UOL Notícias Internacional
 

13/12/2005

Republicanos não sabem como enfrentar Hillary

The New York Times
Michael Cooper em Albany e

Patrick D. Healy, em Nova York
Depois de meses de brigas e confusões públicas, líderes do Partido Republicano reuniram-se nesta segunda-feira (12/12) e mudaram de curso, instando Jeanine F. Pirro a deixar sua candidatura contra a senadora Hillary Rodham Clinton e concorrer à promotora-geral do Estado no ano que vem.

Pirro, promotora do distrito de Westchester, imediatamente emitiu declaração rejeitando a sugestão, dizendo: "Continuo candidata ao Senado dos EUA, mas respeito muito a opinião dos membros do condado e sua confiança em minha capacidade como candidata a um cargo estadual."

Seis meses antes, muitos dos mesmos líderes republicanos a tinham recrutado para o Senado. A reviravolta assinalou uma desunião crescente dentro do partido no Estado de Nova York, que está correndo o perigo de perder a mansão do governador e sua maioria no Senado estadual em 2006.

Se Pirro finalmente retirar sua candidatura, como esperam muitos líderes do partido, os republicanos ficarão sem qualquer desafiante à altura de Clinton, quando ela tentar se reeleger, antes de uma possível candidatura à presidência em 2008.

Reunida em Colonie, a liderança estadual do partido votou em William F. Weld para concorrer ao governo em 2006. A vitória de Weld, ex-governador de Massachusetts, não foi fácil, porém. Apesar de ter conquistado uma pluralidade dos votos dos líderes dos condados, um grupo ainda maior de líderes absteve-se ou não foi à reunião.

A escolha de Weld foi surpreendente mesmo para alguns republicanos presentes, porque políticos proeminentes em Albany [capital do Estado de Nova York] queriam que o partido esperasse um mês pela possível candidatura de Tom Golisano, bilionário da cidade de Rochester e ex-candidato a governador.

Por outro lado, a decisão de exortar Pirro a retirar-se da campanha pelo Senado vinha se formando há dias, enquanto os líderes do partido procuravam pôr fim a brigas públicas sobre os erros de sua campanha e dar a ela uma chance de salvar sua carreira e reputação concorrendo à Promotoria-Geral. Sua declaração de que permaneceria candidata ao Senado aumentou a sensação entre alguns republicanos de que seu comportamento político está ficando cada vez mais bizarro e imprevisível.

Em uma conferência depois da votação, perguntaram ao diretor do partido no Estado, Stephen J. Minarik III, se Pirro estava morta. "Jeanine Pirro não está morta", ele disse diante das risadas dos líderes do condado. "Ela está viva e respirando. Acho que Jeanine Pirro é ótima candidata para um cargo estadual."

Outros líderes republicanos disseram depois da votação que sua proposta para Pirro não era ilimitada: eles querem que troque de campanha até o final do ano, ou vão considerar outros possíveis candidatos para a Promotoria Geral, como Chauncey G. Parker, assessor de justiça criminal do governador George E. Pataki, ou o senador estadual Michael Balboni.

A nova via de saída para Pirro representa forte mudança para republicanos e é um sinal do enfraquecimento de sua condição, depois de 11 anos de dominação em Albany. Em junho, 46 dos 62 líderes de condados republicanos assinaram uma carta pedindo a Pirro para concorrer contra Clinton; Minarik endossou-a na primavera, e Pataki em outubro.

No entanto, Pirro teve dificuldades para levantar fundos em sua disputa contra Clinton e não conseguiu gerar debates que fizessem as pessoas se esquecerem de suas gafes. Assim, os líderes republicanos se viram forçados a agir para que ela recuperasse sua estatura como figura em ascensão, disseram.

Nas últimas semanas, até mesmo Pirro e seu marido, Albert, lobista proeminente, falaram com membros do partido sobre a possibilidade de ela mudar de campanha. Mas Pirro também acaba de enviar cartas para doadores nacionais para arrecadar fundos e espera angariar centenas de milhares de dólares com essa solicitação, disseram seus assessores. A maior parte, se não todo o dinheiro, seria transferida para a campanha à Promotoria Geral, se quisesse.

Um republicano próximo à Pirro disse que ela ia considerar o pedido dos líderes, mas que não tinha nenhum plano imediato de mudar sua candidatura.

Vários republicanos que participaram da reunião disseram que havia um desejo "avassalador" que Pirro mudasse de disputa. Ela foi eleita promotora do distrito três vezes. O desejo, porém, não equivalia a um endosso, mas era a posição de muitos republicanos em relação a seu passado com justiça criminal e suas dificuldades na disputa pelo Senado.

"Espero que ela ouça a mensagem do partido", disse Jack Casey, principal republicano do condado de Rensselaer, cujo mais poderoso membro eleito, o líder da maioria no Senado Joseph L. Bruno, foi o primeiro a pedir publicamente que Pirro mudasse de candidatura. "Algumas vezes, defendemos candidatos que podem não ser vitoriosos. Então, ouvimos o público, lemos as pesquisas, lemos as notícias e temos que estar sempre abertos a novas informações."

Alguns líderes republicanos disseram que esperavam unir o partido em torno de um candidato para o governo com a votação de segunda-feira. Muitos, porém, saíram dizendo que ia demorar meses para que isso ocorresse. Eles disseram que a questão talvez não seja decidida até a convenção do partido na primavera, ou nas primárias no outono.

Weld --favorito do diretor do partido, Minarik-- conquistou 43% dos votos de peso dos líderes dos condados. Seu maior rival, John J. Faso, ex-vereador e candidato a contador do Estado, ficou com 10% dos votos e Randy A. Daneiles, ex-secretário de Estado, com 1%. Mas 45% dos votos de peso foram abstenções ou ausências. E Faso observa que em termos de números, houve um empate, já que Weld e ele tiveram os votos de 23 líderes de condados.

Weld, que teve amplo suporte dos líderes que de fato votaram, disse em entrevista telefônica que seus patrocinadores nos eventos de levantamento de fundos que faria durante o dia ficariam animados com sua vitória. Ele planeja fazer vários discursos no futuro próximo sobre coisas como Medicaid e reforma das pensões.

Alguns líderes que se abstiveram disseram que ainda preferiam ver se Golisano, bilionário que poderia financiar sua própria campanha, planejava entrar na disputa. Bruno, líder da maioria republicana, flertou com a candidatura de Golisano, apesar de seus inúmeros ataques a Pataki terem feito dele um anátema para muitos dos leais ao atuais governador.

Antes de os republicanos reunirem-se a portas fechadas no Marriott de Colonie, Weld enfrentou perguntas de repórteres em uma conferência com a imprensa sobre sua direção no Decker College, uma escola vocacional em Kentucky que pediu falência e está sendo investigada por agências estaduais e federais, inclusive o FBI. Ele respondeu que não era um alvo das investigações. "Tinha orgulho do programa", disse ele.

Membros do Partido Democrata fizeram pouco do conclave durante o dia, enviando mensagens eletrônicas provocativas que questionavam o "processo aberto" de votação republicana que aconteceu em privado. Depois, o diretor do Partido Democrata, Herman D. Farrell Jr., atirou diretamente nos problemas recentes de Weld.

"No mesmo dia em que Bill Weld foi questionado pelos repórteres sobre como levou uma escola vocacional à falência e sobre acusações de fraude federais neste verão, nenhum candidato ao governo pelo Partido Republicano foi capaz de obter a maioria das cadeiras do partido", disse Farrell. Líderes do partido em NY exortam Pirro a deixar corrida ao Senado Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    15h39

    0,53
    3,164
    Outras moedas
  • Bovespa

    15h46

    0,68
    65.543,22
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host