UOL Notícias Internacional
 

16/12/2005

Farolitos iluminam o Natal em Santa Fé

The New York Times
Patrícia Leigh Brown

Em Santa Fé, Novo México
Primeiro, tem o cheiro. Talvez nada defina tão bem o Natal em Santa Fé quanto o aroma apimentado de pinho no ar limpo da noite, a temperatura em torno de um dígito. Uma guirlanda de calor se estende das lareiras de tijolo falso em modestos aquecedores até as lareiras esculpidas nos cantos das galerias de arte em Canyon Road.

É adequado que o vermelho e o verde sejam as cores da estação.

Rick Scibelli Jr./The New York Times 
Lanternas natalinas decoram prédios históricos na cidade

Há 25 anos que passo o Natal visitando a família em Santa Fé. O espírito da estação começa na viagem do aeroporto de Albuquerque pela I-25, onde os pinheiros plantados na auto-estrada brilham com enfeites escandalosos -um gesto de generosidade de moradores anônimos, que enfrentam os carros correndo a 130 km/h para fazer um ato radical de beleza pública.

Algumas pessoas chegam até a comparar os grandes horizontes do deserto do Norte do Novo México com a Terra Santa. Mas a Terra Santa não tem "posole" -o tradicional ensopado de porco e milho do Novo México- nem "tamales", "tortillas" de milho azul ou "bizcochitos", os minúsculos biscoitos de Natal que têm a estranha honra de serem o biscoito oficial do Estado do Novo México.

Santa Fé muitas vezes exagera (por exemplo, a preponderância infeliz de cachorros com antenas de luzes de Natal). No entanto, é um lugar de ritual, no qual a mistura única da região das culturas indígenas e hispânicas gerou tradições que parecem estar a séculos de distância do Home Depot USA.

Na noite de Natal, lanternas simples de velas firmadas com areia dentro de sacolas de papel são colocadas em centenas de telhados, transformando prédios históricos em silhuetas luminosas.

Por algumas horas naquela noite, durante o famoso passeio do farolito, em geral em um frio tremendo, os carros são proibidos, as luzes das ruas são desligadas e o pulso da vida moderna se aquieta.

Enquanto os turistas lotam a Canyon Road, o gueto de galerias de arte da cidade, os moradores descem por ruas históricas como Acequia Madre, espontaneamente entoando cantigas natalinas, e agrupam-se em torno de fogueiras fragrantes de pinho.

Na Plaza Fátima, uma rua lateral escondida com paredes de barro dá em um quintal, onde as crianças ficam hipnotizadas com o trem lanterna --"farolito". Depois, tem as lanternas que voam --tetraedros de luz que passam como cometas pelo céu, trabalho evanescente de Arvo Thomson, um alemão que faz as instalações solares.

Rick Scibelli Jr./The New York Times 
Farolitos disputam com o pôr-do-sol do Novo México a atenção do turista

Como grande parte de Santa Fé, os farolitos são de fato modernos, parte do "mito de Santa Fé", nas palavras do historiador arquitetônico Chris Wilson. No início do século, uma associação de arquitetos, artistas, arqueólogos e agentes turísticos decretou que as paredes de adobe de Santa Fé deviam ser mantidas, o que depois se tornou lei.

Atualmente há, inclusive, complexos grandes habitados por pessoas ricas que andam de BMW enquanto fantasiam em viver em povoados indígenas. Os farolitos foram criados em 1971, por um grupo de associações de bairro, celebrando uma determinação de zoneamento contra o desenvolvimento desordenado.

Um debate hoje é travado em torno dos "electro-litos", lanternas elétricas que cobrem a praça da cidade e a maior parte dos hotéis. "Não têm valor estético. São como uma tampa de refrigerante em uma garrafa de vinho", disse John Pen La Farge, nascido em Santa Fé e filho do escritor Oliver La Farge.

É como diz uma velha piada sobre esta comunidade que faz fetiche da história, especialmente da sua:

Pergunta: Quantos moradores de Santa Fé são necessários para trocar uma lâmpada?

Resposta: Um para subir na escada e colocar a lâmpada e quatro para ficar em volta dizendo que preferiam como estava antes.

A preservação das tradições da cidade pode fazer a pessoa sentir saudade do Papai Noel inflável e de um alto-falante tocando os grandes sucessos de Natal dos "Chipmunks".O contraponto: pode-se dizer que a força do ritual é maior aqui do que em qualquer outra parte do país. Nas comunidades hispânicas como Bernalillo, ao norte de Albuquerque, e minúsculas aldeias como Santa Cruz de la Canada, perto de Espanola, os nove dias antes do Natal são época de "las posadas", encenações da busca de Maria e Jose por um "quarto na pousada". As apresentações vão de casa em casa, acompanhadas de canções espanholas.

Em Santa Fé, a Catedral de St. Francis, construída entre 1869 e 1886, celebra na Noite de Natal uma série de missas em espanhol e inglês, incluindo uma para as crianças, a missa de meia-noite e uma missa mariachi, na manhã do dia de Natal.

Além da família, o Natal para mim significa uma visita às danças do povoado de Santo Domingo, quando a praça de terra se torna uma produção na escala de Cecil B. de Mille -cerca de 500 dançarinos, animados por um coro de homens com vozes sonoras cujo ritmo parece o coração da terra.

Os moradores que não estão dançando assistem dos telhados e varandas ou em cadeiras de praia, enrolados em cobertores Pendleton lindamente coloridos. Deborah Weinberg

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