UOL Notícias Internacional
 

15/12/2005

Bush defende estratégia para o Iraque na véspera das eleições parlamentares

The New York Times
Richard W. Stevenson

Em Washington
Um dia antes das primeiras eleições parlamentares do Iraque, o presidente Bush disse na quarta-feira (14/12) que os americanos precisam permanecer pacientes e devem esperar mais derramamento de sangue enquanto os iraquianos lutam para obter estabilidade e democracia.

Nos últimos quatro discursos expondo sua estratégia para vencer a guerra e trazer as tropas americanas de volta para casa, Bush adotou um tom realista e reconheceu mais diretamente do que antes que sua decisão de invadir o Iraque foi baseada em parte em inteligência falha.

Mas ele não cedeu aos críticos que dizem que a guerra foi um erro, apontando que o Iraque está às vésperas de eleger o que disse ser a única democracia constitucional no mundo árabe. Falando para uma platéia convidada de eruditos, membros do Congresso e diplomatas em Washington, Bush se manteve firme na resistência aos pedidos, principalmente dos democratas, de um prazo para a retirada e reiterou sua crença de que o Iraque no final emergirá como uma fonte de liberdade no Oriente Médio.

Os rebeldes no Iraque "não vão desistir por causa de uma eleição bem-sucedida", disse Bush. "Eles sabem que assim que a democracia se enraizar no Iraque, sua ideologia de ódio sofrerá um golpe devastador. Então podemos esperar a continuidade da violência."

As eleições, disse Bush, serão seguidas por "dias de incerteza" e talvez semanas de contagem de votos que poderão manter o resultado desconhecido até o próximo mês. Ele não disse se as eleições de quinta-feira permitirão que os Estados Unidos comecem a reduzir sua presença militar no Iraque.

Em vez disso, ele citou indiretamente a sensação entre muitos analistas políticos estrangeiros e alguns funcionários do governo de que poderá levar seis meses para que seja possível julgar se os iraquianos estabeleceram um governo viável e se estão em um caminho que poderá levar a uma retirada americana gradual.

"O trabalho à frente exigirá paciência do povo iraquiano e também exigirá nossa paciência", disse Bush. "Mas devemos nos lembrar de que um Iraque livre é do nosso interesse, porque um Iraque livre será um farol de esperança. E à medida que o Oriente Médio crescer em liberdade, o povo americano ficará mais seguro e nossa nação será mais segura."

O discurso resumiu os temas que Bush estabeleceu, nas últimas semanas, em três discursos anteriores sobre Iraque e terrorismo. Como antes, ele aproveitou a ocasião para falar mais francamente do que o normal, mesmo que de forma limitada, sobre erros. Ao fazê-lo, ele deu continuidade ao que parece ser um esforço da Casa Branca de reconhecer o descontentamento popular com a guerra e mostrar ao mesmo tempo Bush como determinado a levá-la até o fim e otimista com o resultado.

Respondendo aos críticos que disseram que a guerra no Iraque foi uma guerra por opção, que distraiu do esforço de enfrentar o terrorismo radical do Islã, Bush disse que os Estados Unidos "não escolheram a guerra -a escolha foi de Saddam Hussein".

Mas segundos depois, o presidente ofereceu uma versão ligeiramente diferente. Falando dos relatórios de inteligência sobre os programas de armas de Saddam Hussein, que foram o ponto central do argumento para a invasão no Iraque, Bush disse: "E é verdade que grande parte da inteligência provou ser errada. Como presidente, eu sou responsável pela decisão de ir ao Iraque e também sou responsável por consertar o que saiu errado, reformando nossa capacidade de inteligência."

Antes do discurso, Bush agiu de forma incomum ao convidar um grupo de democratas da Câmara à Casa Branca para um briefing sobre a guerra. Cerca de 17 democratas passaram uma hora na Sala Roosevelt com o presidente, o vice-presidente Dick Cheney, o secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld, o general Peter Pace, que é chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, e, via satélite do Iraque, com o embaixador Zalmay Khalilzad e o general George W. Casey Jr., o comandante das forças americanas no Iraque.

O deputado Steve Israel, democrata de Nova York, disse que foi sua primeira reunião com o presidente desde antes da guerra e ela foi "bem mais sóbria e mais franca" do que a última. "Eu não ouvi sobre uma mudança de estratégia nesta reunião", disse ele. "Mas definitivamente ouvi uma clara mudança de tom. Eu saí desta reunião com a sensação de que a Casa Branca está começando a aceitar os erros que cometeu. Francamente, eu acho que isto é de ajuda para seguir em frente."

Os líderes democratas, apesar de divididos sobre quão rapidamente deve ser a redução da presença militar americana no Iraque, mantiveram sua campanha de atacar Bush com afirmações de que ele exagerou a inteligência para justificar a guerra e exigir dele referenciais mais concretos no caminho para retiradas das tropas.

"Após quatro discursos, nós ainda não sabemos quais são os marcos políticos, econômicos e militares que devem ser atingidos e qual o prazo para atingi-los", disse o senador Harry Reid, democrata de Nevada, o líder da minoria no Senado. Presidente aos americanos que tenham paciência com a guerra George El Khouri Andolfato

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