UOL Notícias Internacional
 

08/12/2005

Mercosul recebe a Venezuela de Hugo Chávez

The New York Times
Paulo Prada

No Rio de Janeiro
Os presidentes e ministros do Mercosul, maior bloco comercial da América do Sul, reúnem-se nesta quinta e sexta-feira (08 e 09/12) para iniciar o processo de associação da Venezuela. A medida temida por líderes empresariais pode minar os esforços de flexibilização do comércio regional e promoção de laços com outros blocos.

Em uma reunião em Montevidéu, Uruguai, os quatro membros do bloco comercial --Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai-- devem iniciar formalmente as negociações para o ingresso da Venezuela no Mercosul.

O bloco, cujo nome é uma contração de Mercado Comum do Sul, representa bem mais da metade da economia do continente e uma área com mais de 230 milhões de consumidores e tem por objetivo padronizar tarifas e práticas comerciais da região.

Ao atender ao pedido de associação da Venezuela, membros do Mercosul dizem que estão convidando a maior produtora de petróleo da América do Sul e a terceira maior economia da região a se unir ao esforço antigo e moroso de integrar as economias da região. A decisão de integração da Venezuela foi política, promovida pelos presidentes de esquerda do Brasil e da Argentina, aceita pelo Uruguai e que deve ser acatada pelo Paraguai.

A nova integrante chega em um momento crucial, em que o alto preço do petróleo torna a promessa de energia de baixo custo da Venezuela ainda mais atraente. De fato, o governo venezuelano já havia firmado acordos com o Brasil e com a Argentina para estudar a possibilidade de integração energética e deve fazer o mesmo com o Mercosul nesta semana.

No entanto, a política de Hugo Chávez, exaltado presidente venezuelano, está levando muitos líderes empresários a criticarem a decisão e questionarem seu efeito para o comércio da região e suas relações com os EUA, UE e outros grandes parceiros.

"A comunidade empresarial não está feliz. O Mercosul não deve se aliar com um governo de plataforma radical negativa", disse Mario Marconini, ex-secretário de comércio exterior do governo brasileiro e hoje consultor em São Paulo.

Conhecido por seus discursos anti-capitalistas fervorosos e por encampar minas, terras e fábricas que julga improdutivas, Chavez há anos tenta alinhar a Venezuela com as duas maiores economias do continente, Brasil e Argentina. Dessa forma, ele quer avançar seu objetivo de unificar a América do Sul, a visão de Simon Bolívar, herói da independência latino-americano e inspiração de Chávez.

Apesar de a Venezuela participar do Pacto Andino, bloco comercial que compreende outros países sul-americanos, Chávez disse que ia abandoná-lo para entrar para o Mercosul.

"O Mercosul é um salto quantitativo. Vai substituir os acordos anteriores e acelerar o processo de união das economias da América do Sul", disse Gustavo Márquez, ministro de integração e comércio exterior da Venezuela em entrevista telefônica de Montevidéu.

Negociadores do Mercosul negam que Chávez pode prejudicar as metas do bloco, que incluem maior redução das barreiras comerciais dentro do grupo e negociação de acordos com o mundo.

Os Estados-membros devem dar à Venezuela o direito de participar dos encontros do Mercosul, mas sua associação completa com direito a voto só ocorrerá depois de um processo de meses, quando o país tiver adotado as políticas existentes.

"A Venezuela pode se unir apenas depois de aceitar os termos do Mercosul", disse Eduardo Sigal, subsecretário de integração econômica argentino.

Politicamente, os dois grandes países do Mercosul já têm laços estreitos com a Venezuela e têm pouco a perder com sua entrada no bloco. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, por exemplo, já equilibra uma política externa de esquerda focada no mundo em desenvolvimento com uma agenda econômica conservadora, que irrita muitos de seus ex-partidários.

E Néstor Kirchner, presidente da Argentina, vê nos cofres ricos de petróleo da Venezuela uma fonte de fundos para sua economia, que ainda se recupera do colapso financeiro do início desta década. A Venezuela concordou neste ano em comprar mais de US$ 1 bilhão (em torno de R$ 2,2 bilhões) em bônus argentinos, e as exportações argentinas para o país mais do que triplicaram depois de selados pactos bilaterais.

Em termos comerciais, a associação faz sentido, dizem os negociadores. A economia da Venezuela depende do setor de energia, enquanto os países do Mercosul são fortes em agricultura e matérias primas.

Mas como a grandeza econômica da Venezuela está ligada à alta do petróleo dos últimos anos, a durabilidade de seu modelo econômico é fortemente debatida. E mais, as críticas agressivas de Chávez contra os EUA e sua proposta de uma Área de Livre Comércio das Américas levaram muitos líderes empresarias da região a se perguntarem se as afinidades políticas de curto prazo não iam prejudicar os interesses de longo prazo.

"Os interesses do setor privado estão com os ambientes empresariais mais inteligentes e promissores. A Venezuela não é um mercado aberto, e isso é uma grande preocupação", disse Mauricio Claverí, economista da Abeceb.com, firma de consultoria em Buenos Aires. A inclusão do país é iniciada durante negociação em Montevidéu Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    13h20

    0,25
    3,137
    Outras moedas
  • Bovespa

    13h22

    -0,69
    75.479,85
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host