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07/12/2005

Palavras sobres vinhos, em costas opostas

The New York Times
Eric Asimov
Para dois pontos de vista diferentes sobre vinho, você não poderia ter algo melhor do que Robert M. Parker Jr. e Hugh Johnson. Eles são um americano e um britânico, Vênus e Marte, Vidal e Mailer, cada um representando o que é irritante para o outro, quando não perigoso, no mundo do vinho. O que poderia, assim, ser mais delicioso do que ambos terem escrito novos livros?

Johnson, o mais velho dos dois, escreve sobre vinho há 40 anos. Seu novo livro, ", "A Life Uncorked" ("Uma vida desarrolhada", University of California Press, US$ 35), disponível no próximo mês, não é exatamente uma autobiografia, mas uma adorável e agridoce memória das garrafas que esvaziou e das pessoas e lugares que as produziram. Em um mundo que ele preza, e que ele teme estar desaparecendo, rejeitado por pessoas como Parker, que ele acredita que reduzem a história de uma grande garrafa a anotações de sabor e uma nota.

Seu artifício é oferecer aos leitores um passeio pela sua adega, onde cada categoria Champagne, Bordeaux, Burgundy, etc.- desarrolha não apenas lembranças de refeições longas, tranqüilas, acompanhadas de vinhos, mas observações mordazes sobre o que torna um vinho tão arrebatador para tantas pessoas.

Ele está incomodado com o fato de vinhos sutis, desafiadores, que lhe deram tanto prazer -do tipo que vale a pena esperar pelo envelhecimento- estarem sendo substituídos por estilos óbvios, mais pesados, mais alcoólicos que atraem aquele homem mau, Parker, que vive nos arredores de Baltimore. Ou, como Johnson mordazmente coloca, "a hegemonia imperial vive em Washington e o ditador do gosto em Baltimore".

Mas Johnson é intrinsecamente alegre demais para permanecer amargo por muito tempo. Ele é um escritor agradável que deixará você com fome e sede, e um raro crítico de vinho que consegue capturar a essência de uma garrafa sem empregar o jargão do meio.

Johnson não gosta de vinhos com "níveis de extrato de tingir a boca", uma frase que Parker usa como elogio. Johnson pode considerar tais vinhos intragáveis. Não, quando ele gosta de um vinho, ele diz coisas como: "Você não tem como errar com um Chablis. Por quê? Porque ele tem mais caráter do que personalidade".

Certamente, Johnson tem tanto caráter quanto personalidade, do tipo distintamente britânico. Ele aprendeu sobre vinhos em Cambridge e vive em uma mansão, chamada Saling Hall. Ele se rende à predileção continental de vestir trajes engraçados para atender às exigências cerimoniais dos vários clubes de degustação de vinho aos quais pertence.

Johnson pode incitar a mente, mas Parker incita o mercado. Quando ele gosta de um vinho, o público tende a também amá-lo. Em seu novo livro, "The World' s Greatest Wine Estates: A Modern Perspective" ("Os maiores produtores de vinho do mundo: uma perspectiva moderna", Simon & Schuster, US$ 75), Parker oferece seus indicados para os 155 maiores produtores de vinho. Sem dúvida Johnson contestaria algumas das escolhas de Parker, mas as chances são de que concordaria com a maioria delas.

Este é um simpático guia de referência, em grande parte cheio de detalhes técnicos que os aficionados consultarão com freqüência. Mas a parte mais interessante é um breve capítulo introdutório no qual Parker tenta definir o que quer dizer com grandeza. Ele também passa algum tempo atacando seus críticos. Parker não cita nomes, de forma que não fica claro o que sente em relação a Johnson. Mas ele não demonstra paciência com críticos como Johnson, que o transformaram em pára-raios de sua desaprovação.

As pessoas realmente querem voltar o relógio, ele pergunta, para um tempo em que "vinhos decepcionantemente emaciados, austeros, excessivamente tânicos, de regiões famosas eram rotulados 'clássicos' por uma crítica de vinhos subserviente que existia à mercê da indústria de vinhos?"

Ele os renuncia rapidamente, os comparando a "românticos reacionários" e "políticos dissimulados", e suas opiniões a tagarelice. O que para Johnson é uma questão de gosto e moda, para Parker é uma questão de certo e errado.

Parker estudou advocacia, e tende a escrever como advogado, combinando argumentos um a um, os checando à medida que passa. É direto, profissional e fácil de entender. Mas vinho -pelo menos em seu texto- existe em um tipo de vácuo para Parker. Apesar das garrafas que ele adora parecerem feitos notáveis, elas não inspiram muita sede. Talvez a descrição do grande prazer que ele sente no vinho terá que esperar por suas memórias.

Estes dois gigantes podem estar bebendo tudo, mas o território dos vinhos é tão extenso que há bastante espaço para escritores menores, mesmo quando seus livros não são tão pequenos. "The Wines of the Northern Rhone" ("Os vinhos de Rhone do norte", University of California Press, US$ 55), de John Livingstone-Learmonth, é um guia abrangente, extensamente pesquisado, de quase tudo que alguém gostaria de saber sobre as vinícolas e produtores de vinho de Cote-Rotie, Hermitage e todas as subdivisões da região. Livingstone-Learmonth, um escritor de vinhos britânico, publicou anteriormente três edições de "The Wines of the Rhone" ("Os vinhos do Rhone"), mas evidentemente um volume não era mais o suficiente para toda a região.

Ele disseca todos os aspectos do norte do Rhone, incluindo as vinhas, a mudança do clima e a evolução da vinicultura e das técnicas de produção de vinhos. Suas anotações de degustação são vigorosas e suas descrições de cada propriedade meticulosas. Apesar de ser um tradicionalista, Livingstone-Learmonth não é dogmático a respeito. Ele faz concessões aos modernistas, e não relutantemente.

Paul Lukacs, um americano que escreveu "American Vintage", uma excelente história da indústria do vinho americana, agora aparece com "The Great Wines of America: The Top Forty Vintners, Vineyards, and Vintages" ("Os grande vinhos da América", W.W. Norton & Co., US$ 30). Como qualquer tipo de lista, seu benefício principal é causar discussão. A lista de Lukacs poderia facilmente ter resultado em uma lista familiar dos maiores sucessos, mas ele se recusa a se reduzir a isto. Em vez disso, ele oferece um grupo de vinhos que é fortemente individual, no qual distinção é tão importante quanto a aprovação crítica.

De que outra forma explicar a colocação lado a lado de Harlan Estate, a fabricante de um dos vinhos cult mais procurados da Califórnia, e Horton, que produz o viognier na Virgínia, ou a inclusão de Stone Hill Winery, uma produtora do Missouri especializada na uva norton? Considere uma dádiva Lukacs conhecer sua história, e poder nos fazer compreender o motivo de nos importarmos com o norton do Missouri.

Dois outros livros valem uma rápida menção. Don e Patie Kladstrup, que escreveram "Vinho e Guerra", narrando a história dos vinhas e vinícolas francesas sob a ocupação nazista, agora produziram "Champagne: How the World 's Most Glamorous Wine Triumphed Over War and Hard Times" ("Champagne: como o vinho mais glamouroso do mundo triunfou sobre a guerra e os tempos difíceis", William Marrow, US$ 24). A história sangrenta do Champagne já foi contada antes, mas não em um volume tão agradável.

Finalmente, apesar dos produtores de vinho adorarem retratar a si mesmos como artesãos humildes, a produção de vinho atualmente é um processo complicado que nem sempre pode ser entendido intuitivamente. Felizmente, o novo livro de Jamie Goode, "The Science of Wine: From Vine to Glass" ("A ciência do vinho: da vinha ao copo", University of California Press, US$ 35, que será lançado no próximo mês), explica alguns dos termos empregados pelos críticos, como osmose reversa, enquanto pergunta (e tenta responder) perguntas de bom senso, como quanta manipulação é aceitável na produção de vinho e se um vinho pode ter sabor de minerais. Estes poderiam ser assuntos chatos, mas Goode consegue torná-los interessantes e provocantes. George El Khouri Andolfato

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