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13/11/2005

Quem é você? Por que está aqui?

The New York Times
William L. Hamilton
A 60ª edição do "Who's Who in America" (Quem é Quem na América), o respeitável guia da realização americana, foi publicada na semana passada. O familiar "grande livro vermelho" em dois volumes, a "Vanity Fair" do bibliotecário, reconhece 109 mil pessoas e, com sua inclusão, as indica para a posteridade e para a memória coletiva americana, como uma capa de revista que permanece nas bancas para sempre.

Mas em uma era de Internet e Google, de televisão realidade, astros de gangsta rap, assessoria de imprensa de celebridades, divas domésticas encarceradas e os famosos 15 minutos de fama (provavelmente mais próximos de 5 minutos agora), quem é quem?

"Eu penso nisto todo dia", disse Jon Gelberg, diretor administrativo de projetos especiais da Marquis Who's Who, a editora do livro. Ele falava dos escritórios da empresa em New Providence, Nova Jersey, onde uma equipe editorial de 70 pessoas, incluindo 12 pesquisadores, decide quem é notável e quem não é. Falando sobre seu trabalho, Gelberg às vezes parecia tão estóico quanto Hércules.

"Who's Who", tradicionalmente um educado clube de ministros da Suprema Corte, clérigos, exploradores/autores, professores de botânica e outras conservadoramente distintas figuras acadêmicas, governamentais e profissionais, agora também é --sob um novo comando há dois anos que deseja reconhecer a cultura popular de forma igualmente enfática-- quem é In e quem é Out. O pessoal inserido na mais recente edição faz tanto parte da área de consulta quanto da área VIP. Pense em entrar para a história como o pós-festa definitivo.

Eva Longoria, a atriz que interpreta Gabrielle Solis em "Desperate Housewives"; Ken Jennings, que detém o recorde de maior seqüência de vitórias no game show "Jeopardy"; e Tony Hawk, o skatista. Eles assumem seus lugares na cultura americana ao lado de presidentes, vencedores do Prêmio Nobel, a elite do entretenimento e os titãs da indústria. Martha Stewart está de volta após uma ausência de um ano, pois seu cumprimento de pena na prisão a desqualificou em 2005.

Mas quem ainda não se encontra? Alice Waters, a mãe da nova culinária americana. Quem já esteve, mas não está em 2006? Beck. Quem é do tipo "Quem?" Rod Strickland, o jogador de basquete, e Linda Evans, a estrela da série popular dos anos 80, "Dinastia".

E quem nunca será? Victoria Gotti, a autora, personalidade de TV e filha de John Gotti. Ela é inelegível devido às ligações da família Gotti com o crime organizado, o que os editores da Marquis chamam de feito "famigerado" ou "infame".

"Minha vida continuará sem isto, acredite", disse Victoria Gotti sobre a citação da Who's Who, falando por telefone da Califórnia.

Monica Lewinsky? Nunca teve chance.

Mas com a natureza freqüentemente de cabeça para baixo de quem é celebridade atualmente, ou por quê, categorias ocupacionais como crime organizado estão sendo consideradas. Socialites, com poucas exceções, como a falecida e onipresente Nan Kempner, são mantidas de fora. Paris Hilton, a célebre herdeira, foi incluída no ano passado, segundo Gelberg, devido aos seus feitos em três indústrias: moda, cinema e televisão.

"A cultura popular tem expandido e se tornado mais grosseira, de forma que não há motivo para não incluir Paris Hilton", disse Matthew Boylan, um bibliotecário de referência do Centro Donnell da Biblioteca Pública de Nova York. E os bibliotecários, a julgar por vários entrevistados, são um grupo igualitário, mas severo quando se trata de materiais de referência, exibindo uma ferocidade protetora que impressionaria os Gottis.

"Nós estamos o tornando mais relevante? Absolutamente", disse Gelberg. "De quem as pessoas estão falando? Quem está na capa das revistas? As pessoas do mundo hip-hop, os tipos de esportes radicais. Nós os estamos acrescentando em números cada vez maiores. Isto faz parte da cultura."

Algumas pessoas são motivo de grande debate, como ativistas. Cindy Sheehan, que se opõe à guerra no Iraque, está em "Who" pelo simples volume de cobertura na imprensa que obteve no último ano; Randall Terry, que é contra o aborto, não está, mais por omissão do que por falta de espaço na mídia, disse Gelberg. Terry está sendo discutido para inclusão em 2007.

Parte do plano de três anos da empresa para tornar "Who's Who" mais relevante é refletir a liderança entre os latinos, asiáticos e afro-americanos. Brigida Benitez, uma advogada e presidente da Ordem dos Advogados Latinos do Distrito de Colúmbia, é um exemplo. O guia também está passando a vassoura em nomes que têm acumulado poeira, não louros. Para 2006, 37 mil nomes foram removidos enquanto 20 mil foram acrescentados. A Marquis Who's Who também mantém um banco de dados, disponível por assinatura, de 1,2 milhão de nomes, incluindo os presentes no livro, os descartados, os que estão sendo considerados e os falecidos.

Para os incluídos, é uma disputa brutal de espaço de colunas: George W. Bush, uma e um quarto; Ashley e Mary-Kate Olsen, duas e meia entre elas; Stephen Hawking e Cher, uma e três quartos cada; Madonna, duas; Noam Chomsky, seis.

Apesar de pessoas do mundo do entretenimento e outras figuras conhecidas não serem novidade no "Who's Who", que surgiu em 1898, sua aceitação da cultura popular tem evoluído. Atletas profissionais, que eram considerados operários, ficaram excluídos até 1927, quando Bill Tilden, o astro do tênis e celebridade social, foi admitido. Quando Mae West teve sua entrada negada no grande livro vermelho, ela disse aos repórteres que seus editores não seriam incluídos no seu pequeno livro negro.

Se o "Who's Who in America" tem criado, por mosaico, um retrato dos Estados Unidos e de suas mudanças tectônicas, a mais recente edição, ao reconhecer a cultura popular, é um retrato que alguns podem considerar espantoso de se ver -como um olhar indesejado no espelho. "Who's Who" é um lembrete árido de que a celebridade pela celebridade é agora uma indústria americana estabelecida, tão poderosa e reconhecida internacionalmente como já foi a indústria do aço, movida por CDs, filmes, perfumes, romances de tablóide e pura aparência.

"Hilary Duff, Britney Spears, Christina Aguilera --elas tem enorme poder", disse Kerry Morrison, o editor administrativo de pesquisa da Marquis. "Em comparação a Debbie Gibson?" Ai. Gibson, a quem Morrison caracterizou como alguém que não vai a lugar nenhum --o pior pesadelo "Who's Who"-- nunca esteve no livro ou no banco de dados.

A maior pergunta na Marquis é se o próprio "Who's Who in America" ainda é elegível. Com a estrada da informação agora transformada em uma Interestadual internacional, será que um livro de referência de 5.919 páginas, ao preço de US$ 749, é uma ferramenta com autoridade e um retrato válido da sociedade, ou um dinossauro da idade impressa?

"Ele tinha um grande nome, mas o produto precisava de muitas melhorias", disse James A. Finkelstein, que juntamente com Wilbur L. Ross Jr. comprou a Marquis Who's Who em 2003. Lançada ano sim, ano não, até 1992, ela agora é uma publicação anual. Pessoas serão incluídas e descartadas na versão impressa mais rapidamente do que no passado, para torná-la mais representativa como obra de referência, disse Finkelstein. A empresa publica 16 títulos "Who's Who", incluindo volumes dedicados às mulheres americanas e àqueles para a área de educação, que são comprados principalmente por bibliotecas. Cerca de 25 mil exemplares já foram vendidos para entrega em 2006.

Mas como alguém se torna elegível? Há 73 categorias e 800 ocupações que servem de base para admissão, disse Fred Marks, diretor administrativo sênior. Para selecionar indicados, sua equipe analisa listas como Forbes Celebrity 100 e Fortune 500, assim como listas específicas de várias indústrias e profissões. Os pesquisadores também compilam nomes de interesse geral em revistas como "Time" e especializadas como "The American Lawyer", à procura de candidatos ou para verificar se pessoas incluídas na última edição ainda são elegíveis.

"Os padrões fundamentais aqui são posição e realização", disse Gene M. McGovern, o executivo-chefe da Marquis. "O livro é preenchido rapidamente --Pulitzers, os Fortune 1.000, o Congresso."

Morrison acrescentou: "Com um Oscar, você pode permanecer nela até morrer".

Em 2006, 26% dos incluídos são mulheres, um aumento em comparação a 14% há dez anos. Os selecionados são esboçados biograficamente, depois contatados para informação adicional ou requisitados a preencherem um formulário. Os dados finais não são checados uniformemente.

"Quão longe vão para verificar a informação?", perguntou Susan Newson, chefe de referência da Biblioteca Pública de East Meadow, em Long Island. "Esta é a pergunta. Você presume que os selecionados não ocultarão informação nem engrandecerão a si mesmos, porque a lista é muito distinta."

Falando pelos bibliotecários, Newson acrescentou: "Nós suspeitamos um pouco, mas em relação a pessoas pouco conhecidas, nós não temos mais nada". Robert Homer Simpson, por exemplo, o primeiro meteorologista a sobrevoar um furacão, em 1947, ainda pode ser encontrado em "Who's Who".

Para muitos daqueles cuja fama está no auge, como a estrela do hip-hop Missy Elliott, estar presente no livro não se trata apenas de mais uma peça publicitária. Ela entrou no livro no ano passado. "Eu estou mais do que feliz por estar em companhia de Oprah e Hillary Clinton", disse ela na quinta-feira, em uma entrevista por telefone. "Olhar para tais realizações faz a minha parecer muito pequena. Faz você se sentar."

Elliott acrescentou: "Os repórteres sempre me perguntam quais são os pontos altos da minha carreira. Este definitivamente seria um". A publicação do guia "Who's Who in America" acende a discussão sobre quem realmente é uma celebridade George El Khouri Andolfato

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