UOL Notícias Internacional
 

17/11/2005

Preços ao consumidor caem em outubro nos EUA

The New York Times
Vikas Bajaj

Em Nova York
Nos Estados Unidos, a taxa de inflação dos preços ao consumidor teve uma queda significativa em outubro, alcançando o seu nível mais baixo desde junho. Uma das razões para esta queda são os preços da gasolina, que decaíram após terem sofrido o seu aumento mais importante em setembro, segundo informou o governo federal nesta quarta-feira (16/11).

Mas os preços menores na bomba, que recuaram mais ainda em novembro, podem não ser suficientes para debelar a inflação nos próximos meses, uma vez que os gastos com aquecimento dos domicílios começam a subir à medida que o inverno se aproxima, enquanto as empresas já começaram a repassar seus aumentos de custos para o consumidor, afirmaram alguns economistas.

O índice de preços ao consumidor sofreu um pequeno aumento de 0,2% no mês passado, após ter dado um salto de 1,2% em setembro, enquanto a aumento havia sido de 0,5% em agosto, informou o Departamento do Trabalho. O índice básico, que exclui os alimentos e a energia, também teve uma alta de 0,2% no mês, contra um aumento de 0,1% no mês passado.

Se comparados com os índices registrados em outubro de 2004, os preços ao consumidor aumentaram de 4,3%, enquanto o índice básico está hoje mais alto em 2,1%.

Os preços da energia caíram em 0,2% em outubro, após terem aumentado em 12% em setembro e em 5% em agosto. Os preços da gasolina caíram em 5,1% no mês, mas o gás natural e a eletricidade tiveram um aumento de 5,6%.

As empresas estão começando a repassar os seus aumentos de custos com energia para os consumidores. Os custos com habitação subiram de 0,9% no mês passado, sendo puxados em grande parte pelo salto de 3,5% das diárias dos quartos de hotéis. Os preços das passagens aéreas subiram de 1,5%, após dois meses inteiros de queda. Os custos com atendimento médico aumentaram em 0,5%, enquanto os preços dos alimentos subiram de 0,3% em outubro.

Por exemplo, a Poland Spring, uma companhia de propriedade da Nestlé que produz água engarrafada, anunciou aos seus clientes no mês passado que ela passaria a cobrar um adicional de US$ 2 sobre o preço de entrega da água para domicílios e escritórios, a partir do próximo mês. A companhia acrescentou que ela suprimiria este aumento caso os preços do petróleo bruto caíssem abaixo de US$ 50 o barril, ou seja, um nível que não é verificado desde maio.

"Esses preços elevadíssimos da energia estão começando a se disseminar no resto da economia", explicou Nariman Behravesh, um economista-chefe da Global Insight, uma firma de pesquisas. "Finalmente, as companhias aéreas já se decidiram a aumentar os preços das passagens, enquanto os hotéis já estão cobrando diárias maiores, e por aí vai".

As companhias que se mostravam relutantes a repassar os seus custos maiores com energia poderão chegar rapidamente à conclusão de que os consumidores têm condições de pagar mais caro, considerando as condições globalmente positivas da economia.

Estes desdobramentos deverão incentivar o Federal Reserve (o Fed, banco central dos EUA) a aumentar novamente as taxas de juros por ocasião das suas próximas reuniões, disseram os economistas. O comitê de mercado aberto do Fed já elevou a sua taxa de juros básica de curto prazo 12 vezes seguidas, numa alta que acabou se fixando em 4%.

Os economistas prevêem que o Fed irá elevar suas taxas de juros de curto prazo para um percentual situado entre 4,5% e 5%. Além disso, a agência poderia ir mais longe ainda caso a inflação básica aumentar de maneira significativa, num ritmo mais elevado do que 2% ao ano, prevê Rajeev Dhawan, o diretor do centro de previsões econômicas da Universidade de Estado da Geórgia.

Por enquanto, acrescentou Dhawan, a inflação precisa ser vigiada, mas "ela não parece representar um problema tão grave assim".

Alguns analistas acreditam que os aumentos das taxas de juros pelo Fed e futuros descontos a serem provavelmente oferecidos por montadoras de automóveis e companhias de distribuição do setor alimentício tais como o Wal-Mart deverão manter a inflação em xeque no decorrer dos próximos meses.

"Se vocês gostaram do mês de outubro, então vocês simplesmente irão adorar novembro", disse Ken Mayland, o presidente da ClearView Economics, uma firma de pesquisas baseada em Ohio, "porque já é possível prever que certas companhias irão oferecer importantes descontos promocionais naqueles itens básicos tais como carros novos. A GM já andou anunciou um programa visando a incentivar as suas vendas".

Um relatório do Departamento do Trabalho informou que os salários dos trabalhadores da produção e dos assalariados abaixo do nível de supervisão subiram de 0,5% em outubro, ou de 0,4% após cálculo ponderado em função da inflação. Foi apenas o terceiro mês neste ano em que os salários reais tiveram um aumento. Contudo, se comparados com os níveis de outubro de 2004, eles ainda estão em queda de 1,6%.

Por sua vez, o Departamento do Comércio informou nesta quarta-feira que o número de vendas efetivadas aumentou de 0,5% em setembro, no momento em que as revendas de carros e as empresas varejistas reabasteceram seus estoques e depósitos. Apesar disso, inflação preocupa e são previstas novos altas dos juros Jean-Yves de Neufville

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