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03/12/2005

Vitória democrata em 2006 depende de Ohio

The New York Times
Sheryl Gay Stolberg

Em Upper Arlington, Ohio
São raros os democratas neste subúrbio de classe alta de Columbus, lar da mais alta republicana da Câmara, a deputada Deborah Pryce. Mesmo assim, o Partido Democrata hoje acha que pode fazer o impensável: derrotar Pryce em 2006.

Ela não é seu único alvo. São tempos difíceis para os republicanos, especialmente em Ohio. Com a aproximação das eleições do próximo ano, o Estado de maioria republicana tornou-se um teste político para o partido.

O governador republicano Bob Taft está envolvido em um escândalo de ética que derrubou seu índice de aprovação. Um deputado republicano de Ohio, Bob Ney, foi implicado em uma investigação federal de fraude. Outro, Jean Schmidt, foi ridicularizado na televisão por atacar proeminente democrata sobre a guerra no Iraque.

Com a queda na popularidade do presidente Bush, os candidatos de Ohio dizem que vão concorrer com base em seu próprio currículo, não no do partido ou do presidente. Eles têm consciência de que no centro do Estado, como no resto da nação, o desconforto com a economia e a guerra no Iraque é profundo.

Na mercearia Huffman's Market, em Upper Arlington, uma partidário de Pryce disse que estava "muito infeliz" com o presidente Bush e a guerra. Uma hora mais ao sul, na cidade de Cillicothe, outra mulher republicana contou amargamente como perdeu o emprego em uma fábrica de sapato quando sua fábrica foi transferida para o exterior. O prefeito da cidade, Joe Sulzer vai concorrer contra Ney.

"Acho que precisamos jogar todos eles fora e escolher novos", disse Christine Chaney, ecoando o refrão dos democratas de que Washington precisa de mudança.

Se esses sentimentos vão se traduzir em votos contra os republicanos não se sabe; Pryce, por exemplo, tem forte cargo de liderança na Conferência Republicana da Câmara e sem dúvida será difícil de derrotar. No entanto, de fato ela está enfrentando seu primeiro verdadeiro oponente democrata desde que foi eleita ao Congresso, em 1992.

"É um desafio", disse Pryce quando foi questionada se era difícil ser republicana em Ohio atualmente. "Acho que os democratas vêem Ohio como alvo. Eles acreditam que chegou a hora de fazer progressos aqui."

A história favorece os democratas: o partido fora do poder em geral conquista assentos no meio do segundo mandato do presidente. Em Ohio, os democratas esperam tirar até oito republicanos da Câmara, assim como o principal senador do Estado, Mike DeWine. Este é considerado vulnerável e nas pesquisas está ligeiramente atrás de seu principal opositor democrata, o deputado Sherrod Brown.

"Todos os caminhos políticos levam para Ohio em 2006. Primeiro, quase não há uma forma de os democratas conseguirem voltar a controlar do Senado sem derrotar DeWine. Segundo, será uma das melhores chances para os democratas pegarem um governo, e um grande governo, não um qualquer. E terceiro, é o Estado com mais assentos republicanos vulneráveis na Câmara do país", disse Charlie Cook, editor do Relatório Político Cook, em Washington.

Subúrbios como Upper Arlington, área republicana e rica, serão cruciais. Especialistas dizem que os subúrbios estão tendendo para o Partido Democrata. No ano passado, quando o senador John Kerry concorreu à presidência, os democratas de Upper Arlington saíram em seu apoio, formando o grupo político UA for Kerry.

Eles levaram uma bandeira na parada de 4 de julho e pregaram cartazes --"Fomos criticados por sermos políticos", disse Jody Scarbrough, fundadora do grupo. Kerry ficou com 43% dos votos de Upper Arlington, disse Scarbrough, um bom resultado, se comparado com os 36% de Al Gore em 2000.

O distrito de Pryce, que inclui um pedaço de Columbus, foi essencialmente dividido entre Kerry e Bush. Pryce ficou com 60% dos votos em 2004, sua menor margem desde 1992.

"Foi realmente um despertar", disse Scarbrough.

Agora, com um site na web, uma lista de e-mail de 1.500 nomes e um novo nome, UA Progressive Action, o grupo está promovendo a concorrente de Pryce, Mary Jo Kilroy, presidente do Conselho de Comissários do Condado de Franklin. Kilroy entrou na disputa em outubro depois de intensa corte de democratas de Washington. O deputado Steny H. Hoyer, democrata de Maryland, foi para Ohio vê-la, e todos os democratas da delegação de Ohio deixaram mensagens de estímulo em seu telefone celular.

Na quarta-feira (30/11) de manhã, Kilroy estava em uma lanchonete tomando café da manhã em Columbus, falando para um público amigável de sindicalistas. Seus assessores trouxeram pastas verdes com estatísticas e dados para a imprensa, inclusive do Comitê de Campanha Democrata do Congresso, ligando Pryce ao deputado Tom DeLay, que renunciou como líder da maioria depois de ser indiciado no Texas.

"Esta é uma disputa que dá para vencer", disse Kilroy aos sindicalistas. "Por um longo tempo pensamos que essa vaga era intocável, que os republicanos tinham garantido os distritos de Ohio. Veremos que isso é um erro."

Kilroy disse que Pryce votou com DeLay "94% das vezes", número que Pryce atribui principalmente a votos de bancada. Kilroy criticou a "cultura de corrupção". A frase foi o centro das propagandas de rádio do Comitê Democrata de Campanha para o Congresso em Ohio nesta semana contra Pryce e dois outros republicanos: Steve Chabot e Steven C. LaTourette. A propaganda chama atenção para seus votos recentes em favor do orçamento republicano, que cortou a assistência federal aos estudantes em US$ 14 bilhões (em torno de R$ 30,8 bilhões).

Confiança republicana

Quem está no cargo tem grande vantagem, porém. Democratas como Kilroy terão que fazer mais do que criticar os republicanos para vencerem. Em um foro em Cleveland, na quarta-feira, Ney pareceu confiante, dizendo que está cooperando com os investigadores e que não acreditava que os inquéritos iam prejudicar os republicanos nas pesquisas. Na quinta-feira à noite, ele fará um evento para levantar fundos em Columbus; Pryce estará entre os anfitriões.

"Eles não podem simplesmente pintar os republicanos com o pincel de maus como Bush. Eles vão ter que dar uma razão substancial para justificar por que os republicanos não devem estar aqui", disse Neil Clark, lobista republicano de Columbus.

Os democratas também terão que recrutar mais candidatos. Além dos deputados Ney, Pryce, Chabot, LaTourette e Schmidt, Michael R. Turner, Pat Tiberi e Ralph Regula são vulneráveis, segundo Cook. Dos oito, porém, apenas Pryce, Ney e Turner têm concorrentes até agora.

Os republicanos também foram confortados com os resultados de um referendo recente em que as quatro propostas defendidas pelos democratas foram retumbantemente derrotadas. Chabot, como Ney, diz que campanhas nacionais não vão funcionar e que cada disputa terá que ser local.

"Vou concorrer com base em meu próprio currículo, no que eu fiz e pretendo fazer, e as pessoas do meu distrito tomarão sua decisão", disse Chabot.

DeWine tocou em tema similar. "O povo de Ohio tem muito discernimento", disse o senador. "Eles fazem decisões individuais em disputas individuais."

Republicanos também dizem que o tempo está do seu lado. No último verão, depois de Schmidt quase perder para Paul Hackett, democrata e veterano da guerra no Iraque em um distrito de maioria republicana, Pryce disse ao conselho editorial do jornal "The Columbus Dispatch" que a situação política para os republicanos de Ohio estava "tenebrosa". Agora, ela acha que o ano que vem será diferente.

"Esperamos que os problemas do governo estarão superados, e a guerra no Iraque estará em fase diferente", disse Pryce. "Acho que as coisas vão mudar e Ohio não vai ser tão fértil quanto os democratas acreditam que seja neste momento." Partido conclui ter chance devido à ímpopularidade de republicanos Deborah Weinberg

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