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09/12/2005

George W. Bush: o prometedor-em-chefe

The New York Times
Paul Krugman

Em Nova York
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Paul Krugman é colunista
Às vezes, reconstrução atrasada é reconstrução negada.

Poucos meses após a invasão, o presidente Bush prometeu reconstruir a infra-estrutura e a economia do Iraque. Ele --ou pelo menos seus redatores de discurso-- entendia que a reconstrução era importante não apenas por si só, mas como uma forma de privar de apoio a crescente insurreição. Em outubro de 2003, ele declarou que "quanto mais eletricidade estiver disponível, mais empregos estiverem disponíveis, mais crianças irem para a escola, mais desesperados estes assassinos ficarão".

Mas por um longo tempo, a reconstrução do Iraque foi mais um exercício de relações públicas do que um esforço real. Lembra quando congressistas foram levados para visitas a escolas recém pintadas?

Tanto defensores quanto opositores da guerra agora argumentam que ao ser tão vagaroso na reconstrução, o governo Bush perdeu um janela de oportunidade crucial. Quando os gastos em reconstrução começaram para valer, ela já era uma corrida perdida dada a deterioração da situação da segurança.

Como resultado, a eletricidade e os empregos que deveriam deixar os assassinos desesperados nunca chegaram. O Iraque produziu menos eletricidade no mês passado do que em outubro de 2003. O governo iraquiano estima uma taxa de desemprego de 27%, mas o número real provavelmente é muito maior.

Agora nós estamos perdendo outra janela de oportunidade para reconstrução. Mas desta vez em casa.

Duas semanas depois do furacão Katrina, Bush fez uma aparição elaboradamente planejada em Nova Orleans, onde ele prometeu grandes coisas. "A obra que teve início na região da Costa do Golfo", ele disse, "será um dos maiores esforços de reconstrução que o mundo já viu".

Tal esforço seria a coisa certa a ser feita. Nós podemos discutir os detalhes --quais diques devem ser restaurados e quão forte devemos torná-los-- mas é claramente do interesse da nação assim como dos moradores locais a reconstrução de grande parte da economia regional.

Mas Bush parece ter esquecido sua promessa. Mais de três meses depois do Katrina, um grande esforço de reconstrução ainda não está nem no estágio de planejamento, muito menos em andamento. "A um ponto quase inconcebível dois meses atrás", disse uma reportagem do "Los Angeles Times" sobre Nova Orleans, "os únicos atores reais no drama da reconstrução no momento são os proprietários de imóveis e de negócios da cidade".

Vale a pena notar de passagem que Bush nem mesmo nomeou uma nova equipe para consertar a disfuncional Agência Federal para a Administração de Emergências (Fema). Grande parte dos cargos-chaves da agência, incluindo o de diretor --que ficou vago após a saída de Michael "grande trabalho" Brown-- estão ocupados de forma interina. O chefe de gabinete ainda é um partidário político fiel sem nenhuma experiência anterior em administração de desastres.

Mas um programa da Fema foi reformulado. O Recovery Channel é uma rede de TV por satélite e Internet que costumava fornecer informação prática para as vítimas de desastres. Agora ele exibe segmentos de relações públicas que dizem aos espectadores que grande trabalho a Fema e o governo Bush estão fazendo.

Mas de volta à reconstrução. Ao permitir que a região do Golfo definhe, Bush está permitindo que uma janela de oportunidade se feche, assim como fez no Iraque.

Para entender por quê, você precisa entender o ponto enfatizado pela reportagem do "The Los Angeles Times": o setor privado não é capaz de reconstruir a região sozinho. O motivo vai além da necessidade de proteção contra inundações e infra-estrutura básica, que apenas o governo pode fornecer. A reconstrução também é impedida por um ciclo vicioso de incerteza. Os donos de negócios relutam em retornar à região do golfo porque não sabem ao certo se seus clientes e funcionários voltarão também. E as famílias relutam em voltar porque não sabem ao certo se as empresas estarão lá para fornecer empregos e suprimentos básicos.

Um plano de reconstrução crível poderia transformar este ciclo vicioso em um ciclo virtuoso, no qual todos esperam uma recuperação regional e, ao agirem de acordo com tal expectativa, ajudam tal recuperação a se concretizar. Mas à medida que os meses passam sem um plano ou dinheiro, as empresas e famílias tomarão decisões permanentes de se mudarem para outro lugar, e a perda da fé na recuperação da região do golfo se tornará uma profecia que se autocumprirá.

Engraçado, não é? Durante a campanha de 2000, Bush prometeu evitar a "construção de nações". E ele tem cumprido. Ele fracassou em reconstruir o Iraque por ter esperado demais para começar. E agora está fazendo a mesma coisa aqui em casa. Presidente fracassa na recuperação da área atingida pelo furacão Katrina da mesma forma que fracassou na reconstrução do Iraque George El Khouri Andolfato

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