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26/11/2005

Palestinos assumem o controle de divisa de Gaza

The New York Times
Greg Myre

Na Cidade de Gaza
Mahmoud Abbas, presidente palestino, reabriu formalmente a fronteira da Faixa de Gaza com o Egito na sexta-feira (25/11), dando pela primeira vez aos palestinos o controle sobre uma de suas fronteiras.

"Acho que agora todo palestino tem seu passaporte pronto no bolso. Que venham e passem por aqui quando quiserem", disse Abbas para mais de 1.000 convidados reunidos sob uma tenda. Ele então cortou uma fita dentro do terminal reformado, nesta cidade fronteiriça depauperada.

Os palestinos consideram a tomada de controle sobre a passagem de Rafah um passo importante em termos práticos e simbólicos em sua busca por um Estado.

Agora, os palestinos de Gaza podem entrar e sair do Egito e do mundo sem passar pela segurança israelense. Ao mesmo tempo, a Autoridade Palestina assumirá a responsabilidade de administrar a fronteira delicada, com a supervisão de monitores da União Européia.

A reabertura da passagem de Rafah também resolve uma questão importante que ficou pendente quando Israel saiu de Gaza. A retirada israelense terminou há mais de dois meses. Os dois lados, porém, não conseguiram concordar sobre como 1,4 milhão de palestinos iam entrar e sair de Gaza, um território costeiro minúsculo e empobrecido.

Depois de semanas de negociações infrutíferas, a secretária de Estado Condoleezza Rice intermediou um acordo para Rafah e outras passagens para Gaza durante uma visita a Jerusalém, na semana passada.

Muitos moradores de Gaza vêem Rafah como a porta mais importante do território, porque é a que não leva a Israel. Israel controlou todas as fronteiras de Gaza desde que capturou o território, na guerra árabe-israelense de 1967. Para os palestinos, ficou particularmente difícil cruzar as fronteiras de Gaza desde que iniciaram um levante, há cinco anos.

Atiradores palestinos lutaram freqüentemente contra soldados israelenses ao longo da fronteira. Tratores israelenses destruíram centenas de casas no limite sul de Rafah, alegando que estavam sendo usadas para cobertura. Freqüentemente, a passagem pela fronteira era interrompida, e palestinos contrabandeavam armas por túneis subterrâneos.

A princípio, a passagem ia ser aberta aos viajantes na sexta-feira, mas isso foi adiado um dia, aparentemente para acomodar a cerimônia. Entretanto, nem todos moradores foram avisados.

Dezenas de pessoas ansiosas por viajar, muitas sentadas em suas malas, esperaram em vão diante do terminal na sexta-feira. Entre elas, estava Attallah Abu Assim, 65, junto com 15 membros da família que tentavam ir para o Egito visitar parentes. Nos últimos cinco anos, Assi e sua família tentaram cerca de 30 vezes passar por Rafah, mas foram barrados em todas elas, disse ele.

Os israelenses não explicaram o motivo, mas Assi suspeita que tenha sido
porque outros parentes foram presos por Israel. "Mesmo se esperarmos até amanhã, este ainda será um dia de alegria, depois de todos os obstáculos que enfrentamos nos últimos cinco anos", disse ele. Moradores de Gaza costumam visitar o Egito para passar férias, estudar ou receber tratamento médico, e há muito que os laços são próximos.

A fronteira de fato divide a cidade de Rafah ao meio, e famílias são partidas. Os egípcios, que controlaram Gaza de 1948 até a guerra de 1967, estão exigindo que homens palestinos entre 18 e 40 anos obtenham visto antes de entrar no Egito, disseram autoridades palestinas.

O Egito deve ter preocupações de segurança e econômicas: muitos jovens em Gaza estão desempregados, e alguns têm laços com grupos militantes. Muitos dias antes de seus soldados terminarem a retirada de Gaza, no dia 12 de setembro, Israel fechou a passagem de Rafah. Na semana seguinte, o caos instalou-se. Moradores dos dois lados da fronteira atravessaram-na
livremente, até que forças de segurança egípcias e palestinas restaurassem a ordem.

Desde então, a fronteira em Rafah foi aberta apenas ocasionalmente. A partir de sábado, poderá ser atravessada durante quatro horas por dia, e os palestinos esperam estender o horário para 24 horas por dia em breve. A União Européia está fornecendo 70 monitores para ajudar a fiscalizar o cruzamento.

Além disso, câmeras no terminal vão enviar imagens a um centro de controle a poucos quilômetros de distância, onde convergem as fronteiras de Gaza, Egito e Israel. Israel terá acesso às imagens de vídeo e poderá levantar objeções se identificar alguma pessoa que não queira que entre em Gaza. Os dois lados devem discutir esses casos, mas os palestinos terão a última palavra, segundo o acordo fechado com Rice. A partir de 15 de dezembro, linhas de ônibus poderão começar a transportar palestinos entre Gaza e Cisjordânia.

Abdul Rahman Al Burae, 73, e sua mulher, Habda, que moram no centro de Gaza, estão contando os dias. Sua filha Safaa Al Burae estava estudando na Universidade de Bir Zeit, na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, quando começou o levante, e viajar entre os dois territórios tornou-se extremamente difícil, quase impossível.

Safaa graduou-se, mas o casal não pôde participar da cerimônia. Ela se casou, mas eles não puderam ir. Dois anos atrás, o casal encontrou-se com a filha nos Emirados Árabes Unidos, mas apenas por um dia, porque ela só conseguira um visto de trânsito dos Emirados.

Em janeiro, Safaa teve um filho, que os avós ainda não conhecem. "Tanta coisa aconteceu", disse Babda Burae. "Nossa filha formou-se, casou-se e teve um filho e só soubemos disso por telefone." Israel transfere aosalestinos a administração da fronteira com Egito Deborah Weinberg

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