UOL Notícias Internacional
 

03/12/2005

Partido Republicano não sabe como deter Hillary

The New York Times
Patrick D. Healy

Em Nova York
Como se o sol estivesse finalmente brilhando sobre ela, Jeanine F. Pirro caminhou sem casaco em uma fria calçada de Manhattan nesta sexta-feira (02/12) e declarou aos repórteres que sua campanha para tomar a cadeira da senadora Hillary Rodham Clinton está "indo extremamente bem" e que está nela para vencer.

Como se, poucos minutos antes, o governador George E. Pataki não tivesse conversado com ela sobre sua saída da disputa, o que ele fez.

Como se ela tivesse os mesmos US$ 14 milhões no banco que sua rival, Hillary Clinton, o que ela não tem. Como se seus problemas políticos nos últimos cinco meses tivessem sido esquecidos, e não foram.

Pataki não estava por perto enquanto Pirro enfrentava a imprensa após sua reunião de duas horas com ele na sexta-feira. Apesar de líderes republicanos insistirem que os dois são velhos amigos de Westchester County, o governador deixou que ela entrasse na cova dos leões da imprensa sozinha.

Ele se refugiou da confusão em seu gabinete no 38º andar no centro, discutindo com assessores como salvar um Partido Republicano estadual cada vez mais rachado por conflitos enquanto luta para lançar candidatos viáveis para as eleições de 2006.

Tal conflito veio à tona nesta semana em torno da candidatura problemática de Pirro, que é objeto de interesse em Nova York e Washington pois ela vinha sendo saudada há anos como uma futura líder do partido, uma Pataki ou D'Amato para a próxima geração. Mas a campanha dela engasgou imediatamente após o anúncio de sua candidatura ao Senado, em agosto, e ela agora enfrenta dificuldades, assim como seu partido antes dominante, para obter dinheiro, uma mensagem e direção.

Pataki, após três mandatos no governo, está incapacitado. O mais alto republicano no Legislativo, o senador Joseph L. Bruno, parece deslumbrado por candidatos bilionários, ou pelo menos multimilionários, e que podem ajudá-lo a manter o controle do Senado.

O presidente do partido, Stephen J. Minarik III, precisa controlar os líderes dos 62 condados do Estado, sem contar sua própria língua: ele freqüentemente se envolve em problemas com gracejos como seu comentário na "NY1 News" no mês passado, quando disse que um candidato ao governo, John Faso, tem idéias que parecem saídas de "La La Land" (Los Angeles ou local extravagante).

Os republicanos disseram privativamente que sua melhor chance nas eleições estaduais de 2006 é na disputa pela procuradoria geral do Estado, e quase todos querem que Pirro, uma antiga promotora e procuradora geral de Westchester County, passe para esta disputa.

Pataki, como líder do partido, finalmente pediu a ela na sexta-feira que considere tal mudança. Segundo republicanos informados sobre a conversa, Pirro disse que considerará o pedido; mas na sexta-feira, ela disse aos repórteres (e, conseqüentemente, aos seus doadores) que "no momento" ela é uma candidata ao Senado.

Isto aumentou a intriga em torno de seu futuro político, fechando uma semana em que as divisões dentro do Partido Republicano de Nova York se tornaram dolorosamente públicas. Alguns líderes do partido agora estão atacando abertamente Pataki por sua escolha de Pirro para o Senado e questionando o processo que seu líder do partido escolhido a dedo, Minarik, está usando para selecionar candidatos ao Senado e governo.

Nem Pataki nem Pirro discutiram detalhes da reunião, mas os republicanos que foram informados sobre ela disseram que os dois pensam de forma semelhante. Segundo estes republicanos, Pataki disse a Pirro que ela tem uma melhor chance de vencer a disputa para a procuradoria geral em 2006 do que derrotar a popular senadora Clinton, e ela disse que, neste momento, ele está certo.

Na reunião, Pirro pediu conselho ao governador sobre que disputa seria melhor para ela e o partido, disseram estes republicanos. Em vez de decidir por ela, Pataki pediu a Pirro que pese os prós e contras de encerrar sua candidatura ao Senado e avalie se realmente pode enfrentar Hillary Clinton em áreas importantes como arrecadação de fundos.

Nesta semana, Pirro esteve em Nova York, Connecticut e Flórida para levantar dinheiro, e seus assessores disseram que esperam levantar mais de US$ 1 milhão neste período.

David Catalfamo, um porta-voz de Pataki, disse que o governador apoiará fortemente Pirro em qualquer decisão que tomar.

Uma solução para salvar as aparências para Pirro, segundo os republicanos que discutiram a idéia com o campo de Pataki, poderia ser fazer com que os membros do partido estadual e líderes dos condados a indiquem para a disputa pela procuradoria geral na conferência do partido, em 12 de dezembro. Mesmo assim, outros republicanos estão de olho em diferentes candidatos, como Rick Lazio, um ex-deputado, para tal cargo.

Do ponto de vista político, o drama paralisou os republicanos em Nova York e alguns em Washington desde que Pirro anunciou planos de disputar um cargo na primavera passada. Mas sua indecisão inicial sobre qual cargo disputar em 2006 azedou alguns aliados, para os quais as contemplações presidenciais do ex-governador democrata Mario M. Cuomo vieram à mente, e sua campanha, após ter feito sua escolha, tem sido repleta de gafes.

As preocupações republicanas culminaram nesta semana quando Bruno, o líder da maioria no Senado, em um ataque indireto a Pataki --que tem controlado o diretório estadual do partido desde que foi eleito em 1994-- pediu publicamente a Pirro que abandonasse sua disputa pelo Senado.

Pirro era só sorrisos ao deixar a reunião de sexta-feira, em um colete brilhante e saia na altura do joelho, e nem as rajadas de vento e nem a ausência do governador a distraíram.

"Há quanto tempo vocês estão aí?" disse ela para duas dúzias de repórteres vestindo casacos, chapéus e luvas, acampados na Terceira Avenida. (Seu modo altamente pessoal sempre a tornou simpática entre os repórteres; em uma recente entrevista sobre seus problemas políticos, ele ofereceu fazer para um repórter uma refeição libanesa caseira de homus e baba ghanoush.)

"Se eu soubesse!" disse ela, quando informada que a espera pela reunião tinha durado duas horas. "OK! Mandem ver!"

As perguntas foram as esperadas: Você saiu prejudicada? O que diria ao seu suposto amigo, John Bruno, que parece estar arruinando sua candidatura ao Senado com seus pedidos para que dispute a procuradoria geral? Isto tudo é um grande plano para reviver sua campanha, após um período de arrecadação de fundos difícil e gafes? (Esta última pergunta não recebeu resposta.)

"O que aconteceu nos últimos dias é que há pessoas que estão elogiando minhas capacidade de concorrer também a outros cargos, e estou grata pela crença deles de que posso concorrer a qualquer cargo neste Estado", disse ela. "Neste momento, eu sou uma candidata ao Senado dos Estados Unidos."

Alguns republicanos citaram o uso por ela de "neste momento" como um indicador. Nos bastidores, eles disseram, Pirro está ansiosa para enfrentar Hillary Clinton, mas ela também está preocupada que 2006 será um ano democrata nas eleições nacionais e que sua campanha será atrapalhada por seus próprios erros e pelo apoio geral, bipartidário, no Estado ao trabalho de Hillary Clinton no Senado.

"Por ora, ela está concorrendo ao Senado, mas não há muitos republicanos que acham que ela o fará por muito tempo", disse um membro do diretório estadual e um aliado de Pataki, que falou sob a condição de anonimato para não alienar Pirro, com a qual fala regularmente.

A frustração com Pirro tem crescido há dias, e o apoio a ela na direita parecia longe de ser firme na sexta-feira. Michael Long, o chefe do Partido Conservador estadual e um aliado de Pirro em algumas campanhas anteriores, disse na sexta-feira que a candidatura dela ao Senado está entrando em colapso e indicou que seu partido só consideraria apoiá-la seriamente à procuradoria geral.

Entre os líderes do Partido Republicano, o pensamento em relação a 2006 --que Pataki supostamente compartilha-- é que é melhor o partido brigar agora na busca por candidatos, para que possam passar o próximo ano enfrentando democratas em vez de uns aos outros.

Os democratas enfrentam a possibilidade de uma batalha primária pelo governo entre o procurador geral, Eliot Spitzer, e o executivo de Nassau County, Thomas Suozzi, que rejeitou vários pedidos de líderes do Partido Democrata para não concorrer. Vários democratas, incluindo Andrew Cuomo e Mark Green, planejam disputar a procuradoria geral.

Segundo republicanos confidentes do governador, Pataki acredita que Pirro pode derrotar tanto Cuomo, o ex-secretário federal de habitação, quanto Green, o ex-defensor público de Nova York, por considerá-los candidatos falhos e que possuem uma bagagem ainda maior do que a que Pirro carregaria caso trocasse de disputa.

Nos últimos dias, republicanos proeminentes procuraram Edward F. Cox, um advogado de Manhattan e genro de Richard M. Nixon, para ver se gostaria de reviver sua candidatura.

Tudo o que os democratas sentiram que precisavam fazer na sexta-feira era assistir o tumulto com prazer. "Esta campanha de Pirro pedirá ajuda a George Pataki sempre que se encontrar em uma crise?" disse Herman Farrell Jr., o presidente do diretório estadual do Partido Democrata, em uma declaração. "Se for assim, é melhor escolherem um plano de telefone com muitos minutos disponíveis." Oponente da senadora democrata não desistirá "neste momento" George El Khouri Andolfato

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