que o ator que se tornou governador, e que já foi muito popular, está politicamente ferido.

Schwarzenegger apostou o seu tempo, o seu prestígio e vários milhões de
dólares da sua fortuna pessoal na campanha que, segundo ele, era necessária para consertar um sistema político que não funciona. O governador terá agora que retornar a Sacramento para tentar restabelecer os vínculos com os líderes democratas no Legislativo, com os quais ele esteve engajado em uma rancorosa campanha eleitoral durante meses.

Schwarzenegger fez uma aparição pública antes do anúncio dos resultados, na noite de terça-feira. E embora não tenha admitido a derrota, ele afirmou que se reuniria na quinta-feira com os seus inimigos democratas a fim de tentar encontrar novas soluções para os problemas políticos e econômicos do Estado.

"Existe muito, muito trabalho a ser feito", disse ele.

A peça central da agenda política de Schwarzenegger, a Proposição 76, que estabeleceria um limite para os gastos estaduais, e daria ao governador novos e maiores poderes de execução orçamentária, perdia por ampla margem no início da apuração dos votos. A agência de notícias "Associated Press" declarou que a proposição foi rejeitada.

Schwarzenegger também apoiou medidas para aumentar o período de estágio
probatório de novos professores, limitar o uso político de verbas sindicais e transferir o poder de traçar distritos eleitorais dos parlamentares eleitos para uma comissão de juízes aposentados.

A popularidade do governador despencou nos últimos meses devido aos seus
próprios erros políticos, e também por a divulgação incessante no rádio e na televisão de propagandas políticas que o criticavam. Schwarzenegger disse que não pretende tentar a reeleição em novembro do ano que vem.

Segundo a "Associated Press",duas outras medidas submetidas à votação na
Califórnia também foram rejeitadas: uma iniciativa para se exigir das
companhias farmacêuticas que dêem descontos aos cidadãos pobres, e um plano para impor novas regulamentações sobre as empresas fornecedoras de energia elétrica.

Em Ohio, na terça-feira, os eleitores rejeitaram categoricamente um pacote de medidas de revisionismo eleitoral proposto pelos democratas após a apertada vitória do presidente Bush na campanha pela reeleição do ano passado.

As quatro medidas rejeitadas, apoiadas pelos sindicatos trabalhistas, por organizações que defendem reformas no governo e pelo grupo ativista atuante na Internet, MoveOn.org, teriam retirado da Secretaria de Estado a autoridade para gerenciar eleições, e tornado bem mais fácil o voto à
distância até um mês antes do dia da eleição.

O pacote também incluiu limites novos e estritos para as contribuições de
campanha e a criação de uma comissão independente para redefinir os
distritos eleitorais.

Com dois terços dos votos de Ohio apurados, cada uma das medidas perdia por uma margem de dois votos a um.

Ainda na terça-feira, eleitores do Texas aprovaram unanimemente uma emenda constitucional proibindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo, fazendo do Texas o 19º Estado a tornar esta prática ilegal. Mas os eleitores do Maine aprovaram uma lei estadual que proíbe a discriminação contra gays e lésbicas.

Matt Foreman, diretor-executivo da Força Tarefa Nacional de Gays e Lésbicas, disse que os líderes do movimento de defesa dos direitos dos homossexuais não se surpreenderam com o resultado do Texas, mas que ficaram satisfeitos com o de Maine.

"Esta é uma vitória muito necessária para um movimento nacional, já que
sofremos várias derrotas eleitorais no ano passado", afirmou Foreman.

As medidas votada em Ohio estavam entre aquelas acompanhadas com mais
atenção, entra as 39 submetidas a votação em sete Estados, um número
bastante alto para um ano não eleitoral. Os eleitores tiveram que votar
propostas relativas aos direitos dos homossexuais, aos erros médicos, à
redefinição dos distritos eleitorais, aos orçamentos estaduais, ao
financiamento de campanhas, ao estágio probatório de professores e aos
planos de descontos dos preços de medicamentos.

As medidas de Ohio foram submetidas a votação em resposta à eleição
presidencial do ano passado, que alguns democratas acusaram de não ser
válida devido a práticas partidárias inescrupulosas. Eles culpam
particularmente J. Kenneth Blackwell, secretário de Estado republicano, que foi o diretor da campanha de Bush em Ohio.

Os críticos disseram que os eleitores democratas tiveram que aguardar horas nas filas das urnas, e que vários não puderam votar, devido à alegação de que não atendiam aos critérios de residência nos distritos eleitorais. Os críticos afirmaram ainda que os votos de eleitores de distritos preponderantemente democratas, e que votaram à distância, jamais foram contados.

Ninguém jamais provou que houve fraude, mas a eleição fez com que se
exigissem grandes revisões eleitorais.

O plano para a redefinição dos distritos eleitorais de Ohio teria acabado com a atual comissão encarregada de fazer a estruturação distrital, e criado, no seu lugar, uma comissão bipartidária. O sistema atual é dominado por republicanos, que traçaram os limites dos distritos com o objetivo de manter as suas maiorias na Assembléia Geral e na delegação congressual. A lei exigiria que a comissão fizesse com que os distritos fossem os mais competitivos possíveis.

Schwarzenegger apoiou a medida de redefinição distrital de Ohio, que teria beneficiado os democratas, assim como um plano similar no seu Estado, elaborado para tornar os republicanos mais competitivos.

Keary McCarthy, porta-voz do grupo Reform Ohio Now, que apoiou as quatro
iniciativas, disse que os eleitores podem ter votado contra as medidas por se sentirem confusos. Ele disse que o Partido Republicano e os interesses empresariais organizaram uma campanha muito bem financiada para derrota-los.

Mais de US$ 225 milhões foram despejados na campanha de eleições especiais, a maior parte deles provenientes de organizações trabalhistas, no intuito de derrotar as iniciativas de Schwarzenegger e diminuir as perspectivas de que ele se reeleja. As grandes indústrias farmacêuticas investiram mais de US$ 80 milhões para derrotar o plano de descontos sobre os preços dos medicamentos, defendido por grupos de consumidores.

No Texas, os eleitores decidiram outras oito emendas constitucionais que
incluíam a transferência de fundos para ferrovias, e uma medida para a
provação de títulos de propriedade de imóveis em duas áreas locais. A
constituição do Estado é uma das mais antigas do país, e foi emendada 432 vezes desde a sua adoção, em 1876. Os eleitores já derrotaram 174 propostas de emendas.

No Maine, os eleitores decidiram pela terceira vez em menos de uma década se a discriminação com base na orientação sexual deveria ser proibida. No início deste ano a assembléia legislativa aprovou uma lei que tornou ilegal a discriminação contra gays e lésbicas em questões relativas a moradia, emprego e crédito.

Um grupo de cristãos conservadores reuniu mais de 56 mil assinaturas pela inclusão de uma proposta na eleição de terça-feira para rejeitar a
legislação.

Os eleitores do Maine rejeitaram uma legislação similar em 1997, e por uma margem muito estreita, em 2000.

No Estado de Washington, seis propostas foram submetidas à votação, sendo que todas, com exceção de uma, foram iniciativas de cidadãos comuns. As mais polêmicas foram duas relativas a erro e negligência médica, um assunto que é motivo de uma antiga briga entre médicos e promotores. Danilo Fonseca

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