UOL Notícias Internacional
 

06/12/2005

Justiça mantém 2 das 3 acusações contra DeLay

The New York Times
Ralph Blumenthal, em Houston, e

Carl Hulse, em Washington*
Na segunda-feira (05/12), um juiz do Texas rejeitou uma acusação contra o deputado Tom DeLay, mas manteve duas outras mais sérias, complicando as esperanças de DeLay de recuperar sua posição como líder da maioria republicana na Câmara quando o Congresso retomar suas atividades em janeiro.

O juiz, Pat Priest, de San Antonio, deu a DeLay e seus co-réus uma vitória parcial ao rejeitar as acusações de conspiração para violar o código eleitoral, por meio de uma contribuição corporativa ilegal.

O juiz Priest manteve as acusações de lavagem de dinheiro e conspiração para lavagem de dinheiro contra todos os três.

A decisão deixa DeLay e seus co-réus, os arrecadadores de fundos republicanos John D. Colyandro e James W. Ellis, mais próximos de enfrentarem julgamento --talvez já em janeiro-- por crimes que podem resultar em longas sentenças de prisão e multas.

As acusações envolvem US$ 190 mil que o Estado diz ter sido coletado de doadores corporativos em 2002 e, violando as leis eleitoral e de lavagem de dinheiro do Texas, desviado por meio de comitês de ação política republicanos para sete candidatos republicanos à Câmara do Texas.

O juiz determinou que os artigos de conspiração do código eleitoral do Estado só passaram a vigorar um ano depois das violações. Mas ele rejeitou os argumentos da defesa sobre as acusações de lavagem de dinheiro e determinou que podem ir a julgamento.

O peso político do que está em jogo ficou ressaltado com a chegada a Houston, na tarde de segunda-feira, do vice-presidente Dick Cheney, que apareceu com DeLay em um evento político para arrecadação de fundos previamente marcado. O evento era fechado aos repórteres. Várias centenas de manifestantes vaiavam do lado de fora do evento, realizado no Westin Oaks, no shopping center Galleria.

Após a decisão do juiz, que foi proferida enquanto cerca de 400 convidados chegavam para o evento, a US$ 500 ou mais o ingresso, o gabinete de DeLay em Washington divulgou uma declaração que buscava dar um aspecto positivo à decisão e novamente atacava o promotor de Austin que impetrou as acusações, Ronnie Earle, o procurador-geral de Travis County.

"A decisão do tribunal de rejeitar parte do caso fabricado e falho de Ronnie Earle contra o deputado DeLay ressalta quão infundadas e politicamente motivadas são as acusações", dizia a declaração.

Juntamente com o sucesso de DeLay em desqualificar um juiz anterior, acusado de ser partidário dos democratas, a declaração dizia que a decisão "representa mais uma vitória legal" e que DeLay ficou "animado com o rápido progresso dos procedimentos legais" e aguarda ansiosamente pela sua absolvição final.

Earle se recusou a comentar a decisão, dizendo que ela está sob estudo. O Estado tem 15 dias para apelar da decisão. DeLay só pode apelar após um julgamento, disse o juiz Priest.

Um advogado de defesa, que falou sob a condição de anonimato por temer antagonizar o juiz, reconheceu que a decisão pode ser lida como uma vitória substancial da acusação.

Mas Dick DeGuerin, o advogado-chefe de DeLay, disse: "Nós vencemos mais do que eles", argumentando que as acusações remanescentes seriam "impossíveis de provar".

Se todas as acusações fossem rejeitadas, DeLay, 58 anos, que representa seu distrito na área de Sugar Land, um subúrbio de Houston, desde 1985, teria o caminho livre para voltar imediatamente ao seu cargo de liderança no Congresso. A decisão eliminou tal possibilidade e complicou significativamente seu esforço para manter o papel de liderança.

"Provavelmente haverá eleição para a liderança em janeiro", disse o deputado Jeff Flake, republicano do Arizona.

Outros republicanos, que não quiseram falar "on the record" sobre assuntos internos do partido, disseram que também acreditam ser virtualmente certo que os republicanos considerarão eleger um novo líder da maioria no início do próximo ano. Eles disseram que o partido precisa de uma certa estabilidade na equipe de liderança naquele que esperam que será um ano eleitoral politicamente difícil.

O deputado Roy Blunt, do Missouri, o articulador republicano, está exercendo temporariamente tanto sua função quanto a de líder da maioria, que DeLay renunciou após seu indiciamento.

Um legislador republicano, que apoiou DeLay no passado mas que está preocupado com a repercussão política deste caso e outros envolvendo republicanos, disse que há um certo alívio com a decisão, já que adiou a volta de DeLay ao topo.

O legislador disse que ele e outros estavam nervosos com a possibilidade de que outra investigação federal, envolvendo as atividades do lobista Jack Abramoff, antes um aliado estreito de DeLay, possa envolver este e outros, embaraçando ainda mais os legisladores, que na semana passada viram um alto republicano da Califórnia se declarar culpado de aceitar propina.

Jennifer Crider, uma porta-voz da deputada Nancy Pelosi, da Califórnia, e líder democrata na Câmara, disse que a decisão do juiz mostrou que a "cultura republicana de corrupção está viva e passando bem".

"Esta não é uma absolvição", disse Crider. "O deputado DeLay ainda enfrenta acusações criminais muito sérias."

DeLay e seus aliados reconhecem que o relógio está trabalhando contra ele e que precisa se livrar das acusações rapidamente. Os membros da Câmara voltam ao Capitólio na terça-feira e deverão trabalhar por cerca de duas semanas, quando partirão para o recesso de fim de ano e só voltarão a trabalhar no final de janeiro. Um alto membro da liderança disse que os republicanos poderão discutir a situação da liderança em uma reunião do partido, marcada para quarta-feira.

Os problemas de DeLay parecem estar tendo um impacto em casa. Uma pesquisa Gallup em seu distrito, divulgada na segunda-feira pela "CNN", mostrou que 49% dos entrevistados disseram que provavelmente apoiarão um candidato democrata, em comparação a 36% que disseram preferir que DeLay tente a reeleição em novembro. Ele já tem como oponente o democrata Nick Lampson, que perdeu sua cadeira em uma redistribuição do distrito em 2003.

Nem Cheney e nem DeLay fizeram aparições públicas ou quaisquer comentários fora do evento na noite de segunda-feira. Depois, falando aos repórteres, um republicano local, Paul Bettencourt, o avaliador fiscal de Harris County, disse: "O vice-presidente falou sobre sua antiga amizade com DeLay". O evento para arrecadação de fundos foi o mais bem-sucedido do deputado, disse Bettencourt, mas números não foram divulgados.

A decisão do juiz Priest examinou as queixas conflitantes de que DeLay, Ellis e Colyandro conspiraram para arrecadar US$ 190 mil em contribuições corporativas para entrega a um grupo que formaram, chamado Texanos pela Maioria Republicana. Os três são acusados de fazer o grupo transferir o dinheiro ao Comitê Nacional Republicano e ao Comitê Nacional para Eleições Estaduais Republicano, para distribuição entre as disputas de candidatos específicos, algo ilegal de acordo com a lei estadual.

Em sua decisão, o juiz disse que rejeitava as acusações de conspiração para violar a lei eleitoral porque o Legislativo do Texas acrescentou os artigos de conspiração após a ocorrência das ofensas apontadas.

Mas ele rejeitou os argumentos da defesa de que as acusações de conspiração para lavagem de dinheiro e a lavagem de fato deveriam ser descartadas em parte por envolverem cheques que não eram considerados "fundos" segundo a lei.

O juiz Priest também disse que ainda precisa decidir sobre a moção da defesa de mau procedimento processual.

*Maureen Balleza contribuiu com reportagem em Houston. Decisão elimina chance de o deputado voltar a ser líder na Câmara George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    09h19

    -0,12
    3,231
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h20

    -0,10
    74.518,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host