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08/12/2005

Eleição extra tira prefeito gay do cargo nos EUA

The New York Times
Timothy Egan

Em Spokane, Washington
Sete meses depois de um jornal ter noticiado que o prefeito Jim West, um dos republicanos conservadores mais proeminentes deste Estado [no noroeste dos EUA], era um homossexual não assumido que usava o computador da prefeitura para procurar sexo com homens jovens, quase dois terços dos eleitores daqui decidiram derrubá-lo em uma rara eleição de substituição, segundo resultados divulgados na quarta-feira (07/12).

Mas, apesar de a cédula contar com apenas um nome --o do prefeito de 54 anos, um ex-líder do Legislativo estadual--, a eleição por voto pelo correio foi uma espécie de referendo sobre a mudança de atitude nesta cidade de 200 mil pessoas. West, que deixará o cargo em 16 de dezembro, tem uma longa história de oposição aos direitos dos gays, e já apoiou uma medida que impedia os gays de lecionarem em escolas públicas.

"Há muitas lições para se tirar disto, para lhe dizer a verdade", disse West em uma coletiva de imprensa na quarta-feira. "Isto me ajudou a endireitar minha vida pessoal."

West disse que planeja processar o jornal, "The Spokesman-Review", que noticiou agressivamente sua vida secreta, contratando um especialista em computadores para se passar por um estudante de 18 anos que se comunicava com West por meio de uma sala de bate-papo gay. As conversas, publicadas pelo jornal, revelaram um homem que era torturado sobre sua sexualidade. O prefeito disse que a publicação do material violou seus direitos de privacidade.

O jornal disse que armou o armadilha online apenas após ouvir os rumores sobre a oferta de empregos públicos por West em troca de encontros com homens jovens. Posteriormente, um investigador independente contratado pelo município descobriu que o prefeito violou a política municipal, ao usar o computador de seu gabinete para fazer o download de imagens e mensagens do site Gay.com. West não foi acusado de crime.

Pouco depois das revelações do jornal, West se caracterizou como um homossexual "exposto brutalmente", mas a comunidade gay não se sensibilizou e deu as costas a ele.

"Com esta eleição, quem sabe estejamos um pouco mais próximos do dia em que todos nesta cidade poderão ser honestos sobre quem são", disse Bonnie Aspen, uma empresária que é ativista de causas gays e lésbicas.

Em uma coletiva de imprensa, West disse que não fez nada errado como prefeito. "Eu não me arrependo de nada como prefeito", disse ele. "Eu me arrependo de coisas em minha vida pessoal. Eu gostaria que tais coisas nunca tivessem ocorrido e estou embaraçado por elas."

Ao lhe pedirem para ser mais específico, ele disse: "Não é da conta de vocês".

West disse que não mudou de posição sobre quaisquer posições antigay que assumiu enquanto servia como líder da maioria republicana no Senado estadual --exceto uma, quando apoiou a proposta que impedia gays de serem professores escolares.

Na campanha de substituição, West parecia ser um homem sem eleitorado. Os republicanos e a maioria dos líderes empresariais que o apoiaram em campanhas anteriores apoiaram a substituição ou se mantiveram neutros. Ele foi convidado a contar sua história em um fórum patrocinado por líderes gays, mas ele recusou. Os líderes gays disseram que o fórum, e discussões semelhantes por toda a cidade, ajudaram a afastar os mitos sobre ser gay, ao mesmo tempo em que mostraram a hipocrisia de alguns políticos.

Apesar de West ter perdido o apoio dos líderes da cidade, eles inicialmente foram cautelosos na tentativa de removê-lo. A substituição foi em grande parte resultado das ações de uma mãe solteira desempregada, Shannon Sullivan, que iniciou uma petição e defendeu com sucesso o esforço na Suprema Corte do Estado.

"Eu queria que meu filho de 9 anos tivesse orgulho de seu prefeito --foi por isso que me envolvi", disse Sullivan. "Os poderosos com dinheiro estavam com medo de afastá-lo."

Ao ser questionada sobre a política sexual da votação, Sullivan disse: "Isto não deve ser entendido como um voto antigay. Eu ficaria igualmente ultrajada se o prefeito estivesse seduzindo meninas de 17 anos".

Um democrata proeminente, Tom Keefe, disse que o que mobilizou os eleitores contra West foi a discrepância entre sua vida privada e suas declarações públicas.

"Este é um sujeito que costumava usar palavras em código contra seus oponentes, questionar os valores familiares de alguém", disse Keefe. "No final, você tinha um homem de 54 anos em uma posição de autoridade usando a Internet para procurar sexo casual com estudantes de ensino médio."

O prefeito vem lutando contra um câncer de cólon que se espalhou para seu fígado, se submetendo a quimioterapia a cada duas semanas. Alguns eleitores disseram que sentem pena dele. West disse na quarta-feira que suportou "sete meses de agressão, que me reduziram a pó, por parte do 'Spokesman-Review'".

Mas o editor do jornal, Steven A. Smith, disse em uma entrevista que os artigos, e a votação, não foram sobre um gay em uma comunidade conservadora. Os comentários do prefeito depois da publicação dos artigos podem ter estimulado o apoio aos gays e lésbicas daqui, apesar do afastamento do prefeito, disse ele.

"Quando o prefeito foi ao programa 'Today' e disse que adotou todas aquelas posições antigay porque era o que seus eleitores queriam, aquilo repercutiu muito mal aqui", disse ele.

Smith também defendeu o uso pelo jornal de um substituto virtual. Smith disse que foi semelhante aos repórteres que seguiram secretamente Gary Hart, um ex-candidato presidencial, para saber se ele estava tendo um caso extraconjugal. "Esta é a ciberversão de se esconder na moita", disse Smith. Republicano conservador mantinha vida secreta revelada por jornal George El Khouri Andolfato

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