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26/11/2005

Disputas e alianças minam Partido Conservador

The New York Times
Raymond Hernandez

Em Nova York
Talvez nenhum partido pequeno tenha moldado a política moderna em Nova York tão profundamente quanto o Partido Conservador, ao enviar um candidato pouco conhecido, James L. Buckley, para o Senado federal em 1970 e ajudar a orquestrar a derrota de um astro democrata, o governador Mario M. Cuomo, uma geração depois [1994].

Mas agora, com a constante erosão de sua base de poder ao longo da última década, o partido enfrenta a perspectiva sombria de seguir o caminho dos Brooklyn Dodgers, do jornal "The New York Herald Tribune" e da ficha do metrô.

Em uma das tramas mais intrigantes da temporada política de 2006, o Partido Conservador está correndo o risco de perder seu espaço na cédula estadual do próximo ano, disseram analistas políticos, e alguns republicanos estão questionando o valor de sua antiga aliança com os Conservadores em um momento em que as tensões entre os dois partidos estão altas.

Segundo a lei estadual, o candidato de um partido ao governo deve obter pelo menos 50 mil votos para assegurar que o partido tenha lugar na cédula pelos próximos quatro anos. Mas analistas políticos disseram não saber se o Partido Conservador será capaz de obter isto, dada sua filiação decrescente, desencanto em suas fileiras e disputas internas entre alguns de seus líderes.

Na eleição de 2002 para governador, por exemplo, o Partido Conservador teve um desempenho notavelmente fraco, obtendo 176.848 votos, cerca de um quinto dos 827.614 votos que conquistou em 1990, segundo os resultados compilados pela Junta Eleitoral Estadual.

"Os líderes do partido precisam se preocupar bastante com a sobrevivência", disse Lee M. Miringoff, diretor do Instituto para Opinião Pública da Faculdade Marista.

Mesmo se o Partido Conservador conseguir obter os 50 mil votos necessários para permanecer na cédula, ele enfrenta a forte possibilidade de despencar para uma posição mais baixa na cédula e atrair um número relativamente menor de votos nas eleições de 2006, porque as posições na cédula são determinadas pela totalização de votos de um partido na disputa pelo governo.

Em 1998, por exemplo, o Partido Conservador perdeu o terceiro lugar na cédula, a Linha C, para o novo Partido Independente e não conseguiu recuperar tal posição almejada desde então. A terceira linha na cédula é a posição mais alta para um partido independente, atrás apenas dos republicanos e democratas, e consequentemente mais fácil para os eleitores notarem do que nas linhas mais abaixo.

"Eu tenho sérias preocupações com a longevidade e futuro do Partido Conservador", disse Richard Stack, o presidente do diretório do Partido Conservador de Albany County. "O partido poderá terminar na Linha F. E sabe o que F significa? Falecido."

Michael R. Long, o presidente do Partido Conservador, reconheceu a necessidade de mobilizar as fileiras de Conservadores, apesar de ter dito não considerar a situação tão sombria quanto alguns descrevem. "Há muito em jogo", disse ele. "Mas não necessariamente temo fecharmos as portas."

A situação tem implicações que vão além do destino do Partido Conservador. Em um esforço aparente para mobilizar a base do partido, importantes Conservadores do Estado estão criticando fortemente os líderes do Partido Republicano, enquanto os republicanos tentam elaborar uma chapa de candidatos politicamente moderados para concorrer no próximo ano na altamente democrata Nova York.

Em particular, os líderes republicanos estão lutando por Jeanine F. Pirro, a promotora pública de Westchester County, para disputar a cadeira no Senado, e William F. Weld, o ex-governador de Massachusetts, para concorrer ao governo.

Mas o apoio deles aos direitos de aborto e direitos dos gays alienou alguns líderes Conservadores, que indicaram que poderão concorrer com seus próprios candidatos ao governo e ao Senado se os republicanos não escolherem candidatos com um inclinação ideológica mais à direita.

Long disse que está bem mais interessado em fazer uma declaração ideológica que tenha repercussão dentro de seu partido do que simplesmente vencer. "Nós não estamos nisto apenas para vencer eleições independente de quem seja o candidato", disse ele. "Nós queremos vencer eleições com candidatos conservadores de pensamento semelhante."

Se os Conservadores romperem com os republicanos em 2006, as implicações poderão ser significativas, disseram analistas políticos.

Os partidos menores podem com freqüência fornecer margens de vitória para os candidatos dos partidos grandes quando as disputas são apertadas. Este foi o caso na eleição para o governo em 1994, quando o Partido Conservador fez a diferença na vitória de George E. Pataki sobre Cuomo.

O rabo tentando abanar o cachorro

Os republicanos estão ultrajados com as críticas feitas pelos líderes Conservadores, incluindo Long.

Muitos republicanos dizem que a tentativa do Partido Conservador de influenciar, quando não ditar, a chapa política do Partido Republicano em 2006 é um caso clássico de rabo tentando abanar o cachorro.

Um alto membro do Partido Republicano, que insistiu no anonimato porque não quer inflamar a tensão entre os dois partidos, disse que a força política do Partido Conservador diminuiu tanto que os candidatos republicanos se sairiam melhor com uma aliança com o Partido Independente.

Vários republicanos até mesmo afirmaram que os líderes do Partido Conservador prejudicarão a si mesmos ao concorrerem com candidato próprio ao governo, correndo assim o risco de não obterem os 50 mil votos necessários para manter a posição do partido na cédula.

Mas os Conservadores notam que há evidência de que seu partido tem mais capacidade de animar seus eleitores se escolher seu próprio candidato. Em 1990, por exemplo, Herbert London, ao concorrer ao governo pelo Partido Conservador, teve quase tantos votos quanto o candidato republicano, Pierre Rinfret. Cuomo, na época o governador, foi reeleito naquele ano.

De certa forma, o Partido Conservador tem sido vítima de seu próprio sucesso desde 1994, quando entrou em uma aliança chave com os republicanos de Nova York no apoio a Pataki.

Mas a coalizão Republicana-Conservadora acabou se tornando uma fonte de desânimo entre os Conservadores. Apesar de o Partido Conservador ter endossado Pataki em suas duas reeleições subseqüentes, em 1998 e 2002, o governador se deslocou ideologicamente para a esquerda, adotando posições democratas para continuar politicamente viável em um Estado cada vez mais democrata.

Hoje, muitos Conservadores apontam os anos de apoio que os líderes do partido deram a Pataki como um dos principais motivos para o descontentamento nas fileiras do partido.

O partido também tem perdido filiação nos últimos anos, com 155 mil membros registrados neste mês, em comparação a 173.905 em novembro de 2000, segundo a Junta Eleitoral.

James Brewster, o vice-presidente do Partido Conservador, disse que um motivo para o fraco desempenho do partido em 2002 foi que o candidato era o próprio Pataki, que se deslocou politicamente para o centro em suas últimas disputas pelo governo.

Alguns nos círculos Conservadores acreditam que o partido deve se manter aberto a candidatos republicanos moderados que podem divergir dos Conservadores em algumas questões, mas que sejam viáveis como candidatos em um Estado altamente democrata.

Referindo-se aos líderes do partido, Stack, o presidente Conservador de Albany, disse: "A recusa deles em ceder está os levando a escolherem candidatos que são inviáveis". Apoio aos republicanos é apontado como razão de perdas eleitorais George El Khouri Andolfato

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