UOL Notícias Internacional
 

11/11/2005

Jordanianos chocados protestam contra bombas em sua capital

The New York Times
Hassan M. Fattah

em Amã, na Jordânia
Milhares de jordanianos fizeram manifestações no coração da capital na quinta-feira (10/11) contra os atentados terroristas que mataram 59 pessoas e feriram cerca de 100. Três grandes hotéis foram atingidos quase simultaneamente na noite de quarta-feira.

Os cidadãos jordanianos fizeram carreatas e passeatas na frente de dois dos hotéis, em uma rua central de Amã perto dos ministérios, gritando lemas em apoio à união do país e ao rei Abdullah. Lojas fechadas penduraram bandeiras negras. As bandeiras jordanianas estavam a meio mastro.

"Saímos em apoio a nossa nação e a nossa união. Foi um verdadeiro choque saber que pessoas resolveram se explodir entre inocentes. Foi claramente uma tentativa de abalar nossa estabilidade", disse Ibrahim Haniya, 22, que participava de uma passeata com um grupo de amigos.

Em uma declaração, a Al Qaeda no Iraque assumiu a responsabilidade pelos ataques suicidas. Site da Web do grupo terrorista ligou as explosões à guerra no Iraque, de acordo com a Associated Press.

A alegação, que não pôde ser confirmada, dizia que a Jordânia tornou-se um alvo porque era um "quintal dos inimigos da religião, judeus e cruzados... um lugar imundo para traidores... e centro de prostituição", segundo a Associated Press.

Logo após os atentados, as suspeitas recaíram sobre Abu Musab Al Zarqawi -líder jordaniano da Al Qaeda no Iraque, que em 2004 foi condenado à morte por uma corte militar jordaniana por seu papel na morte de um diplomata americano dois anos antes.

As bombas destruíram a recepção do Grand Hyatt Hotel, atingiram uma festa de casamento no Radisson SAS Hotel na mesma rua e explodiram o Days Inn Hotel, tudo em questão de minutos. O maior número de vítimas foi no casamento no Radisson, que contava com a presença de jordanianos proeminentes. O presidente Bush ligou para o rei Abdullah para oferecer seus pêsames.

"Expressei profunda preocupação e a compaixão de nossa nação pelos que perderam suas vidas e suas famílias", disse Bush. "Os atentados devem lembrar a todos que há um inimigo neste mundo que está disposto a matar inocentes e a explodir uma celebração de casamento para promover sua causa."

Jordanianos expressaram seu choque e indignação. Alguns atribuíram os ataques aos esforços jordanianos para tentar promover a paz regional e seu apoio à criação de um novo governo no vizinho Iraque.

"Estivemos tentando ajudar a resolver os problemas do Iraque. O que viemos fazendo pelo Iraque atraiu a atenção dos terroristas, mas eles vêem que ainda estamos estáveis", disse Yazan Faure, que tomou parte da passeata na quinta-feira.

A Jordânia é menosprezada por extremistas islâmicos por seu tratado de paz e laços com Israel e suas ligações com Washington. Na quinta-feira, o escritório do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, declarou que este tinha ligado para o rei Abdullah para expressar suas condolências e confirmar a oferta de assistência.

O vice-primeiro-ministro da Jordânia, Marwan Muasher, disse em conferência com a imprensa na quinta-feira que 59 pessoas morreram, mais do que o total de 56 divulgado anteriormente. O gabinete disse que os ataques pareciam ter sido executados por homens-bomba.

Um porta-voz da Embaixada Americana em Amã disse por telefone que um dos mortos era americano. A embaixada não deu mais detalhes.

Muasher também disse que mais da metade dos mortos eram jordanianos, mas havia iraquianos, indonésios, chineses, sírios e sauditas. Catorze corpos ainda não foram identificados.

Amã foi submetida a severas restrições de segurança na quarta-feira, com as ruas fechadas e a polícia fortemente armada. Membros da polícia secreta também entraram em ação.

Funcionários dos hotéis e das ambulâncias retiraram os mortos e feridos nos carrinhos geralmente usados para a bagagem. Houve caos e confusão nos três locais. Os hotéis, apesar de freqüentados por ocidentais, empregam grande número de jordanianos.

"Houve um estrondo, depois um silêncio, e ninguém sabia o que tinha acontecido. Nunca imaginei que algo assim pudesse acontecer na Jordânia. Esta é nossa Jordânia, e lutarei contra isso com todos meus recursos", disse Marwan Qusous, proprietário de uma boate, Kanabaye, a poucos metros do Grand Hyatt, que descobriu que dois de seus amigos tinham sido mortos.

No Hospital Khalidi, a menos de 1 km da explosão do Grand Hyatt, testemunhas disseram que alguns dos corpos estavam decapitados.

Por causa das atividades terroristas de Al Zarqawi no Iraque, os EUA ofereceram uma recompensa de US$ 25 milhões (em torno de R$ 57 milhões) para quem ajudar em sua captura.

Em abril de 2004, Al Zarqawi gravou uma declaração de sete minutos que apareceu em vários sites islâmicos da Web. Ele assumia a responsabilidade por várias tentativas de explosões na Jordânia e falava de seu interesse em atacar a Jordânia.

"O que virá será mais cruel e amargo", disse Al Zarqawi em declaração, de acordo com uma transcrição da mensagem.

A Jordânia foi alvo de tentativas de atentados terroristas frustrados no passado. Em julho, houve uma tentativa fracassada de lançamento de foguetes contra dois navios de guerra americanos na cidade de Aqaba, no Sul.

A Jordânia forneceu apoio logístico crucial aos EUA durante a guerra no Iraque. Ainda assim, a segurança dos hotéis em Amã não era pesada.

O rei Abdullah encurtou sua visita ao Cazaquistão e voltou para casa. A televisão estatal mostrou o rei inspecionando os locais das explosões depois de voltar na quinta-feira pela manhã, informou a Associated Press citando outras agências. Ele mais tarde presidiu uma reunião de seus assessores de segurança, inclusive policiais e agentes da inteligência.

O rei ia visitar Tel Aviv na próxima segunda-feira, para uma cerimônia de abertura de um centro em memória de Yitzhak Rabin, primeiro-ministro assassinado. Não está claro se a visita o correrá.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, adiou planos de visitar Amã.

A Casa Branca condenou os atentados como "atos hediondos de terrorismo" contra civis inocentes. A Secretária de Estado Condoleezza Rice disse que os ataques eram uma "grande tragédia".

Em uma declaração da corte real, o rei disse: "Os ataques terroristas que tiveram como alvo três hotéis em Amã são atos criminais executados por grupos terroristas. A Jordânia continua determinada a combater os criminosos que queriam com seus atos atingir civis inocentes."

Ele acrescentou que a Jordânia ia "continuar sendo um país livre."

Os ataques começaram em torno das 20h50 de quarta-feira, com a primeira explosão no saguão do Grand Hyatt. Funcionários disseram que a pior explosão ocorreu em um salão de bailes lotado com convidados dentro do Radisson. Eles disseram que a explosão do Days Inn pode ter sido provocada por um carro-bomba.

As explosões quase simultâneas nos três hotéis pareceram imitar um plano frustrado pelos agentes de segurança jordanianos em 2000, no qual terroristas ligados à Al Qaeda planejavam explodir quatro hotéis famosos. O Radisson era um dos alvos do plano de 2000.

Os hotéis, todos próximos, são populares entre estrangeiros, inclusive diplomatas e jornalistas que trabalham na cidade.

O departamento de inteligência da Jordânia é conhecido como um dos mais eficazes no Oriente Médio, com uma rede de agentes que às vezes consegue se infiltrar em operações de fachada. Os EUA freqüentemente pedem à Jordânia ajuda com informações reunidas por seus agentes de inteligência.

Mas a Jordânia não escapou ao terrorismo. Em 2002, um diplomata americano, Laurence Foley, recebeu um tiro fatal na frente de sua casa em Amã. Dois anos depois, uma corte militar jordaniana sentenciou oito homens à morte por tomar parte naquela morte. Seis dos condenados não estavam presentes. Um deles era Al Zarqawi. Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,45
    3,141
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,39
    64.684,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host