UOL Notícias Internacional
 

11/12/2005

Qual é o retorno da educação?

The New York Times
Anna Bernasek

Coluna "Economic View"
Sócrates disse que quanto mais aprendia, mais ficava convencido de sua própria ignorância. É um sentimento familiar para qualquer um que tente entender o sistema educacional americano.

Neste ano letivo, grande parte de US$ 1 trilhão será gasto em educação nos Estados Unidos. Este é um gasto elevado, próximo de 10% da economia geral. Mas qual é exatamente o retorno de todo este dinheiro?

Apesar dos custos serem relativamente simples de calcular, os benefícios da educação são mais difíceis de somar.

Muito do que a nação deseja de suas escolas não tem nada a ver com dinheiro. Considere os benefícios sociais e culturais, por exemplo: fazer amigos, aprender regras e normas sociais e a compreensão dos deveres cívicos.

Mas alguns dos benefícios mais procurados da educação são econômicos. Conhecimento especializado e técnico, por exemplo, levam a rendas maiores, maior produtividade e geração de idéias valiosas.

Tais benefícios são vitais para o crescimento da nação. Nos últimos anos, os americanos se tornaram profundamente cientes do impacto da educação à medida que trabalhadores recém formados da China e da Índia passaram a competir por bons empregos antes mantidos nos Estados Unidos.

É principalmente um problema de medição. Os economistas tentam há décadas quantificar o impacto da educação. Eles não têm todas as respostas, mas seu trabalho pode esclarecer um pouco o que os americanos estão recebendo por seu investimento. Tal informação pode servir como base para debates sobre quanto o governo deve gastar em educação e o que deve ficar por conta dos indivíduos.

Vamos começar por aquilo em que os economistas estão confiantes: o retorno para os indivíduos. Medindo a relação entre o número de anos de escolaridade e a renda obtida no mercado de trabalho, os economistas acham que têm uma boa idéia do que vale.

Alan B. Krueger, um professor de economia de Princeton, disse que a evidência sugere que, até certa altura, um ano adicional de escolaridade provavelmente aumenta os rendimentos de um indivíduo em cerca de 10%.

Para alguém que ganha a renda média nacional doméstica de US$ 42 mil, um ano extra de treinamento pode fornecer US$ 4.200 adicionais por ano. Ao longo de uma carreira, isto poderia facilmente somar US$ 30 mil ou US$ 40 mil ao valor atual. Se um ano de educação custar menos que isto, há um ganho líquido.

O retorno, é claro, varia de forma individual. Um ano a mais de educação não trará o mesmo benefício a todos. E os recursos escolares também importam. Segundo estudos de Krueger e outros, o tamanho da classe, a qualidade dos professores e o tamanho da escola pode influir no resultado. Eles descobriram que o efeito de escolas melhores é mais pronunciado em estudantes menos dotados.

Há menos certeza quanto ao quadro geral. Isto ocorre em parte porque os benefícios da educação se acumulam gradualmente à economia, freqüentemente aparecendo anos depois do ensino ter sido concluído. Outro problema é a dificuldade em quantificar os benefícios indiretos. Um desconhecido, por exemplo, é o grau em que a educação formal promove novas idéias comerciais e avanços tecnológicos.

Apesar de haver pouca dúvida de que há benefícios, tal desafio de medição levou a grandes mudanças nas conclusões dos estudos econômicos ao longo do tempo. No início dos anos 90, economistas calcularam grandes recompensas econômicas para o investimento adicional em educação. Uma década depois, as conclusões eram diferentes: estudos sugeriam que apesar de um indivíduo poder ter vantagem sobre outro por meio de maior educação, pode não haver um benefício econômico geral.

Hoje, os economistas suspeitam que a verdade está em algum ponto no meio. Jonathan Temple, um economista da Universidade de Bristol, na Inglaterra, disse que a tendência da pesquisa está voltando na direção da conclusão anterior. As mais recentes tentativas de quantificar o impacto da educação no crescimento econômico total tendem a concluir que ele é pelo menos tão significativo quanto o medido para os indivíduos.

Como os benefícios indiretos não podem ser contados precisamente, Temple suspeita de um impacto ainda maior. Na medida em que a educação amplia a produtividade do trabalhador, há um claro benefício para a economia.

Dois economistas de Harvard, Lawrence F. Katz e Claudia Goldin, estudaram o efeito do aumento da escolaridade na força de trabalho americana de 1915 a 1999. Eles estimaram que estes ganhos resultaram diretamente em pelo menos 23% de crescimento geral na produtividade, ou por volta de 10% de crescimento no produto interno bruto.

O fator mais importante foi a adoção de um ensino médio universal de 1910 a 1940. Ele expandiu a escolaridade da força de trabalho mais rapidamente do que em qualquer outro momento na história da nação, criando benefícios econômicos que se estenderam muito além, até o restante do século, segundo Katz e Goldin. Isto colocou os Estados Unidos à frente de outros países em educação e criou a fundação para a expansão do ensino superior.

Hoje, mais americanos freqüentam universidades do que nunca, mas o resto do mundo está tirando a diferença. A antes grande diferença de escolaridade entre os Estados Unidos e outros países está sendo eliminada -tornando cada vez mais importante o entendimento do que a educação realmente vale para um país.

Se os economistas estiverem certos, não se trata apenas de parte do custo para manter uma democracia funcional, mas uma fonte de criação de riqueza para todos. Isto significa que o investimento na educação de cada americano é do interesse de todos.

Ainda assim, nós ainda estamos longe de podermos julgar o nível correto de gastos em educação -e como consegui-lo. Com o diploma superior cada vez mais importante, o custo do ensino superior está subindo acentuadamente, criando um crescente estresse para muitas famílias americanas. Com mais estudo, os pesquisadores poderão identificar formas para reduzir os custos aumentando ao mesmo tempo o retorno da educação.

Seguindo o exemplo de Sócrates, o primeiro passo pode ser reconhecer o que não sabemos. George El Khouri Andolfato

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