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10/11/2005

Transmita por telefone aquelas músicas para você mesmo

The New York Times
David Pogue
Você simplesmente sabe que certas tecnologias, assim que finalmente se tornarem baratas e fáceis de usar, serão sucessos descomunais: poder assistir instantaneamente qualquer filme já produzido, carros não poluentes, celulares que não cortem a ligação.

Não olhe agora, mas um antigo membro do Clube do Algum Dia acabou de se tornar realidade, mais ou menos: a qualquer hora, em qualquer lugar, o download sem fio de suas músicas favoritas para ouvir instantaneamente -sem a necessidade de um computador.

Este serviço notável é trazido a você pela Sprint. Ela é a primeira provedora de telefonia celular a apresentar uma loja de música online baseada em telefone; as outras têm planos semelhantes. A lógica delas é mais ou menos esta: "Aqueles garotos malucos compraram 30 milhões de iPods e um bilhão de canções em lojas de música online. Eles também gastam cerca de US$ 5 bilhões por ano no download de ringtones. E se pudéssemos combinar estas duas tendências? Se os adolescentes puderem realizar o download de músicas inteiras direto para seus celulares, ficaremos ricos, estou dizendo! Ricos!"

Talvez. Como sempre, o diabo está nos detalhes.

Do ponto de vista do design, pelo menos, a Sprint acertou na maioria deles. Quando você clica no ícone de música em seu telefone, você espera cerca de seis segundos até aparecer a pequena loja de música online, apenas em texto.

A navegação é rápida e satisfatória. Com apenas dois toques simples de botão, você pode procurar por título da música ou nome do artista, usando as teclas numéricas para digitar o texto. Você também pode navegar por categoria como Novidades desta Semana e Os Mais Procurados, assim como por gênero. (Esta parte necessita de bastante trabalho; no mundo maluco dos gêneros musicais da Sprint, Tom Jones, Bob Dylan e David Bowie estão no gênero "Clássica".)

O catálogo contém 250 mil músicas, cerca de um oitavo do que há disponível na iTunes Music Store. Os artistas mais importantes das quatro grandes gravadoras estão disponíveis, mas você não encontrará muito conteúdo clássico ou selos independentes. A Sprint diz que o catálogo melhorará.

Você pode ouvir uma prévia gratuita de 30 segundos, ou clicar "Buy" (compre) para obter a faixa completa. Uma canção pop típica chega em cerca de 35 segundos, pronta para ser executada ou adicionada a uma lista criada por você no telefone.

Toda esta diversão exige um dos dois telefones especiais da Sprint: o Sanyo MM-9000 (US$ 230) ou o Samsung SPH-A940 (US$ 250); os preços refletem um desconto e um compromisso de adesão ao serviço por dois anos. Eles são telefones impressionantes.

O Samsung, por exemplo, tira fotos de 2 megapixels e tem lentes de zoom óptico de 2X, que, até onde eu e a Sprint sabemos, é algo inédito em telefones nos Estados Unidos.

Mas para os fãs de música duas outras características são mais importantes. Primeiro, ambos os telefones podem assinar o serviço Power Vision da Sprint: uma conexão de Internet, conhecida pelos "geeks" como EV-DO, que coloca seu celular online com a velocidade de um cable modem lento.

O Power Vision começa a US$ 15 por mês (somados ao seu plano de voz) e inclui mensagens de texto ilimitadas; envio de fotos; navegação na Internet; rádio Sirius; e televisão ao vivo, mesmo que entrecortada. Este serviço, e consequentemente a nova loja de música da Sprint, está disponível nas 75 cidades listadas no endereço www.sprint.com/wirelesshighspeeddata.

A segunda característica crítica é um cartão de memória removível. O cartão inicial incluso guarda apenas entre 15 a 25 faixas. Um substituto maior -digamos, um cartão de 512 megabytes, capaz de armazenar cerca de 500
faixas- custa US$ 70 para o Samsung (formato TransFlash) ou US$ 60 para o Sanyo (MiniSD). Se você quiser, você pode copiar faixas de outras fontes para estes cartões com seu PC (em mp3 ou formato AAC não protegido) e tocá-las também em seu telefone.

Após comprar um telefone caro, um serviço caro de Internet e um cartão de memória caro, há mais uma surpresa: as faixas são caras. Você ganha cinco de graça no início. Depois disto, as faixas da loja de música da Sprint custam US$ 2,50 cada, mais impostos.

O que eles são, malucos?

A menos que tenham passado quatro anos em um tanque de privação sensorial, certamente os executivos da Sprint sabem que a iTunes Music Store e suas rivais estabeleceram solidamente a aceitação do cliente em US$ 1 a faixa. O que faz a Sprint achar que pode cobrar 150% a mais e ainda deixar as pessoas felizes?

"É um novo mercado, o primeiro serviço do gênero, atendendo um tipo diferente de cliente", disse um representante da Sprint. "Nós não estamos necessariamente visando pessoas que estão fazendo o download em massa de música online." (Tradução: "Por favor, não mencione a iTunes".)

Online, a reação esmagadora aos preços da Sprint são de revolta e sarcasmo. Mas pelo menos um cliente na Engadget.com percebe a lógica da Sprint: "É o mesmo motivo pelo qual pago US$ 8 por um cachorro-quente no estádio. Eu poderia comer o mesmo cachorro-quente em casa por 23 cents, mas eu pago o adicional porque ele me permite ter o cachorro-quente onde estou e quando eu quero".

Você também poderia argumentar que US$ 2,50 por faixa é na verdade uma barganha em comparação ao preço dos ringtones. Por mais incrível que pareça a adultos racionais, adolescentes de todo mundo fazem fila para pagar US$ 2,50 cada por trechos de 20 segundos de canções pop para usar como toque de celular. Agora eles podem ter a canção inteira pelo mesmo preço.

Também há outro fator atenuante: as faixas que você baixa diretamente para o telefone permanecem no telefone (ou em outro aparelho da Sprint, caso você venha a trocá-lo). Mas o preço também inclui uma cópia de cada canção, que pode ser baixada diretamente a um computador com Windows XP.

Após uma incômoda "checagem de licença" online, estas cópias se comportam exatamente como as faixas que você compra da Napster.com ou outra loja de música fora a iTunes. Você pode queimá-las em um número ilimitado de CDs, tocá-las em um ou dois outros computadores e transferi-las para um music player portátil. (Desde que não seja um iPod; estas canções tocam apenas em players que exigem o logo "Plays For Sure" da Microsoft.)

A cópia que chega ao PC é em um formato de maior fidelidade (WMA, 128 kilobits por segundo) do que o das faixas que você recebe no telefone, que foram altamente comprimidas para preservar espaço no cartão de memória. (Para ser preciso, as faixas no telefone são em formato AAC+, em uma baixa taxa de 32 kilobits por segundo.)

Uma faixa típica baseada em telefone ocupa 1 megabyte. Isto eqüivale a cerca de um quarto do tamanho de uma canção da iTunes Music Store, e você sabe o que isto significa: menos dados eqüivale a menor qualidade de som. Os alto-falantes embutido do telefone e fone-de-ouvido estéreo soam bem quando você está andando de metrô ou passando por britadeiras na rua. Mas você certamente não vai querer escutar a "Suíte Quebra-Nozes" desta forma.

A bateria do telefone dura apenas cerca de três horas de execução de música. Você pode selecionar as faixas por artista ou gênero, mas não, estranhamente, por título. Não há como checar a duração da faixa antes ou depois de comprá-la. O recebimento de chamadas pausa automaticamente a música, o que é bom. Mas a música também pára, incomodamente, sempre que você sai da tela Now Playing (em execução) por algum motivo -por exemplo, para olhar a sua lista de faixas.

Mas o choque final é você não poder usar as faixas que você baixou como ringtones. Se você adora uma certa faixa da Beyoncé, você terá que pagar US$ 2,50 pelo ringtone e mais US$ 2,50 pela canção inteira. O fã de música comum deve ser perdoado por concluir que o empreendimento todo cheira a ganância.

Há muitas outras formas de baixar música para um celular: o telefone Rokr da Motorola toca faixas da iTunes Music Store, telefones inteligentes como o Treo aceitam cartões de memória com música e assim por diante. Mas estes telefones ainda exigem uma visita ao computador.

A loja de música da Sprint, por outro lado, é sem fio, móvel e instantânea. Ela poderia ser um teste interessante da crença comum de que o próximo iPod será um humilde celular.

Mas o preço da Sprint é alto demais, seu catálogo pequeno demais e sua restrição de ringtone tão idiota que acaba não servindo como teste. Estas decisões corporativas sem noção manterão os clientes afastados, deixando sem resposta a pergunta sobre quão popular seria uma loja de música com preço razoável para celular.

A menos que a Sprint mude de tom, o mercado de música para celular permanecerá aguardando que outra empresa o conquiste. George El Khouri Andolfato

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