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22/11/2005

GM fechará fábricas e demitirá 30 mil funcionários

The New York Times
Micheline Maynard*

Em Detroit, Michigan
A General Motors, a maior fabricante de automóveis do mundo, anunciou nesta segunda-feira (21/11) detalhes de um projeto a sem implementado nos próximos três anos para recuperar a sua vitalidade, incluindo a demissão de mais 5.000 funcionários, além dos 25 mil que já tinham sido anunciados. Mas os analistas questionaram imediatamente se o plano seria suficiente, alegando que ele não conta com a velocidade e a amplitude que ajudaram empresas rivais a se recuperar de crises semelhantes.

Enquanto a GM anunciava o plano, os analistas diziam que este é apenas o primeiro passo de uma estrada longa e sinuosa para uma companhia que já dominou a indústria automobilística, mas cujas perspectivas se tornaram sombrias. Na semana passada, Rick Wagoner, o problemático diretor-executivo da GM, teve que enviar uma mensagem por e-mail a cerca de 325 mil funcionários, para acabar com os rumores de que a companhia em breve entraria em falência.

E a GM não está sozinha. A Ford Motor Company, que há apenas alguns anos estabeleceu como meta alcançar a GM em número de vendas nos Estados Unidos, anunciou na semana passada que também demitiria funcionários, como parte de preparativos para o seu segundo plano de reestruturação em quatro anos.

Mesmo com as demissões na GM e o fechamento total ou parcial de uma dúzia de fábricas nos próximos três anos, a empresa ainda contará com a capacidade de construir mais carros e caminhões do que está vendendo no extremamente competitivo mercado norte-americano.

Os analistas dizem que tal ineficiência, conjugada a uma liderança hesitante, projetos medíocres de novos automóveis, problemas de gerenciamento e planos de pensão e de saúde caros são fatores que estão fazendo com que a GM perca competitividade para a Toyota e outras concorrentes estrangeiras.

Ao todo, as companhias de Detroit e seus fornecedores anunciaram planos para demitir 98 mil trabalhadores, segundo uma estimativa da Challenger, Gray and Christmas, uma empresa de recrutamento de executivos.

O total de demissões poderá facilmente chegar a 100 mil até o final do ano --o que representará a maior onda de cortes de empregos desde que a Ford deu início ao seu plano inicial de reestruturação, em 2002.

Apesar de o plano prever demissões distribuídas pelo país, acredita-se que a medida enfraquecerá ainda mais a economia de Michigan, Estado no qual a taxa de desemprego em outubro chegou a 6,4%. O índice nacional de desemprego naquele mês foi de 5,1%.

E a crise ocorre no momento em que as rivais estrangeiras estão atraindo os fregueses da GM e da Ford com melhores projetos automobilísticos e avançando sobre a fatia de mercado dessas duas empresas. A maior rival estrangeira, a Toyota, está construindo mais duas fábricas nos Estados Unidos e no Canadá, e analisa onde construirá uma terceira unidade na América do Norte.

O plano de reestruturação da GM não empolgou Wall Street, onde as ações da companhia caíram, após experimentarem uma ligeira alta. Os analistas acreditam que isso se deveu ao fato de a companhia já ter indicado que demitiria funcionários.

Enquanto isso, nos últimos anos, dois executivos rivais da indústria automobilísticas --Carlos Ghosn, da Nissan, e Dieter Zetsche, da DaimlerChrysler-- apresentaram novos modelos, reduziram drasticamente os gastos e, no decorrer deste processo, se transformaram em astros do setor. Ambos adquiriram mais poder: Ghosn está administrando a Nissan e a sua parceira francesa, a Renault, enquanto Zetsche está prestes a se tornar o diretor-executivo da DaimlerChrysler.

Mas o persistente diretor-executivo da GM, Rick Wagoner, mostra-se cauteloso com relação aos detalhes. Ele se recusou a dizer quando a companhia espera voltar a ter lucro, afirmando que acredita que o plano ajudará a reverter as perdas de mais de US$ 2 bilhões que a GM amargou neste ano. Ele também não quis dizer qual a economia que se atingirá com o plano.

Ao todo, a reestruturação, incluindo cortes anteriores em benefícios de seguro-saúde, reduziriam os custos da companhia em um total de US$ 7 bilhões até o final de 2006, o que representa US$ 1 bilhão a mais do que a meta anterior. Isso é cerca de um sexto dos gastos corporativos anuais da GM, que estão na casa dos US$ 42 bilhões.

"As decisões que estamos anunciando hoje foram muito difíceis de serem tomadas devido ao impacto que terão sobre os nossos empregados e sobre as comunidades nas quais moramos e trabalhamos", disse Wagoner aos funcionários em uma mensagem televisiva. "Mas essas medidas são necessárias para que a GM faça com que os seus custos se equiparem aos dos nossos principais concorrentes globais".

John Casesa, analista da Merrill Lynch, não se mostrou impressionado, afirmando que o plano é "vago", contendo pouca coisa que os investidores já não conhecessem, a não ser a localização das fábricas que serão fechadas e uma estimativa um pouco maior da economia com gastos.

"O programa é apenas o início de um longo processo de reestruturação", escreveu Casesa na noite de segunda-feira em um relatório de pesquisa. A GM já está há muito tempo familiarizada com planos de reestruturação, particularmente tendo em vista os contratos sindicais que a impediram de promover mais demissões. Em 1992, Wagoner, à época um jovem executivo em ascensão, ajudou a companhia a implementar um plano muito mais abrangente, que envolveu 75 mil demissões e o fechamento de 21 fábricas.

Beneficiada pela popularidade dos novos veículos esportivos utilitários e das caminhonetes, que naquele período eram os bens sobre rodas mais cobiçados, a GM conseguiu grandes lucros pelo resto da década de 1990.

A GM lançará mais caminhonetes e veículos esportivos utilitários no início do ano que vem, como uma das principais estratégias do seu esforço pela recuperação. Mas esses veículos perderam o fascínio que poderiam exercer sobre o consumidor na década passada, devido aos altos preços atingidos pela gasolina neste outono.

Em tal conjuntura, Wagoner, 52, não é mais alvo das atenções como ocorreu cinco anos atrás, quando foi nomeado diretor-executivo da GM para o novo milênio, com a proposta de investir em novas tecnologias como forma de gerar lucros para a companhia.

Na segunda-feira, os repórteres lhe perguntaram se ele pretendia deixar o cargo, uma possibilidade que surgiu nas últimas semanas, à medida que as preocupações com uma possível falência da GM afligiam os investidores.

Wagoner respondeu que não pretende abandonar o posto --embora tenha admitido que está frustrado com o clima melancólico que cerca a companhia. "Mas, isso faz parte do jogo", afirmou.

*Colaborou Vikas Bajaj de Nova York. Maior montadora do mundo tem prejuízos e sofre com concorrentes Danilo Fonseca

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