UOL Notícias Internacional
 

13/11/2005

Apoiados em um computador, EUA buscam provar ambições nucleares do Irã

The New York Times
William J. Broad e David E. Sanger*
Em meados de julho, altos funcionários da inteligência dos Estados Unidos chamaram os líderes da agência internacional de inspeção nuclear até o topo de um arranha-céu com vista para o Danúbio, em Viena, e revelaram o conteúdo do que disseram ser um computador laptop iraniano roubado.

Os americanos exibiram na tela e distribuíram pela mesa de conferência trechos de mais de mil páginas de simulações de computador e relatos de experiências iranianas, dizendo que mostravam um longo esforço para projetar uma ogiva nuclear, segundo meia dúzia de participantes europeus e americanos da reunião.

Os documentos, os americanos reconheceram desde o início, não provam que o Irã tem uma bomba atômica. Eles os apresentaram como a evidência mais forte de que, apesar da insistência do Irã de que seu programa nuclear é pacífico, o país está tentando desenvolver uma ogiva compacta para caber no topo de seu míssil Shahab, que pode atingir Israel e outros países no Oriente Médio.

O briefing para os membros da Agência Internacional de Energia Atômica da Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo seu diretor, o dr. Mohamed ElBaradei, fazia parte de uma campanha secreta americana para aumentar a pressão internacional sobre o Irã. Mas, apesar da inteligência ter tido boa receptividade entre países como Grã-Bretanha, França e Alemanha, que analisaram os documentos há cerca de um ano, o mesmo não pode ser dito em relação aos países de fora do círculo interno.

O computador continha estudos para características cruciais de uma ogiva nuclear, disseram autoridades européias e americanas que examinaram o material, incluindo uma denunciadora esfera de detonadores para desencadear uma explosão atômica. Os documentos especificavam uma explosão a cerca de 600 metros acima do alvo -considerada uma altitude para detonação nuclear.

Todavia, dúvidas sobre a inteligência persistem entre alguns analistas estrangeiros. Em parte, isto ocorre porque as autoridades americanas, citando a necessidade de proteger sua fonte, têm se recusado a fornecer detalhes sobre a origem do computador laptop a não ser dizer que o obtiveram em meados de 2004, junto a um antigo contato no Irã. Além disso, este capítulo no confronto com o Irã está imerso na lembrança da inteligência falha sobre as armas não-convencionais do Iraque. Neste clima, apesar de poucos países estarem dispostos a acreditar na negação do Irã sobre armas nucleares, poucos estão dispostos a aceitar uma inteligência dos Estados Unidos sobre armas sem questionar.

"Eu posso fabricar estes dados", disse um alto diplomata europeu sobre os documentos. "É muito bonito, mas está aberto a debate."

Robert G. Joseph, o subsecretário de Estado para controle de armas e segurança internacional, que comandou o briefing em julho, se recusou a discutir qualquer material confidencial da sessão, mas reconheceu a existência da inteligência sobre a ogiva. Ele a chamou de um dos muitos indicadores "que, reunidos, levam à conclusão de que o Irã está buscando capacidade de armas nucleares".

Mesmo se os documentos refletirem precisamente os avanços do Irã no desenvolvimento de uma ogiva nuclear, especialistas ocidentais em armas disseram que o Irã ainda está muito longe de produzir o combustível para bomba radioativa que seria o coração da ogiva. As agências de inteligência americanas estimaram recentemente que o Irã não teria uma arma nuclear funcional antes dos primeiros anos da próxima década.

Ainda assim, analistas nucleares na agência atômica internacional estudaram os documentos do laptop e os consideraram evidência crível dos progressos iranianos, disseram diplomatas europeus. Uma dúzia de autoridades e especialistas em armas nucleares na Europa e nos Estados Unidos, com conhecimento detalhado da inteligência, disseram em entrevistas que acreditam que ele reflita um esforço orquestrado para desenvolver uma ogiva. "Eles resolveram problemas que você não resolve a menos que esteja falando sério", disse uma autoridade européia em armas. "Isto é muito sério."

De fato, alguns países que estavam céticos quanto à inteligência sobre o Iraque --incluindo a França e a Alemanha---estão profundamente preocupados com o que a descoberta da ogiva poderia pressagiar, segundo várias autoridades. Mas o governo Bush, aparentemente ciente da profundidade de seu problema de credibilidade, está apenas falando sobre o computador laptop e seu conteúdo em reuniões secretas, mais de uma dúzia até o momento. E apesar do presidente Bush estar defendendo seus pronunciamentos de antes da guerra sobre as armas não-convencionais do Iraque, ele nunca se referiu publicamente aos documentos iranianos.

R. Nicholas Burns, o subsecretário de Estado para assuntos políticos, que tem coordenado a questão do Irã com os europeus, também se recusou a discutir a inteligência, mas insistiu que a abordagem do governo Bush é de "uma diplomacia discreta, cuidadosa, que visa aumentar a pressão internacional para que o Irã faça uma única coisa: abandonar suas intenções de armas nucleares e voltar às negociações com os países europeus".

Até agora, só houve uma única referência oficial a ela: há um ano, em uma conversa com os repórteres, o então secretário de Estado, Colin L. Powell, se referiu brevemente a uma nova inteligência ligada a mísseis do Irã. De lá para cá, reportagens no The Wall Street Journal, The Washington Post e outras publicações revelaram alguns detalhes da inteligência, incluindo a informação de que os Estados Unidos tinham obtido milhares de páginas de documentos iranianos sobre o desenvolvimento da ogiva.

Em entrevistas nas últimas semanas, analistas e autoridades de seis países da Europa e da Ásia revelaram um quadro mais amplo dos briefings de inteligência. Por sua vez, várias autoridades americanas confirmaram a inteligência. Todos os que falaram o fizeram sob a condição de anonimato, dizendo que prometeram manter a inteligência em segredo, apesar dela estar sendo discutida com uma série de altos funcionários de governo e membros do conselho da Agência Internacional de Energia Atômica.

As autoridades disseram que cientistas dos laboratórios de armas americanos, assim como analistas estrangeiros, examinaram os documentos à procura de sinais de fraude. Era uma preocupação em particular devido aos documentos falsos que despontaram vários anos atrás, supostamente mostrando que Saddam Hussein tinha tentado obter urânio em Níger. As autoridades disseram que encontraram os documentos sobre a ogiva, escritos em persa, convincentes devido à sua consistência e precisão técnica, além de mostrarem uma progressão de desenvolvimento de 2001 até o início de 2004.

Dentro do governo americano, "a natureza e a história da fonte deixaram todos bastante confiantes de que isto é a coisa real", disse um ex-alto funcionário de inteligência dos Estados Unidos que foi informado sobre o laptop.

Mas um especialista de fora do governo alertou que a inteligência poderia simplesmente representar o trabalho de uma facção no Irã. "O que nós não sabemos é se este é um esforço não coordenado de um setor particularmente ambicioso do programa de foguetes ou se é, como alguns alegam, um esforço passo a passo para dispor de uma arma nuclear ainda nesta década", disse Joseph Cirincione, do Fundo Carnegie para a Paz Internacional, que disse não ter visto os documentos secretos.

Os próprios iranianos negam qualquer conhecimento dos planos da ogiva. "Nós estamos certos de que não há tais documentos no Irã", disse Ali A. Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e o negociador-chefe do país para assuntos nucleares, em uma entrevista em Teerã. "Eu não tenho idéia do que eles têm ou do que alegam ter. Nós apenas ouvimos as alegações."

Como um medida do ceticismo enfrentado pelo governo Bush, funcionários disseram que o embaixador americano na agência atômica internacional, Gregory L. Schulte, estava pedindo para que os outros países consultassem seu par francês. "Quanto ao Iraque nós discordamos, mas quanto ao Irã nós concordamos plenamente", disse um alto funcionário do Departamento de Estado. "Isto atrai a atenção."

Inspetores e instalações secretas
Por anos as agências de inteligência americanas alegaram que o Irã estava escondendo uma série de instalações nucleares. Então, em fevereiro de 2003, inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica foram ao Irã e confirmaram as denúncias de dois locais secretos em construção, que poderiam produzir urânio e plutônio concentrados, combustíveis padrão para armas nucleares. Em Natanz, eles encontraram preparativos para mais de 50 mil centrífugas para purificação de urânio. Em Arak, eles encontraram a construção de uma instalação e reator de água pesada para produção de plutônio.

O Irã insistiu que as instalações visavam à realização de pesquisa pacífica e à produção de combustível para energia nuclear, e foram mantidas em segredo para evitar as penas impostas pelos Estados Unidos para a venda de tecnologia atômica para o Irã.

Com o tempo, uma série de revelações desafiou tal explicação, enquanto os inspetores descobriam pelo menos sete instalações nucleares secretas.

Em agosto de 2003, inspetores da agência descobriram traços de urânio concentrado do nível alto necessário para uma bomba, em vez do nível baixo para reator produtor de energia. Parte do urânio foi mostrado como tendo chegado ao Irã em equipamento nuclear comprado do Paquistão, mas um diplomata europeu revelou que a origem do restante ainda é um mistério.

E havia as dúvidas sobre o que o Irã tinha obtido no mercado negro atômico dirigido por Abdul Qadeer Khan, o engenheiro nuclear paquistanês desgarrado. O Irã reconheceu ter comprado de Khan, mas a extensão de tais negócios ainda continua sob investigação.

No final de 2003, muitos especialistas de dentro e fora do governo concordaram que o Irã estava progredindo rapidamente. "A maioria das pessoas acredita que eles dominaram as capacidades essenciais e que têm o potencial de desenvolver o que precisam para produzir uma bomba", disse Gary Milhollin, diretor do Projeto Wisconsin para Controle de Armas Nucleares, em Washington.

A diplomacia que visa impedir o Irã tem progredido de forma trôpega. Teerã concordou em suspender o enriquecimento de urânio enquanto negociava com o Ocidente o destino de seu programa nuclear, mas meses depois começou a produzir hexafluoreto de urânio, o material bruto para enriquecimento.

Se o Irã escondeu partes de seu programa nuclear, ele exibiu ousadamente seus mísseis. E em agosto de 2004, o país realizou um teste que aumentou a suspeita de que funcionaria com uma ogiva nuclear.

O teste de Teerã disparou uma versão atualizada do Shahab --estrela cadente em persa-- em um vôo que exibiu a primeira aparição de um nariz cônico avançado composto de três formas distintas. Os especialistas em mísseis notaram que tais narizes tricônicos têm um grande alcance, precisão e estabilidade em vôo, mas menos espaço para carga. Portanto, disseram os especialistas, eles geralmente são usados para carregar armas nucleares.

O Irã insiste que está buscando apenas energia pacífica, e nota que países como Japão, Coréia do Sul e Brasil possuem programas nucleares civis avançados e mísseis sofisticados, mas foram auxiliados pelo Ocidente no desenvolvimento de seus programas em vez de serem acusados de tentar produzir ogivas nucleares.

"Países de segunda classe são autorizados a produzir apenas massa de tomate", disse Larijani, o negociador nuclear do Irã. "O problema é que o Irã saiu de sua concha e está tentando ter tecnologia avançada."

O conteúdo do laptop
As autoridades americanas disseram pouco em seus briefings sobre a origem do laptop, fora que foi obtido em meados de 2004 junto a uma fonte no Irã que disseram que a recebeu de uma segunda pessoa, agora supostamente morta. Autoridades estrangeiras que analisaram a inteligência especulam que o laptop foi usado por alguém que trabalhava no programa nuclear iraniano ou que roubou informação dele. Um alto especialista em armas disse que o material é tão volumoso que parece ter sido obra de uma equipe de engenheiros.

Sem revelar a fonte do computador, as autoridades de inteligência americanas insistiram que ele não veio de qualquer grupo de resistência iraniano, cujas alegações sobre o programa nuclear do Irã têm um retrospecto de falta de precisão.

Em julho, enquanto o governo Bush começava a aumentar a pressão sobre a ONU para adotar uma posição punitiva contra Teerã, ele tentava informar ElBaradei sobre o conteúdo do laptop. A reunião em 18 de julho, no andar térreo da embaixada americana em Viena, foi um encontro de antigos rivais. Antes da guerra no Iraque, ElBaradei atraiu a ira do governo Bush ao declarar que sua agência não tinha encontrado evidência de que Saddam Hussein estava retomando seu programa nuclear. E o governo tentou derrubar ElBaradei, um egípcio, de seu cargo, em parte por o considerarem insuficientemente duro com o Irã.

O briefing mostrou basicamente as simulações de computador e estudos de várias configurações de ogivas em vez de trabalho de laboratório ou relatórios de vôos de teste, segundo autoridades na Europa e nos Estados Unidos. Mas uma autoridade americana disse que as anotações indicavam que os iranianos realizaram experiências. "Isto não foi apenas um exercício teórico", disse ele. Em uma entrevista, ElBaradei, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz no mês passado, se recusou a discutir o briefing.

Avaliar quão longe os iranianos foram no plano para produzi-la é difícil. "É fácil cair na armadilha de achar que as imagens bonitas representam a realidade", disse um alto funcionário de inteligência. "Mas este pode não ser o caso."

Uma grande revelação foi o trabalho feito em uma esfera de detonadores que visava acionar explosivos convencionais que, por sua vez, comprimiriam o combustível radioativo para iniciar uma reação nuclear em cadeia. Os documentos também tratam de como posicionar uma bola pesada --presumivelmente de combustível nuclear-- dentro da ogiva para assegurar estabilidade e precisão durante o mergulho flamejante na direção do alvo. E uma bomba explodindo à altura de 600 metros, como previsto nos documentos, sugere uma arma nuclear, disseram analistas, já que tal altitude é imprópria para armas convencionais, químicas ou biológicas.

Após mais de um ano de análise, permanecem dúvidas sobre a autenticidade do achado. "Mesmo com a melhor inteligência, você sempre se pergunta: 'Isto foi preparado para os meus olhos?'" disse uma autoridade americana. Vários especialistas em inteligência disseram que uma agência de espionagem Ocidental sofisticada poderia, em teoria, produzir o conteúdo do laptop. Mas as autoridades americanas insistem que não há evidência de tal fraude.

Gary Samore, o chefe de não-proliferação do Conselho de Segurança Nacional do governo Clinton, que recentemente dirigiu um relatório sobre o Irã que utilizou entrevistas com autoridades de governos de vários países, disse: "A evidência mais convincente de que o material é genuíno é que o trabalho técnico é tão detalhado que seria difícil fabricar".

Um briefing de inteligência
Em agosto e setembro, enquanto os Estados Unidos se preparavam para uma disputada votação na Agência Internacional de Energia Atômica pela recomendação ou não de uma ação do Conselho de Segurança da ONU contra o Irã, o governo Bush aumentou sua campanha.

Os Estados Unidos raramente compartilham inteligência fora de um pequeno círculo de aliados estreitos. Mas eles decidiram apresentar uma versão resumida do briefing secreto sobre a ogiva. Joseph e seus colegas a apresentaram ao presidente de Gana e autoridades da Argentina, Sri Lanka, Tunísia e Nigéria, entre outros países.

Mas o governo se sentiu desconfortável compartilhando inteligência confidencial com outro círculo de países. Para eles, ele desenvolveu o equivalente ao livro branco sobre o Iraque que a Grã-Bretanha e os Estados Unidos publicaram antes da guerra. O briefing não-confidencial de 43 páginas não inclui nenhuma referência aos documentos da ogiva, mas usa fotos de satélites comerciais e análises econômicas para argumentar que o Irã não tem necessidade de energia nuclear e que há muito tem escondido suas verdadeiras ambições.

Analistas do Laboratório Nacional de Los Alamos e do Laboratório Nacional do Pacífico Noroeste escreveram o relatório para o Departamento de Estado, que o distribuiu amplamente. Em detalhes minuciosos, o relatório oferece uma turnê pelas instalações antes escondidas, dizendo, por exemplo, que um prédio "falso" na instalação da centrífuga, em Natanz, esconde uma rampa de entrada secreta que leva a uma fábrica subterrânea.

O relatório afirmava que o Irã não tinha reservas comprovadas de urânio suficientes para abastecer seu programa de energia nuclear além de 2010. Mas possui urânio suficiente, acrescentou o relatório, "para dar ao Irã um número significativo de armas nucleares".

O relatório não foi bem recebido. Algumas autoridades consideraram seus argumentos superficiais e inconclusivos. "Sim, e daí?", disse um especialista europeu que ouviu o relato. "Como você sabe que o que lhe foi mostrado em um slide é verdade dada a experiência anterior?"

Mesmo assim, a campanha americana ajudou a produzir um consenso entre os membros do conselho da Agência Internacional de Energia Atômica, mesmo que frágil. Em 24 de setembro, o conselho aprovou uma resolução contra o Irã por 22 votos contra 1, com 12 países se abstendo, incluindo a China e a Rússia.

Ele citou o Irã por "uma longa história de acobertamento e logro" e repetidos fracassos de viver à altura de suas obrigações segundo o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que o país assinou em 1970. A resolução diz que as violações do Irã o deixam passível de punição pelo Conselho de Segurança com penas econômicas, apesar de ter deixado a data para a encaminhamento para uma futura reunião.

Manouchehr Mottaki, o ministro das Relações Exteriores do Irã, condenou a resolução como "ilegal e ilógica", resultado de um "cenário planejado pelos Estados Unidos".

Debatendo o próximo passo
Em 24 de novembro, o conselho da agência atômica internacional planeja se reunir novamente para enfrentar a questão nuclear iraniana --e decidir se dá o próximo passo e remete a questão ao Conselho de Segurança.

O governo Bush está confiante em sua evidência. "Não há um único país com o qual lidamos que não acredita que o Irã está buscando uma arma nuclear", disse Burns, o subsecretário de Estado.

Os iranianos tomaram medidas para impedir quaisquer penas. Após meses de adiamento, eles permitiram a visita de inspetores a uma instalação militar secreta, compartilharam mais informações sobre a história de seu programa e sinalizaram a disposição de retomar as negociações, apesar de continuarem prometendo que continuarão transformando urânio bruto em gás capaz de ser enriquecido. Tais passos podem convencer alguns membros do conselho da agência atômica. E pelo menos dois países que farão parte do conselho rotativo na próxima reunião --Cuba e Síria-- quase certamente desafiarão Washington. (Em setembro, apenas a Venezuela votou a favor de Teerã.)

Dada tal política, a nova inteligência que os Estados Unidos dizem que prova as verdadeiras intenções do Irã poderá ter um papel menor no longo confronto com Teerã. Um motivo é que os Estados Unidos até o momento se recusaram a apresentar as informações sobre a ogiva, o que impossibilita a busca de uma explicação detalhada por parte dos iranianos.

ElBaradei disse que sua agência "seguirá o devido procedimento, o que significa que preciso estabelecer a veracidade, consistência e autenticidade de qualquer inteligência, e compartilhá-la com o país envolvido". Neste caso, ele acrescentou, "isto não aconteceu".

Os países europeus e a agência atômica internacional agora estão acertando os detalhes de uma nova proposta que oferece a Teerã a chance de realizar atividades nucleares limitadas no Irã, mas transferindo qualquer enriquecimento de urânio para a Rússia --parte do esforço para impedir o país de obter combustível nuclear que poderia parar no topo do míssil Shahab.

Alguns diplomatas europeus temem que confrontar os iranianos com uma forte evidência dos estudos de ogiva poderia fazer Teerã abandonar as negociações com o Ocidente, expulsar os inspetores internacionais e seguir em frente com seus planos, sejam quais forem.

"É uma carta que explodirá o sistema vigente, de forma que a pergunta se torna quando e como usá-la", disse um alto diplomata europeu. "Se há informação que pode servir para ajudar a obter progresso junto aos iranianos, sem explodir o sistema, ela é melhor."

*Dexter Filkins contribuiu com reportagem para este artigo, em Teerã George El Khouri Andolfato

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