UOL Notícias Internacional
 

30/11/2005

Partido ataca o republicano que admitiu propinas

The New York Times
John M. Broder e Carl Hulse

Em Los Angeles
O presidente Bush e outros líderes republicanos, preocupados com a possibilidade de que o fato de o ex-deputado Randy Cunningham ter admitido que recebeu propinas e sonegou impostos possa prejudicar as perspectivas eleitorais do partido, denunciaram asperamente as ações do ex-parlamentar na última terça-feira (29/11).

Em um momento político difícil, no qual várias investigações estão voltadas para autoridades republicanas graduadas, e quando aumenta o mal-estar da população com a guerra no Iraque e a política econômica doméstica, os líderes republicanos se movimentam agressivamente no sentido de distanciarem a si e ao seu partido da admissão de culpa feita por Cunningham.

Embora alguns republicanos tenham dito que os parlamentares democratas são igualmente culpados de um comportamento questionável, incluindo viagens pagas por lobistas e sonegação de dados sobre as contribuições às campanhas, eles reconheceram que são os republicanos que estão sendo mais cobrados pelo eleitorado sob o ponto de vista ético, devido ao fato de controlarem a Casa Branca e o Congresso. Eles também manifestaram perplexidade e embaraço com a magnitude das irregularidades cometidas por Cunningham, que o presidente descreveu como sendo "escandalosas".

Ao responder a uma pergunta sobre a renúncia de Cunningham feita por um jornalista em El Paso, Bush disse que os membros do Congresso precisam levar a sério as suas obrigações legais e éticas. "A idéia de um congressista aceitando dinheiro é escandalosa", afirmou Bush. "E o congressista Cunningham perceberá que desrespeitou a lei, e que vai pagar um preço alto por isso. É preciso que ele pague".

Cunningham, um parlamentar de San Diego que estava no seu oitavo mandato, admitiu a sua culpa na última segunda-feira, afirmando que recebeu pelo menos US$ 2,4 milhões em propinas a fim de manipular contratos do Pentágono em favor de dois amigos. Ele anunciou a sua renúncia horas após ter assumido oficialmente a culpa.

O deputado David Dreier, republicano da Califórnia, que é presidente do Comitê de Regras da Câmara, disse que Cunningham violou os padrões éticos da casa, e que fez bem em renunciar imediatamente.

"É lamentável que os grandes serviços que ele prestou ao país tenham sido conspurcados pelos seus atos", disse Dreier em uma declaração à imprensa.

O caso intensificou a atenção sobre as acusações de violações éticas e legais por parte de membros do Congresso, incluindo líderes influentes como o senador Bill Frist, do Tennessee, o líder republicano do Senado, e o deputado Tom DeLay, republicano do Texas, que foi forçado a deixar o cargo de presidente da maioria na Câmara após ser acusado junto à justiça do seu Estado em setembro.

Além disso, três colegas republicanos de Cunningham na Califórnia estão sendo investigados porque se suspeita que tenham violado as diretrizes éticas da casa.

O deputado John T. Doolittle admitiu que a sua mulher, Julie, que gerencia uma empresa de marketing em Washington, foi intimada a depor nas investigações federais envolvendo o ex-lobista Jack Abramoff. O ex-chefe de gabinete de Doolittle, Kevin A. Ring, trabalhou brevemente para Abramoff após ter deixado de atuar junto ao deputado.

A secretária de imprensa de Doolittle, Laura Blackann, disse que o parlamentar não foi abordado pelo Departamento de Justiça devido a qualquer conexão com a investigação de Abramoff, e que qualquer transação efetivada entre os dois foi feita de maneira apropriada e legal.

O deputado Dana Rohrabacher, republicano de Orange County, admitiu ter recebido US$ 23 mil pela participação em um roteiro cinematográfico de um produtor de Hollywood que no mês passado foi acusado de cometer inúmeras fraudes vinculadas a um esquema de investimentos.

Rohrabacher admitiu ter apresentado o produtor, Joseph Medawar, a várias autoridades em Washington, acreditando que este trabalhava em uma série televisiva sobre o Departamento de Segurança Interna.

Rohrabacher disse que o Comitê de Ética da Câmara aprovou a sua negociação com Medawar referente ao roteiro, e frisou que desconhecia qualquer possível fraude.

"Eu não vi todas as evidências", alegou Rohrabacher. "O juiz é quem determinará se ele é um incompetente espalhafatoso ou um vigarista".

Um terceiro republicano da Califórnia, Richard W. Pombo, foi criticado pelos democratas, que o acusaram de não ter notificado o valor de duas viagens ao exterior pagas por um grupo de lobby, de ter pagado parentes com verbas oriundas de contas políticas, e de ter aceitado contribuições de campanha de Abramoff e DeLay.

Pombo repeliu as acusações, chamando-as de ataques partidários desfechados por inimigos políticos.

Karen Hanretty, diretora de comunicação do Partido Republicano na Califórnia, disse que o ataque foi parte de uma ofensiva mais ampla contra os republicanos.

"Sempre é possível encontrar uma sala cheia de pesquisadores que procuram encontrar lama para jogar na oposição, e isso é apenas parte do jogo político, seja no nível estadual ou no nacional", afirmou Hanretty. "O partido que detém o poder no Distrito de Colúmbia é sempre aquele que sofre o maior escrutínio".

Mas as acusações de violações éticas empalidecem quando comparadas à conduta criminosa confessada por Cunningham.

Segundo o seu acordo de confissão com os promotores federais, Cunningham, membro do Comitê de Verbas da Câmara, recebeu centenas de milhares de dólares em dinheiro vivo de dois representantes de empresas do setor de defesa para ajudá-los a ganhar licitações de contratos do Pentágono.

Advogados envolvidos no caso identificaram esses representantes como sendo Mitchell J. Wade, fundador da MZM Inc., uma companhia que fornece serviços de inteligência ao Pentágono e a outras agências governamentais, e Brent Wilkes, fundador de uma companhia de processamento de dados que fez negócios com o Departamento de Defesa.

Os dois lobistas teriam dado a Cunningham centenas de milhares de dólares em presentes, incluindo um Rolls Royce, duas cômodas francesas do século 19, quatro armários antigos, uma peça de bufê de madeira de lei, três escrivaninhas, um colar, um simulador de tiros a laser, e tapetes orientais no valor de US$ 15 mil (descritos nas atas do tribunal como "um tapete Indo Herati, um Karaja, um Indo Keshan e dois Cino Kerman").

Os lobistas também pagaram reparos no valor de milhares de dólares feitos no Rolls Royce e na lancha do deputado, a Kelly C, e compraram para o ex-congressista uma casa de US$ 2,25 milhões na comunidade sofisticada Rancho Santa Fé, no condado de San Diego.

Segundo os termos da confissão de culpa, Cunningham precisará abrir mão da casa, de US$ 1,8 milhão em dinheiro, e de todos os tapetes e antiguidades.

Carol C. Lam, procuradora federal do Distrito Sul da Califórnia, disse que as ações de Cunningham são "um crime de uma magnitude sem precedentes e de uma audácia extraordinária". Lam informou que a investigação prossegue.

Os telefonemas feitos para o escritório de Cunningham não tiveram resposta. Ele não aparece em público desde a última terça-feira. Entretanto, outros congressistas conservadores são investigados Danilo Fonseca

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