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06/12/2005

Luz de galáxias distantes é mais do que belo halo

The New York Times
Dennis Overbye

Em Nova York
Bem na hora em que está chegando o final do ano de Einstein (Albert Einstein, cientista, 1878-1955), os astrônomos detectaram a existência no espaço de uma "galeria de bugigangas", ou seja, galáxias dotadas de bonitos halos azuis em volta delas.

Esses halos, conhecidos como anéis de Einstein, são miragens. Os astrônomos afirmam que eles resultam do efeito de raios de luz provenientes de uma galáxia distante, que são dobrados em volta de uma galáxia interveniente, assim como numa lente. Eles são uma das mais elegantes manifestações da capacidade que a gravidade tem de dobrar a luz, conforme esta foi descrita por Albert Einstein na sua teoria da relatividade geral.

Mas eles não são apenas bonitos. Eles também são muito úteis por permitirem aos astrônomos determinar o tamanho de galáxias inteiras, explica Adam Bolton, um astrônomo do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian. Ele dirige uma equipe internacional que utilizou recentemente o telescópio espacial Hubble para descobrir e fotografar oito dessas miragens raras.

Bolton conta que junto com os seus colegas, ele pretendia utilizar os anéis para estudar a distribuição das massas nas galáxias, inclusive a quantidade de matéria escura que elas contêm, um tipo de matéria que não pode ser visto, mas que, conforme acreditam os cientistas, compreenderia 90% do universo. Combinando os dados colhidos sobre os anéis com outras observações, prossegue Bolton, as análises permitiriam aos astrônomos decompor as componentes luminosas e escuras da matéria de uma galáxia.

"Nós conseguimos isolar essas galáxias de maneira muito nítida", comenta Bolton.

A teoria de Einstein descreve a gravidade como sendo a curvatura do espaço-tempo, muito distante do "achatamento" euclidiano provocado pela matéria e a energia. Foi a medição de estrelas deslocadas em relação ao sol por causa da curvatura da luz estelar em volta dele durante um eclipse solar em 1919 que embasou Einstein e a sua teoria e a projetou na consciência do mundo.

Hoje são conhecidas cerca de uma centena de lentes gravitacionais, nas quais uma galáxia ou um enxame delas produz arcos ou imagens múltiplas de um quasar (fonte de rádio de origem cósmica) distante. Mas, para ser captada com perfeição por uma lente de telescópio, uma galáxia precisa estar alinhada atrás de uma outra a uma distância certa. Esta geometria é tão rara que até a semana passada, apenas três anéis de Einstein completos eram conhecidos.

Para encontrar novos exemplares, Bolton e seus colegas desenvolveram sua pesquisa a partir de um banco de dados, colhidos da observação de 200.000 galáxias e armazenados pelo Sloan Digital Sky Survey (Centro Sloan de Pesquisa Digital Geral do Céu), num esforço para medir as cores e as distâncias de cerca de 100 milhões de objetos, inclusive um milhão de galáxias. Eles utilizaram o Hubble para examinar 28 candidatas e descobriram 19 lentes gravitacionais, inclusive 8 anéis.

"Nós averiguamos centenas de milhares de galáxias para descobrir um fenômeno que acontece 1 vez em cada 1.000", explica Bolton, que acrescenta que eles esperam encontrar cerca de 50 anéis no momento em que o atual ciclo de observação do Hubble estiver completado.

Os astrônomos estavam procurando por galáxias mais remotas dotadas de estrelas jovens azuis formando halos em volta de galáxias elípticas avermelhadas e brilhantes. O tamanho do anel permite medir a quantidade de massa de espaço deformada que uma galáxia tem no seu interior.

A uniformidade da amostragem, prossegue Bolton, permitirá aos astrônomos examinarem questões tais como a que busca determinar se as quantidades relativas de matéria escura e luminosa são as mesmas para galáxias de tamanhos diferentes ou se essa mistura vai se alterando no decorrer do tempo cósmico.

"Isso mostra o que é possível fazer por meio da combinação de um banco de dados gigantesco baseado na Terra com as capacidades de captação de imagens do Hubble", explica Bolton. "A nossa mais encarecida esperança é a de que tudo isso sirva como uma demonstração convincente do por que nós precisamos de um recurso tal como o Hubble".

A plena capacidade do banco de dados Sloan, que começou a ser alimentado em 1998, acaba de ser alcançada, conclui. "Para dar continuidade a todas essas pesquisas, nós precisamos do Hubble". Por meio de um enorme banco de dados e de imagens captadas pelo telescópio Hubble, os astrônomos estão conseguindo analisar com precisão galáxias distantes Jean-Yves de Neufville

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