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29/11/2005

Republicano admite receber propina e renuncia

The New York Times
Maria Newman

Em Nova York
O deputado Randy Cunningham, da Califórnia, renunciou ao seu mandato, nesta segunda-feira (28/11), no Congresso, após ter admitido perante um juiz federal que ele havia recebido US$ 2,4 milhões (R$ 4,46 milhões) em propinas de um fornecedor das forças armadas.

Randy Cunningham, 63, proferiu uma breve declaração, sem conseguir conter as lágrimas, diante de um grupo de jornalistas, ao sair do tribunal federal de San Diego após ter se confessado culpado de conspiração para receber subornos.

Ele admitiu ter recebido quantias elevadas de um fornecedor das forças armadas. Em troca, ele se comprometia a dar o seu apoio e a fazer lobby para favorecer as tentativas do fornecedor visando a garantir a obtenção de contratos com o Departamento de Defesa.

Este congressista republicano, que cumpria seu oitavo mandato, um dos pilotos de caças da guerra do Vietnã que mais receberam condecorações, também admitiu sua culpabilidade em relação às acusações de falsificação de correspondência e de mensagens por e-mail, assim como de sonegação fiscal, por ter omitido várias informações na sua declaração de renda em 2004.

"A verdade é que eu infringi a lei," declarou Cunningham, e que eu "causei uma grande desgraça para a minha família".

"Eu perdi o meu direito à liberdade, minha reputação, minhas propriedades no mundo inteiro" disse. E o deputado acrescentou, falando com dificuldades: "Mais importante ainda, perdi a confiança dos meus amigos e dos meus familiares".

"Eu não posso desfazer o que fiz, mas eu posso expiar meus erros", concluiu, despedindo-se dos repórteres.

A data da sentença foi agendada para 27 de fevereiro de 2006. Em função das acusações de que ele é objeto, Cunningham pode ser condenado a uma pena máxima de 10 anos de prisão e a uma multa de seis dígitos.

Os promotores públicos informaram que Randy Cunningham havia admitido ter aceitado pelo menos US$ 2,4 milhões em subornos, que lhe foram pagos por diversos conspiradores por meio dos mais diversos métodos, inclusive por meio de cheques totalizando mais de US$ 1 milhão, além de dinheiro vivo, de tapetes valiosos, antiguidades, equipamentos, de mensalidades de um clube de regatas e de férias.

"Ele fez a pior coisa que uma personalidade eleita possa fazer - ele enriqueceu valendo-se da sua posição e conspurcou a confiança daqueles que o elegeram", afirmou a procuradora-geral dos Estados Unidos para o Distrito Sul da Califórnia, Carol C. Lam, numa declaração que foi citada pela agência de notícias The Associated Press.

Randy Cunningham havia anunciado em julho que ele não pleitearia um novo mandato nas eleições do ano que vem. A sua renúncia de hoje resultará na realização de uma eleição especial visando a substituí-lo.

Caso Cunningham não tivesse renunciado ao seu assento no Congresso, o regulamento desta instituição estipula que os outros membros da casa, depois de ele ter sido reconhecido culpado de um crime, deveriam demiti-lo do seu cargo de presidente do sub-comitê de Inteligência do Congresso para assuntos de terrorismo e de inteligência humana, e impedi-lo de votar ou de participar de quaisquer atividades deste comitê.

O fato de a queda de Randy Cunningham ter ocorrido em conseqüência de um escândalo envolvendo um fornecedor das forças armadas, contrasta com a sua ascensão a uma posição política de destaque, que havia sido motivada em parte pela a sua prestigiosa folha de serviços prestados como militar.

Quando era piloto da Marinha, mais de 30 anos atrás, Cunningham foi ferido em ação e recebeu a segunda condecoração mais importante da nação por mérito, a Navy Cross (Cruz da Marinha), após ter abatido três aviões de caça norte-vietnamitas num só dia.

Randy Cunningham tornou-se alvo de um inquérito no verão passado por causa de um contrato imobiliário suspeito envolvendo Mitchell J. Wade, um dos fundadores da MZM Inc., uma empresa fornecedora das forças armadas com sede em Washington.

Wade comprara a casa que Cunningham possuía na região de San Diego (Califórnia) em 2003, por um preço que, segundo os promotores públicos explicaram, havia sido superfaturado, totalizando a soma de US$ 1.675.000 (R$ 3.700.745). No ano seguinte, Mitchell Wade a vendeu com uma perda de US$ 700.000, embora a venda de outras casas em San Diego, um região onde o mercado imobiliário é muito dinâmico, costumasse proporcionar grandes lucros.

Segundo informaram as autoridades, o congressista e a sua mulher utilizaram então esse montante superfaturado para comprar uma mansão em Rancho Santa Fe, uma comunidade rica ao norte de San Diego.

Randy Cunningham, que era também conhecido pelo apelido de Duke, também morava em Washington num iate, rebatizado com o nome de "Duke-Stir" (algo como "Rebuliço-Duke"), cujo proprietário, segundo os termos da acusação, era Mitchell Wade.

Nos últimos anos, a firma dirigida por Wade também havia fechado, em nível federal, um maior número de negócios vinculados às forças armadas, durante o período no qual Randy Cunningham estava no sub-comitê, supervisionando as despesas militares.

A renúncia de Cunningham representa mais um caso grave a atingir os republicanos, que já têm nas suas fileiras outros deputados que vêm sendo alvos de investigações. Assim, o representante Tom DeLay, do Texas, foi obrigado a desistir do seu cargo de líder da maioria após ter sido indiciado num caso de finanças de campanha fraudulentas. Os investigadores estão apurando também uma venda suspeita de ações por parte do líder da maioria no Senado, Bill Frist, do Tennessee. Além dele, I. Lewis Libby, o antigo chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney, foi indiciado no caso do vazamento da identidade de dois espiões da C.I.A.

Os democratas foram rápidos a reagir duramente a este que desponta como um novo problema gravíssimo para os republicanos. Em Washington, a líder do partido democrata no Congresso, Nancy Pelosi, declarou que o fato de Cunningham ter admitido sua culpabilidade mostra que os republicanos definiram "as prioridades erradas".

"Esta falcatrua é apenas mais um exemplo da cultura de corrupção que tomou conta do Congresso liderado pelos republicanos, os quais ignoram as necessidades do povo americano, preferindo se dedicar a servir os interesses particulares de pessoas ricas e dos seus cúmplices", afirmou a deputada num discurso. "A maioria republicana do Congresso definiu prioridades equivocadas. Está na hora de restaurar os padrões éticos elevados desta casa". Subornado por fornecedora do Pentágono, o deputado Cunningham era presidente do sub-comitê de Inteligência no Congresso Jean-Yves de Neufville

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