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09/12/2005

Uma câmera que tem tudo? Bem, quase

The New York Times
David Pogue*

Colunista de tecnologia
Em uma recente conferência de tecnologia, uma executiva de uma empresa de eletrônicos se mostrava cada vez irritada com suas rivais.

"E há a Sony", disse ela em uma roda de conversa entre os seminários. "A abordagem deles é colocar no mercado todos os produtos que sonham e ver o que pega."

Era para ser um insulto? Algumas pessoas poderiam chamar a abordagem da Sony de chave para a inovação --e uma estratégia bem mais provável de promover o avanço na indústria do que a da sra. Irritada.

Neste mês, por exemplo, a Sony começou a enviar para as lojas uma câmera digital de US$ 1.000, a R1, que destrói uma antiga lei da fotografia digital. A compreensão de seu significado exige a leitura de quatro dos parágrafos mais técnicos que você lerá o dia todo, mas vale a pena.

Até a chegada a R1, as câmeras digitais caíam em duas categorias: compactas e modelos SLR (single-lens-reflex, monorreflex) digitais. As compactas são maravilhosas porque são baratas, convenientes e de bolso. Mas as SLRs digitais, como a Canon Digital Rebel e a Nikon D50, tiram fotos muito superiores. O sensor de luz dentro deste modelos maiores é gigantesco --10 vezes o tamanho dos sensores de uma câmera compacta típica, para uma sensibilidade de luz 10 vezes maior. Você obtém detalhes mais nítidos, cores mais precisas e fotos menos granuladas à pouca luz.

Infelizmente, tal design também priva você do grande prazer e vantagem da fotografia digital: enquadrar suas fotos usando a tela de vídeo da câmera. Em uma câmera compacta, esta tela mostra basicamente a foto antes de você tirá-la. Mas em uma SLR digital, você precisa erguer a câmera até o olho e espiar pelo pequeno visor óptico. A tela permanece escura enquanto você tira fotos. (Na verdade, você só usa a tela para rever as fotos tiradas.)

Agora, antes que tenha início a campanha de redação de cartas, é importante reconhecer que muitos fotógrafos preferem compor as fotos usando o visor óptico. Afinal, um vidro puro oferece uma visão mais clara do tema do que qualquer tela de LCD.

Mas há certos fotógrafos digitais amadores que questionam esta lei da fotografia digital. Por que uma câmera com um sensor grande não pode oferecer um preview ao vivo na tela?

O enorme sensor é o responsável. Para fornecer um preview em vídeo ao vivo na tela, o sensor teria que ficar ativado o tempo todo, devorando a energia da bateria, aquecendo o interior da câmera e exigindo um circuito mais potente.

"Mas nós somos a maior empresa de eletrônicos do mundo --raios, nós projetamos sensores para alguns de nossos rivais", a Sony deve ter dito. "Certamente nós encontraremos uma solução para este problema."

E a Sony encontrou. Ela reprojetou o sensor do zero, com considerações de consumo de energia e aquecimento no alto da lista de prioridades. Este novo componente pode ser alimentado em tempo integral sem estragar seu dia, porque consome apenas um décimo da eletricidade que seria necessária para um sensor padrão do seu tamanho.

A câmera resultante, a R1, é uma híbrida. Como uma compacta, sua tela permanece ativa enquanto você está fotografando. Mas como uma SLR, ela tem um sensor imenso em seu interior, 21,5 x 14,4 mm. (Para aqueles que estão tomando nota, um sensor típico de câmera compacta mede 5,7 x 4,2 mm.) A R1 captura fotos de 10,3 megapixels, bom o bastante para prints em tamanho de pôster em alta resolução.

As fotos são espetaculares. Como você pode ver pelas amostras no http://www.nytimes.com/circuits, os detalhes e cores são de tirar o fôlego. Você pode facilmente executar aquele truque dos profissionais de borrar o fundo (ou primeiro plano) ao mesmo tempo em que mantém o tema com foco nítido, algo que é difícil com câmeras compactas. E exceto com pouca luminosidade, esta câmera está livre do atraso do obturador, o atraso incômodo entre o apertar do botão e o registro da foto.

Agora que você praticamente ganhou um Ph.D. em design de câmera, você está pronto para ler sobre o próximo avanço: em uma verdadeira SLR, espiar pelo visor permite que você veja através de lentes, graças a um dispositivo de espelho e prisma em seu interior. Quando você tira a foto, o espelho vira momentaneamente para que a luz atinja o sensor em vez do seu olho.

Mas a tela da R1 sempre mostra o que a lente está vendo -na verdade, seu mostrador até mesmo incorpora a exposição, balanceamento de branco e outras características da foto final- de forma que nada deste aparato é necessário. Ao eliminar o espelho e o prisma, a Sony foi capaz de aproximar o cilindro da lente a 2 mm do sensor de luz.

E o que isto significa? Este posicionamento permite a você um ângulo mais aberto quando você recua (zoom out). A R1 oferece algo que nunca antes foi possível em uma câmera de sensor grande: um grande angular (24 mm) equivalente às lentes básicas, capaz de registrar um grupo maior de pessoas, interiores mais amplos ou mais do Grand Canyon. E sem mudar de lente, a R1 permite m zoom de 5X (equivalente a 120 mm). Diferente das medições de comprimento focal de outras digitais, estas são verdadeiras câmeras equivalentes a 35 mm que não precisam ser multiplicadas, digamos, por 1,5.

Fiel à sua herança SLR, a R1 é grande, preta e pesada (1 quilo); os fabricantes de estojos de câmeras já estão lambendo os beiços. Mas ela não se parece muito com suas concorrentes. Seu hand grip (a área em que você a segura) é incomumente bastante afastado do corpo -um arranjo altamente confortável, apesar da aparência estranha.

A tela é montada no topo, não atrás. Para abri-la, você precisa virá-la para cima e rodá-la na sua direção, o que é desajeitado. Mas a vantagem é que você pode dobrar ou girar a tela em quase qualquer ângulo -até mesmo contra o topo da câmera- o que facilita fotografar acima de multidões (em desfiles) ou mesmo na altura do chão (animais de estimação e bebês).

O corpo imenso permite fácil acesso aos botões e controles, e fornece espaço para uma bateria maior (500 fotos, completo com mostrador de "minutos restantes") e cartões de memória de dois formatos diferentes: Memory Stick e Compact Flash.

Se fosse apenas isto, a R1 já seria uma candidata importante para qualquer um que está pensando em adquirir uma SLR digital. Mas como diz o ditado, você não pode fazer um bolo sem quebrar alguns ovos -e você não pode chegar a um novo design de câmera de ponta sem sacrificar algo.

O primeiro sacrifício está ligado às lentes: as da R1 está fixadas de forma permanente. São lentes ótimas, mas você não pode removê-las e trocá-la por uma telefoto, macro ou mesmo lentes grande angulares, como pode em uma verdadeira SLR.

O segundo sacrifício está ligado à tela rotatória; ela não é o melhor trabalho da Sony. Nesta era de telas para câmeras digitais de 2,5 a 3 polegadas, ela parece pequena (2 polegadas). Sua clareza e suavidade no movimento também são decepcionantes.

E não tente dar uma de esperto optando por olhar pelo visor; nesta câmera, você apenas terá um segundo mostrador eletrônico, não uma lente de vidro clara à frente. Além disso, você se sentirá culpado olhando pelo visor, já que não é a tela com preview ao vivo um dos principais motivos para você ter comprado a R1?

Você também sacrifica o modo de captura de vídeo, que a Sony omitiu por um bom motivo, e um bom modo de close; o mais perto que esta câmera pode chegar de seu tema é 33 centímetros. Você também ficará cabisbaixo ao saber que o modo burst da R1 -fotos em seqüência em alta velocidade enquanto você estiver apertando o botão, um truque útil para esportes e crianças que não colaboram- dispara um mísero máximo de três fotos por burst.

Finalmente, a Sony foi terrivelmente mesquinha com seu mostrador de modo. Ele oferece ajustes para controles avançados (abertura e prioridade do obturador, por exemplo), mas poucos presets para cenas comuns, como esportes, paisagem e macro.

Sim, você pode argumentar que qualquer um que gaste US$ 1.000 em uma câmera provavelmente sabe como usar os controles manuais projetados para a câmera, sem necessitar de tais presets. Mas novamente, qualquer um que gaste US$ 1.000 provavelmente esperará um melhor modo burst e lentes intercambiáveis. Neste sentido, a R1 passa sinais ambíguos, como se não fosse apenas uma câmera híbrida, mas sim uma projetada para um fotógrafo híbrido.

Mas não se preocupe com isto. Mesmo que você não compre a R1, você poderá muito bem comprar sua neta em 2008 ou 2010. Por este motivo, mesmo as rivais da Sony deveriam ser gratas à filosofia "ver o que pega" da Sony. O principal avanço da R1 é um chip radicalmente repensado, de baixo consumo, que lhe permite fotos realmente brilhantes. E sabe o que acontecerá? Vai pegar.

*A crítica em vídeo da Sony R1 está no endereço http://www.nytimes.com/circuits. A R1 captura fotos de 10,3 megapixels, bom o bastante para prints em tamanho de pôster em alta resolução George El Khouri Andolfato

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