UOL Notícias Internacional
 

23/11/2005

Terceiro mandato do presidente George W. Bush

The New York Times
Thomas L. Friedman

Em Nova York
NYT Image

Colunista Thomas Friedman
O presidente George W. Bush entrou em seu terceiro mandato. Isso mesmo. Ele é um presidente de três mandatos. O primeiro estendeu-se de 2001 a 2004 e foi dominado por 11 de setembro, que Bush habilmente usou para pegar um programa de direita radical republicana para impostos e guerra no Iraque, que não estava chegando a lugar nenhum no dia 10 de setembro, e usá-lo no mundo de 12 de setembro.

Seu segundo mandato foi muito breve. Durou de sua reeleição, em novembro de 2004, até o dia das eleições de 2005 --um mandato totalmente desperdiçado; foi dominado por uma tentativa de privatizar a Previdência Social, que o país rejeitou, escândalos políticos envolvendo I.Lewis Libby Jr., Tom DeLay e Bill Frist, uma resposta atrapalhada ao furacão Katrina e erros na condução da guerra no Iraque de tal grau que muitos democratas e republicanos começaram perder a confiança no desempenho de Bush-Cheney.

Se nosso sistema fosse parlamentar, Bush teria que renunciar neste momento.

Então agora começa seu terceiro mandato. O que ele vai fazer? A última vez que atingiu o fundo do poço --por beber demais-- ele encontrou Deus e deu uma volta em sua vida. Agora que ele atingiu o fundo do poço novamente --desta vez por beber Karl Rove demais-- a questão é se pode encontrar os EUA e dar uma volta em sua presidência.

Quando vejo Bush hoje em dia, porém, ele parece desejar que houvesse uma 28ª cláusula na Constituição --chamada "Posso ir Embora Agora?" Ele passa a impressão de que preferiria fazer as malas e voltar para seu rancho no Texas. Não é só que ele não parece estar se divertindo; é que ele parece estar totalmente sem idéias relevantes para o futuro desta nação.

Na falta de tal cláusula, Bush tem duas escolhas. Uma é continuar governando como se ainda estivesse concorrendo contra John McCain, na Carolina do Sul. Isso significa promover uma estratégia da extrema direita baseada na divisão do país para ter os 50,1% de que precisa para aprovar mais cortes de impostos, enquanto ignora nossos verdadeiros problemas: o déficit, a saúde, a energia, mudanças climáticas e o Iraque. Mais políticas desse tipo, de cortar e torrar, seriam um desastre.

Ainda é possível um resultado decente no Iraque e estamos no momento político mais importante de Bagdá --a primeira eleição nacional baseada em uma constituição escrita pelos iraquianos. Nesse cenário, foi chocante ver Bush e Dick Cheney usando seus púlpitos para agir como dois cães de Rove, acusando democratas de serem pouco patrióticos no Iraque.

Acusar qualquer pessoa de falta de seriedade no Iraque é repugnante para dois homens que travaram essa guerra de forma barata --que sempre colocaram a política antes do governo, que entraram sem nenhum plano para o dia seguinte e que nunca responsabilizaram nenhum subordinado por seus erros, afinal Donald Rumsfeld deveria ter sido demitido há muito tempo.

Sim, precisamos manter o curso por enquanto no Iraque, mas não podemos ficar sozinhos ou divididos. Esse é o ponto. Estamos prestes a produzir o governo mais legítimo do mundo árabe. E a equipe Bush-Cheney faz o quê?

Em vez de admitir seus erros no caso das armas de destruição em massa, pedir perdão e exortar o país a se unir por trás do importante esforço de derrotar a loucura jihadista no Iraque, começa a jogar lama nos democratas. Certo, alguns democratas fizeram observações irresponsáveis --mas eles não estão no poder. Onde estão os adultos? Não podemos perder tempo enquanto ignoramos nossa crise energética, o déficit, a saúde, a mudança climática e a Previdência Social.

"Estamos entrando na era das escolhas difíceis para os EUA --uma era na qual não poderemos contar sempre com cheques de três países asiáticos para compensar nossa incapacidade de nos prepararmos para um furacão ou de conduzir uma guerra corretamente", disse David Rothkopf, autor de "Running the World: The Inside Story of the National Security Council and the Architects of American Power" (Dirigindo o mundo: os bastidores do Conselho de Segurança Nacional e os arquitetos do poder americano).

"Se o presidente Bush não enfrentar esse desafio, nossos filhos e netos vão olhar para o peso que colocamos sobre seus ombros e ver este momento como o divisor entre o Século Americano e o Século Chinês. George W. Bush pode muito bem ser considerado o presidente que, recusando-se a lidar com essas questões urgentes quando necessário, convidou o declínio americano."

Verdadeiramente, espero que Bush enfrente o desafio. Não temos três anos para desperdiçar. Para isso, porém, ele precisa ser um presidente muito diferente em seu terceiro mandato, com um programa e estilo muito mais ao centro. Se fizer isso, ainda terá tempo para ser uma ponte para o futuro. Se não, os recursos que terá desperdiçado e o tamanho dos problemas que terá ignorado levá-lo-ão a disputar o título de um dos piores presidentes de todos os tempos. Se os EUA fossem parlamentaristas, a gestão de Bush já teria caído Deborah Weinberg

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