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13/12/2005

Quem tem calores noturnos ganha roupa especial

The New York Times
Mary Duenwald

Em Nova York
Segundo os padrões da moda, os pijamas para "calores noturnos" não são glamourosos. Mas eles têm uma boa chance de durar mais que uma breve temporada. Pelo menos cinco marcas surgiram nos últimos cinco anos e, talvez em conseqüência da expansão das fileiras de mulheres de 50 anos, as vendas estão crescendo depressa.

As várias inventoras desse novo traje de dormir parecem ter tido basicamente o mesmo momento de "eureca" --em uma noite em que elas próprias começaram a ter acessos de calor. Eram todas mulheres ativas e saudáveis, com anos de experiência com transpiração. E perceberam que as flutuações de temperatura na menopausa exigiam os mesmos tecidos absorventes que usavam em corridas, caminhadas ou ginástica.

"Quando comecei a ter acessos de calor, trocava de camiseta a noite toda", disse Wendy McClung, co-fundadora da HotCool Wear, em Toronto (Canadá), que começou a fabricar os pijamas Hot Mama em 2000. "Certa noite peguei uma das minhas camisetas de corrida e pensei: 'Meu Deus, isso é que é dormir'".

Os trajes de dormir Hot Mama são feitos de CoolMax, um tecido de poliéster usado em roupas de ginástica, refinado para ficar leve e macio como flanela de algodão. O pijama Wicking J., de uma companhia de Evergreen, Colorado, usa um tecido semelhante chamado Intera. E a Wildbleu, de Seattle, usa um chamado Dri-release. As fibras de poliéster são projetadas para retirar o suor do corpo e permitir que ele evapore rapidamente, diz Helen Rockey, fundadora da Wildbleu.

Se isso permite uma noite mais bem dormida é outra história, que é mais difícil de responder porque não está claro se os acessos de calor perturbam o sono das mulheres na menopausa tanto quanto elas pensam. Pesquisas de laboratório recentes encontraram surpreendentemente poucas conexões entre os calores e a qualidade do sono.

Um estudo de 2004 realizado na Universidade Estadual Wayne em Detroit examinou a qualidade do sono de 31 mulheres de 46 a 51 anos, 12 delas sofrendo em média cinco acessos de calor por noite. Às vezes os acessos as acordavam, mas geralmente era o contrário.

"Elas acordavam primeiro e depois sentiam calor", disse Robert R. Freedman, professor de psiquiatria, obstetrícia e ginecologia, que conduziu o estudo com Timothy A. Roehrs, um pesquisador do sono. "Talvez o fato de acordar é que provocasse o acesso."

Quando os pesquisadores mediram o estado de alerta diurno das participantes do estudo --testando seu tempo de reação, por exemplo, e marcando quanto tempo levavam para cochilar quando eram autorizadas--, descobriram que as mulheres que tinham mais acessos de calor não tinham mais sono do que as que não sentiam calores.

Um estudo com 589 mulheres na Universidade de Wisconsin em 2003 descobriu que as mulheres que relataram calores não tinham uma qualidade de sono pior do que as que não sentiam calores.

Talvez, disseram os pesquisadores, a exaustão de que se queixam com freqüência as mulheres que atingem a menopausa seja causada por outras coisas --como depressão, dor ou vários desconfortos que costumam acompanhar a idade.

Em um estudo mais recente, ainda inédito, Freedman descobriu que os calores acordavam suas pesquisadas somente na primeira metade da noite, um período de sono de ondas lentas. Na segunda metade da noite, quando as mulheres estavam em REM (movimento rápido dos olhos), ou sono com sonhos, descansavam pacificamente. Quando as mulheres acordavam na segunda metade da noite, o despertar era anterior, mais que posterior, aos acessos de calor.

Por isso Freedman recomenda que as mulheres que sentem calores mantenham seus quartos frescos na primeira metade da noite. "Coloquem o termostato em 18 graus pelas primeiras quatro horas", ele disse. Depois, podem deixar que esquente um pouco.

Os suplementos de estrogênio, hoje tema de debate, são um tratamento eficaz para os calores da menopausa. Mas produtos herbáceos não se mostraram eficazes, segundo um relatório da conferência sobre o estado da ciência dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, deste ano.

Alguns médicos também usam medicamentos sob prescrição como antidepressivos ou para pressão sanguínea para tratar os calores, mas estes podem ter efeitos colaterais.

Quanto aos pijamas permeáveis, o Instituto Good Housekeeping avaliou duas marcas, HotCool Wear e Wicking J., pedindo a várias mulheres na menopausa para usá-los durante uma semana e dar uma nota. Cinco das testadoras disseram que os tecidos as mantiveram mais confortáveis durante e depois dos suores noturnos.

Os pijamas têm estilos variados --camisolas, camisetas, quimonos, conjuntos-- e todos são mais justos que frouxos. "O tecido não funciona se não tocar a pele", explicou McClung.

Os tecidos permeáveis também são resistentes a odores.

Os trajes de dormir Wildbleu são lisos em cores pastel ou estampados; os da Wicking J., só lisos. A HotCool Wear oferece alguns escuros e outros coloridos. As duas últimas também vendem travesseiros. As três marcas são vendidas em pequenas lojas e online em sites como serenecomfort.com.

Os cientistas ainda não sabem exatamente por que ocorrem os calores na menopausa, exceto que eles parecem ser conseqüência da diminuição da sensibilidade do corpo ao estrogênio nos anos imediatamente anteriores e posteriores à menopausa.

É uma espécie de reposicionamento do termostato, onde há menos variação de temperatura entre suar e tremer de frio", disse o dr. Rogerio Lobo, professor de obstetrícia e ginecologia na Universidade Columbia.

39 acessos em 24 horas

Cerca de 80% das mulheres têm acessos de calor no início da menopausa, segundo uma ampla pesquisa realizada na Holanda em 1993. No momento de pico, as mulheres podem ter meia dúzia de acessos por dia e o mesmo número à noite, dizem os médicos, embora a freqüência varie muito.

A recordista entre as estudadas por Freedman teve 39 acessos em 24 horas.

Os calores geralmente diminuem de intensidade e freqüência nos dois ou três anos após a menopausa, mas cerca da metade das mulheres ainda tem acessos suaves até dez anos depois, segundo a pesquisa holandesa.

Ao medir a temperatura e a transpiração de mulheres que sentiam calores, Freedman observou que a temperatura central do corpo começa a aumentar até 17 minutos antes de a mulher sentir calor. Seu índice metabólico aumenta dois ou três minutos antes e a temperatura da pele também aumenta 30 a 45 segundos antes da sensação.

Um acesso de calor típico dura de dois a cinco minutos, embora em algumas mulheres eles possam continuar por até dez minutos. Os acessos refrescam o corpo, por isso depois a mulher pode sentir frio.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, até 2030 cerca de 1,2 bilhão de mulheres terão atingido os 50 anos, quando mais ocorrem os acessos de calor, por isso as explicações científicas vêm a calhar. "Se conseguirmos delinear o mecanismo dos acessos de calor, deve significar que podemos desenvolver tratamentos melhores", disse Freedman. Acessos de calor perturbam o sono das mulheres na menopausa Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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