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15/11/2005

Pântanos poderiam ter salvado Nova Orleans?

The New York Times
Cornelia Dean

Em Nova Orleans
Na Louisiana, é praticamente um dogma a afirmação de que, caso não se tivesse permitido que os pântanos do Estado se deteriorassem com o passar dos anos, Nova Orleans e outras áreas inundadas teriam sido poupadas da devastação causada pelo furacão Katrina.

Muita gente cita uma regra popular aproximada, segunda a qual cada milha (1,61 quilômetro) de pântano reduziria em um pé (30,48 centímetros) a altura de uma inundação causada pelos furacões. "Os pântanos são a nossa primeira linha defensiva", dizem os habitantes locais.

Lori Waselchuk/The New York Times 
Poucos árvores restam do pântano de Golden Meadow na Louisiana, devastada pelo Katrina

Mas nem todos os cientistas especializados em áreas costeiras concordam.

Eles dizem que no caso de um furacão fraco, uma tempestade tropical, ou até mesmo de ventos e chuvas que podem acompanhar as frentes frias de inverno, os pântanos preservados podem absorver a água que, de outra maneira, provocaria enchentes.

Mas será que os pântanos saudáveis teriam salvado Nova Orleans da devastação provocada pelo Katrina?

"Sem chance", afirma Joseph Kelley, cientista da Universidade de Maine especializado em regiões costeiras, e membro de um comitê de especialistas formado pela Academia Nacional de Ciências para estudar os planos da Louisiana para a recuperação dos pântanos.

Em primeiro lugar, a enchente que causou a maior parte dos danos em Nova Orleans não penetrou na cidade a partir dos pântanos, mas sim do Lago Pontchartrain e, possivelmente, do Mississipi Gulf Outlet, um infame canal que vai do rio Mississipi, no sudeste de Nova Orleans, até o Golfo do México.

Se a tempestade vier do sul, ela provavelmente superará qualquer efeito amortecedor proporcionado pelos pântanos. "A regra prática vigente na região parece ser excessivamente precisa", adverte Kelley.

Ele diz que as pessoas interessadas na recuperação dos pântanos sentem-se tentadas a usar o argumento da proteção contra as tempestades por um motivo simples: "Elas precisam justificar o gasto de dinheiro com esse projeto ecológico".

"Mas avaliar o papel desempenhado pelos pântanos na contenção dos efeitos das tempestades é uma tarefa muito complicada. Além disso tal avaliação parece ser algo de subjetiva", acrescenta Kelley. Cientistas norte-americanos questionam a sua função protetora Danilo Fonseca

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