UOL Notícias Internacional
 

08/12/2005

Federais matam passageiro em avião em Miami

The New York Times
Matthew Wald*

Em Washington
Agentes federais (air marshals, agentes especializado em operações antiterrorismo e anti-seqüestro, que viajam disfarçados em aviões de passageiros) a bordo de uma aeronave que estava no solo, em Miami, perseguiram um homem pela pista do aeroporto e o mataram, depois que ele afirmou que levava uma bomba na sua bagagem de mão, e se recusou a obedecer às ordens para que parasse e se deitasse no chão.

O avião, o vôo 924 da American Airlines, um Boeing 757, que seguia de Medellín, na Colômbia, para Orlando, na Flórida, fazia uma escala prevista no Aeroporto Internacional de Miami, onde ocorreu o incidente.

Acredita-se que essa tenha sido a primeira ocasião em que um agente federal especializado em ações antiterroristas em aeronaves tenha atirado desde que o número desses profissionais foi aumentado, após os ataques de 11 de setembro de 2001. Não houve nenhuma indicação imediata de que o incidente estivesse relacionado a um ato terrorista, disseram as autoridades, embora a vigilância tenha sido incrementada em outros aeroportos, como medida de precaução.

As autoridades identificaram preliminarmente o homem como sendo Rigoberto Alpizar, 44, um cidadão dos Estados Unidos, que se acredita que morava na região de Orlando. Estações de televisão de Miami divulgaram fotos de um homem que elas identificaram como sendo Alpizar. Ele apareceu nas fotos usando paletó e gravata, sorrindo para a câmera e acompanhado de uma mulher.

Em uma entrevista coletiva à imprensa, na noite desta quarta, autoridades disseram que Alpizar chegou no aeroporto pela manhã em um vôo proveniente de Quito, Equador, e embarcou no vôo 924 com uma mulher para o último trecho da sua viagem, até Orlando.

"Enquanto o avião estava ainda estacionado na área de embarque, em algum momento ele proferiu palavras ameaçadoras, incluindo uma sentença que dava a entender que levava uma bomba", disse James T. Bauer, o agente que comanda o Federal Air Marshal Service em Miami.

Bauer contou que os agentes federais confrontaram Alpizar, mas o homem fugiu do avião. Quando se recusou a obedecer às ordens, e fez um movimento que foi considerado ameaçador, ele foi abatido a tiros, disse Bauer.

"A sua atitude fez com que os agentes disparassem suas armas, e ele realmente morreu", informou Bauer.

Especialistas em bombas que se dirigiram ao local não encontraram nenhum sinal da existência de explosivos, disse Bauer. Mas, mais tarde, como precaução, eles destruíram parte da bagagem sobre a pista.

John Hotard, um porta-voz da American Airlines, disse que um agente federal --um dos dois que estavam a bordo, segundo Bauer-- ouviu um homem "criando confusão no túnel de embarque" que conduz ao terminal. Segundo Hotard, os agentes desembarcaram da aeronave a mataram o homem a tiros durante o confronto.

A versão apresentada posteriormente pelas autoridades na entrevista coletiva à imprensa diferiu ligeiramente da história de Hotard. Segundo as autoridades, a confusão teria começado dentro da aeronave, e depois disso os agentes teriam seguido o passageiro até a pista, onde ele foi morto a tiros.

Brian Doyle, um porta-voz do Departamento de Segurança Interna, afirmou mais cedo que o homem indicou que havia uma bomba na sua bagagem de mão. De acordo com Doyle, os agentes confrontaram o passageiro enquanto a aeronave estava estacionada no portão D-42.

"O passageiro saiu imediatamente da aeronave pela pista, dirigindo-se ao terminal", disse Doyle. "A equipe seguiu o homem e ordenou a ele que se deitasse no solo".

"A seguir, o passageiro pareceu tentar enfiar a mão na sua bagagem de mão, e os agentes agiram de acordo com o treinamento que receberam", disse Doyle. "Tiros foram disparados enquanto a equipe tentava dominar o indivíduo. Esta foi a primeira vez que os agentes federais usaram uma arma de fogo durante uma missão desde o 11 de setembro".

Autoridades federais informaram que a polícia local está investigando o caso como sendo homicídio. Elas disseram que não há evidência de que o incidente fizesse parte de um complô de maior dimensão que poderia estar vinculado a uma ação terrorista, mas que a investigação prossegue.

Um agente federal que atua desde o 11 de setembro, e que pediu que o seu nome não fosse divulgado, já que os agentes são proibidos de falar a repórteres, disse que as regras para o uso da força são "basicamente as mesmas que vigoram para qualquer outro policial".

"Quando alguém ameaça passageiros, membros da tripulação ou a segurança da aeronave, tomamos todas as medidas necessárias para nos protegermos", explicou o agente. "Se eles disseram ao homem que não tocasse na bagagem de mão, e ele, ainda assim, tentou pegá-la, criou-se uma situação que exigiu o uso de força letal".

A administração da Segurança de Transporte dirigiu todas as chamadas dos jornalistas para o Federal Air Marshal Service, mas o porta-voz daquela agência não respondeu às mensagens deixadas pelos repórteres.

A American Airlines informou em uma declaração na noite de quarta-feira que "nenhum dos outros 113 passageiros a bordo foi afetado ou chegou a correr qualquer risco".

Segundo uma testemunha que estava no avião, o homem foi seguido por uma mulher que correu atrás dele gritando que o passageiro era doente mental.

A passageira, Mary Gardner, disse em uma entrevista à rede de televisão WTVJ, em Miami, que o homem correu pelo corredor do avião, vindo da parte traseira da aeronave. "Ele estava frenético, e sacudia os braços", disse ela.

Gardner disse que foi seguido por uma mulher que gritava: "Meu marido! Meu marido!".

Segundo a agência de notícias Associated Press, Gardner afirmou ter ouvido a mulher dizer que o marido sofria de transtorno bipolar, e que não tomara a sua medicação.

Imagens de televisão feitas pouco após o tiroteio mostraram agentes de segurança vestidos com uniformes negros correndo pela pista nas proximidades do avião. Paramédicos, empurrando uma maca vazia, se distanciavam da aeronave.

Câmeras de televisão também capturaram cenas das equipes especializadas em bombas explodindo uma bagagem de mão aparentemente inofensiva na pista, como medida de precaução, depois que o homem disse que havia uma bomba dentro dela.

Jamie Clifford, que se preparava para embarcar em um outro vôo, que ia de Miami para São Francisco, disse que ouviu, mas não viu, o tiroteio.

"Eu estava no portão em frente àquele onde ocorreu o tiroteio. Aguardava o meu vôo a bordo quando, de repente, ouvi um ruído que pensei ser o de um monte de latas de refrigerante caindo no chão", disse ela pelo telefone.

"A seguir, autoridades aeroportuárias nos orientaram para que seguíssemos para a extremidade do terminal, sem nos informarem o motivo. Eu ouvi um deles falando para o colega que houve um tiroteio no aeroporto".

O vôo 924 sai diariamente de Medellín, segue para Miami e, a seguir, vai para Orlando. Segundo o site da American Airlines, ele saiu de Medellín às 9h06, quatro minutos adiantado, e aterrissou em Miami às 12h16, nove minutos antes do horário previsto. O vôo teria seguido para Miami às 14h18, a partir do portão D-42 do Aeroporto Internacional de Miami.

O procedimento rotineiro no vôo 924 é o desembarque de todos os passageiros em Miami, para que passem pelo serviço de alfândega e imigração, antes de prosseguirem na sua jornada.

*Contribuíram Christine Hauser e Mark J. Prendergast, de Nova York, e Terry Aguayo, de Miami. É a primeira vez que agentes atiram desde os atentados de 2001 Danilo Fonseca

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