UOL Notícias Internacional
 

08/12/2005

Economia em alta faz Bush reagir nas pesquisas

The New York Times
Robin Toner e Marjorie Connelly*

Em Nova York
Após ter passado meses amargando uma deterioração política, a taxa de aprovação do presidente Bush se recuperou sensivelmente na mais recente pesquisa elaborada por The New York Times em associação com a CBS News. Este resultado reflete a atitude mais positiva dos americanos em relação à economia.

Contudo, a sua presidência continua sendo contaminada por um questionamento generalizado da sua condução da guerra no Iraque: 52% dos entrevistados afirmam que a administração Bush enganou deliberadamente o público quando os seus funcionários defenderam a necessidade desta guerra.

Uma maioria de americanos quer que os Estados Unidos estabeleçam um calendário para a retirada das tropas; 32% querem que o número de soldados americanos presentes naquele país seja reduzido, enquanto 28% exigem uma retirada total.

A pesquisa, que foi realizada de 2 a 6 de dezembro, apurou que a taxa de aprovação de subiu para 40%, enquanto ela era de 35% um mês atrás, no que revelou ser o nível o mais baixo ao longo de toda a sua gestão. Os seus ganhos foram obtidos principalmente entre homens, independentes, de 18 a 29 anos e conservadores. O presidente Bush continua sendo uma figura altamente polarizadora, que goza de uma taxa de aprovação de 79% entre os republicanos, de 12% entre os democratas e de 34% entre os independentes.

No total, 53% dos americanos desaprovam seu desempenho no cargo, ou seja, um pouco menos que os 57% registrados há um mês.

Apesar dos seus ganhos, a taxa de aprovação de 40% de Bush permanece uma das suas mais baixas, e continua sendo substancialmente inferior àquelas dos presidentes Bill Clinton (que era de 58%) ou Ronald Reagan (que era de 68%), quando estes se encontravam a uma altura comparável nos seus segundos mandatos.

Os autores da pesquisas entrevistaram por telefone 1.155 adultos em todo o território americano. A margem de erro da sua amostragem é de mais ou menos 3 pontos percentuais.

Conforme esperavam os estrategistas republicanos, Bush parece estar tirando uma vantagem política dos avanços da economia. Ao longo das últimas semanas, o presidente empenhou-se muito em pôr em evidência as boas notícias na área da economia, as quais consistiram numa redução dos preços da gasolina e na publicação de resultados que mostraram um forte crescimento no terceiro trimestre. A pesquisa mostrou que 56% consideram a situação da economia do país como "boa", enquanto este percentual era de apenas 47% no mês passado.

"A situação não é tão ruim assim", comentou Susan Huru, uma eleitora independente de 47 anos, de Wasilla, no Alasca, numa entrevista complementar que foi realizada depois da conclusão da pesquisa. "Eu continuo podendo comprar aquilo de que eu preciso, exceto, talvez, para a gasolina".

A gestão econômica do governo Bush também obteve resultados um pouco mais positivos --sendo aprovada por 38%, enquanto apenas 34% a aprovavam no mês passado (ao passo que a taxa geral de aprovação da sua política externa continuou em queda, passando para 36% enquanto ela era de 38% em setembro e de 42% em agosto).

Numa outra medição do estado de espírito da nação, que vem sendo acompanhado de muito perto pelos estrategistas políticos, a porcentagem de americanos que estimam que o país "está seriamente equivocado na trilha que está seguindo" ou ainda que ele "está seguindo a trilha errada" diminuiu --passando para 60%, enquanto era de 68% no mês passado.

Charles Cook, que edita uma publicação política independente que acompanha as disputas no Congresso, disse que a reação favorável de Bush na pesquisa "reflete de modo consistente tudo o que estamos vendo no noticiário".

E ele acrescentou: "Ao que tudo indica, eles estão obtendo finalmente um pouco de crédito em função do desempenho da economia, na mesma proporção que esta andou melhorando. Nós tivemos boas notícias econômicas nos últimos tempos, mas a questão do Iraque domina de tal forma as preocupações que o governo dificilmente poderia sair vencedor neste quesito".

Ainda assim, faltando 11 meses para as eleições de meados de mandato, a pesquisa descobriu muitas opiniões que se revelam extremamente constrangedoras para a maioria republicana no Congresso. Apenas 33% dos americanos disseram aprovar a maneira com a qual o Congresso vem exercendo suas funções, contra 53% que a desaprovam. Taxas de aprovação similares têm sido registradas no decorrer de 2005, refletindo um nível de descontentamento em relação ao Congresso que rivaliza com aquele que predominava no período tumultuado de meados dos anos 90.

A taxa de aprovação do Congresso entre os eleitores independentes, na mais recente pesquisa, era de apenas 32%.

Se as eleições fossem realizadas hoje, 42% dos eleitores registrados disseram que votariam no candidato democrata do seu distrito, enquanto 33% afirmaram que votariam no candidato republicano.

Os democratas registraram um avanço substancial entre os independentes, dos quais 38% disseram que votariam no candidato democrata, enquanto 22% disseram optar pelo candidato republicano. Embora a pesquisa tão tivesse abordado as disputas que vêm sendo travadas em distritos específicos, o que foi apurado já oferece indicações sobre a força relativa dos dois partidos.

A pesquisa sugere que os republicanos estão certos quando eles optam por enfatizar disputas fortemente localizadas, concentrando-se nas qualidades e no caráter familiar dos seus representantes. 60% dos entrevistados disseram aprovar o desempenho no Congresso do representante que eles elegeram, enquanto 24% o desaprovaram.

A ansiedade e as dúvidas em relação à guerra no Iraque seguem influenciando fortemente o clima político. Mais da metade dos entrevistados --57%-- disseram estimar que o Congresso não está questionando como deveria a política do presidente no Iraque.

O debate cada vez mais mordaz em torno da justificativa apresentada para a guerra está espelhado nas opiniões do público. Apenas 23% disseram acreditar que Bush, nos dias que antecederam a guerra, estava dizendo toda a verdade sobre a existência de armas de destruição em massa no Iraque. 44% afirmaram que Bush estava dizendo globalmente a verdade sobre essas armas, mas que ele estava escondendo algo, e 25% disseram que o presidente estava mentindo na maioria dos casos.

Além disso, a despeito da campanha intensiva realizada pela administração Bush nos últimos dias, visando a convencer a opinião de que o governo segue uma "estratégia objetivando a vitória" no Iraque, a pesquisa apurou a existência de um questionamento generalizado. Indagados se Bush tem "um plano claro visando à vitória no Iraque", 68% responderem que não, enquanto 25% acreditam que sim.

A guerra continua sendo o principal alvo dos críticos de Bush. Quando indagados por que eles desaprovam o desempenho de Bush no seu cargo, mais da metade mencionou o Iraque. "Nós fomos arrastados para a guerra contra a nossa vontade", disse Virginia Loarca, 29, uma democrata que trabalha no serviço de atendimento à clientela de uma companhia aérea. "Um número excessivo de 'garotos' está morrendo e ninguém está informando ao certo quantos sacos mortuários exatamente estão sendo trazidos de lá".

Mesmo assim, houve algumas notícias positivas para Bush a respeito do Iraque: a aprovação da sua condução da campanha no Iraque subiu para 36%, enquanto era de 32% em outubro. Além disso, um número maior de americanos estimou que a guerra no Iraque era a coisa certa a fazer --48%, contra 42% em outubro. Este aumento do apoio veio principalmente de republicanos.

Mas, mesmo com este sobressalto, os americanos permanecem divididos pela metade a respeito da guerra, com outros 48% que afirmam que os Estados Unidos deveriam ter ficado fora do Iraque.

58% disseram querer que os Estados Unidos definam um calendário para a retirada das tropas, uma idéia à qual Bush se opõe.

Uma maioria esmagadora --81%-- afirmou que a administração Bush não explicou com clareza por quanto tempo as tropas americanas teriam de permanecer no Iraque.

Indagados sobre aquilo que os Estados Unidos deveriam fazer agora no Iraque, 32% disseram que o país deveria diminuir progressivamente a quantidade de soldados americanos no terreno, enquanto 28% se pronunciaram a favor de uma retirada completa das tropas. 24% consideraram que o tamanho do contingente deveria permanecer o mesmo, enquanto 11% defenderam que ele deveria ser aumentado.

Sem que isso constitua qualquer surpresa, a maioria dos democratas e dos independentes quer ver as tropas americanas serem retiradas parcialmente ou retiradas por completo, enquanto a maioria dos republicanos apóia a manutenção ou o aumento do número de soldados no Iraque.

Ainda assim, existem riscos políticos para os democratas, caso eles se distanciem demais da sua base: 36% (o que inclui um terço dos independentes) disseram que eles se sentiriam menos inclinados a votar no seu representante no Congresso caso ele ou ela defendesse uma retirada imediata, enquanto 21% afirmaram que eles estariam mais inclinados a votar naquele candidato. A representante democrata Nancy Pelosi, da Califórnia, que é a líder da minoria democrata no Congresso, apoiou recentemente um apelo em favor de uma retirada acelerada.

Além de tudo, muitos americanos permanecem ansiosos em relação ao impacto de uma eventual retirada. Para 46%, tal decisão iria aumentar as probabilidades de uma explosão de violência no Iraque, enquanto 40% estimam que isso iria aumentar as probabilidades de ocorrência de atos de terrorismo contra os Estados Unidos.

No momento em que os partidos se preparam para entrar neste ano eleitoral, a pesquisa apurou que os eleitores dão a vantagem aos democratas em relação às questões do Medicare (serviço público de atendimento médico), da economia, da guerra no Iraque e da imigração.

Por sua vez, os republicanos continuam na frente como sendo o partido mais adequado para lidar com o terrorismo. Mas quando foi questionado aos eleitores qual dos dois partidos reflete os seus valores morais, ambos ficaram praticamente empatados --43% disseram que são os democratas, e 41% que são os republicanos.

Por fim, a pesquisa sugeriu que os republicanos não obtiveram praticamente nenhuma vantagem do seu novo programa de prescrição de remédios no quadro do Medicare.

*Megan Thee e Marina Stefan contribuíram com reportagem. Mas a guerra no Iraque continua sendo questionada pela maioria, enquanto 53% desaprovam o desempenho do presidente dos EUA Jean-Yves de Neufville

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