UOL Notícias Internacional
 

22/12/2005

Celulares para quem ainda é muito, muito jovem

The New York Times
David Pogue

Colunista de tecnologia do NYT
Que tipo de celular tem seu filho de 5 anos?

Algumas pessoas, sem dúvida, estão chocadas com a própria pergunta. Por que raios uma criança em idade pré-escolar precisaria de um celular? O que aconteceu com a supervisão paterna responsável, por que não ensinar as crianças a fazer por merecer suas recompensas e deixá-las sair para jogar bola?

The New York Times 
O Enfora TicTalk, no alto, usado como walkie-talkie; o Verizon LG Migo, ao centro, e o modelo Firefly
Mas milhões de outros pais vêem um apelo imediato. Eles argumentam que no mundo moderno, a separação de pais e filhos ocorre quase que diariamente, provocada por datas de jogos, atividades extracurriculares, por se perder no shopping, pais trabalhando até tarde e o trânsito entre casais divorciados. Nestas situações, um celular pode servir como calmante.

Mas não um celular tradicional. Segurança é um motivo; você não quer estranhos telefonando para elas e as atraindo a lugares escuros. Complexidade é outro; o céu sabe que há muitos adultos que consideram os celulares modernos exagerados.

E há o custo do serviço. Atualmente, celulares são "telefones de venda", buracos negros para gasto de dinheiro em ringtones, fotos e mensagens de texto.

Não, se você vai dar um celular ao seu filho, é melhor que seja ultra-simples, ultralimitado, ultra-robusto e ultracontrolado pelos pais.

Em outras palavras, algo como o TicTalk da Enfora, o Firefly ou o LG Migo da Verizon. Cada um deles só pode discar um punhado de números que você, o guardião sabe-tudo, programou. Eles foram projetados exclusivamente para chamada de voz; eles não podem fazer o download de ringtones, não podem enviar mensagens de texto, e-mail, tirar fotos, checar mensagem de voz ou se conectar à Internet.

O Firefly, por exemplo, é uma cápsula minúscula, de aspecto bacana envolta em plástico translúcido azul (US$ 50 considerado o desconto e um contrato de dois anos com a Cingular, ou US$ 100 na Target ou fireflymobile.com). Dois botões grandes exibem símbolos semelhantes aos de gênero em banheiros públicos. Uma criança perdida ou sozinha pode apertar o botão com símbolo de mulher e então Talk (conversar) e pronto: mamãe está na Linha 1.

Um botão com ícone de livro chama uma lista de 20 números adicionais, cada um identificado por um rótulo com uma palavra (celulardopai, vovó e assim por diante). Também há um pequeno botão de emergência na lateral que, quando pressionado por vários segundos e então confirmado pelo botão Talk, disca 911 (emergência, 190 no Brasil).

Fora isto, seu jovem futuro executivo não pode falar com ninguém mais. Na verdade, você pode até limitar o número de chamadas recebidas dos números pré-programados.

Cada número pode acionar um ringtone diferente, de uma única nota, e uma cor de fundo diferente na tela LCD. Há também um botão Firefly que não faz nada exceto iniciar um pequeno show de luzes multicoloridas que brilham pelo invólucro.

O Migo da Verizon (US$ 100 por um contrato de dois anos) também tem uma ótima aparência e uma cápsula diminuta para mãos pequenas. Em vez de ícones Papai e Mamãe, ele tem quatro botões grandes rotulados 1, 2, 3 e 4. Seu filho terá apenas que aprender qual botão disca para cada pessoa.

Mas fazendo todos parecerem pequenos, se encontra um botão central pré-programado para discar 911. Pode ser uma jogada de marketing visando acalmar pais neuróticos, mas é uma péssima opção tecnológica; seu filho viverá apavorado de apertá-lo por acidente. Se você for esperto, você explorará a opção de reprogramá-lo para discar para você, o tornando, na prática, um quinto botão de discagem rápida.

O Migo é de longe o que mais se parece com um celular do grupo. Ele tem viva voz, modo vibratório, ringtones polifônicos e uma qualidade de som muito melhor do que a dos concorrentes. É também um telefone da Verizon, o que significa que tem uma maior chance de funcionar em qualquer lugar no país. (Mas quem se importa com cobertura nacional em um telefone para criança, desde que funcione no seu bairro? Mesmo atualmente, é raro ver uma criança desacompanhada fazendo viagens de negócios.)

Mas os pais devem saber que o Migo recebe todas as chamadas, não apenas aquelas dos números de sua própria agenda. Qualquer um pode ligar para ele. Por um lado, crianças espertas podem contornar todas as limitações paternas simplesmente pedindo para que a ligação seja feita pelos amigos. Por outro lado, significa que você pode falar com seus queridinhos mesmo quando não estiver em seu telefone habitual.

O terceiro telefone para crianças, o TicTalk (US$ 100), adota uma abordagem radicalmente diferente. Ele não se parece em nada com um telefone; na verdade, ele mais se parece com um cronômetro -do tipo barato, de plástico. Você deve segurá-lo como um walkie-talkie, não até sua cabeça. (E se você segurá-lo próximo da cabeça, um chiado eletrostático alto interfere na comunicação.)

O TicTalk não é para os mais velhos; é um telefone para os jovens nerds. Você nunca viu um sistema operacional de telefone menos eficiente. São necessários dois passos apenas para ligá-lo.

Mas isto não é nada comparado ao incômodo para se fazer uma ligação (não há botões de discagem rápida). Você aperta dois botões sem rótulos para chamar o menu principal, rolar duas vezes para acentuar "Telefonar-Qualquer hora" em um menu, apertar o botão de rolar para abrir uma lista de números pré-programados (até 12), rolar até aquele para o qual você quer telefonar e finalmente apertar o botão de rolar para discar. Tente lembrar como fazer tudo isto enquanto você está perdido, correndo atrás do ônibus que você perdeu ou sendo seqüestrado.

Na verdade, a missão principal do TicTalk não tem nada a ver com emergências. Em vez disso, ele foi projetado, acredite se quiser, como uma ferramenta educacional. Ele tem seis jogos simples de matemática, de soletrar palavras e de ciências com gráficos ao estilo Space Invaders, assim como instruções faladas gravadas. Placares elevados concedem "minutos a mais" que são bons para tempo de ligação não essencial gasto com conversa com amigos. (Uma agenda separada, aprovada pelos pais, lista até 10 destes contatos secundários.) É o celular versão "sem sobremesa até que você coma seu brócolis".

Agora, o leitor atento já pode estar pensando: "Espera aí. Se não há teclado numérico, como você vai dar entrada nos números aprovados?"

O site do TicTalk (mytictalk.com) permite que você digite os números de telefone autorizados usando o teclado do computador. Suas mudanças aparecem magicamente no telefone um minuto depois.

O site também permite que você estabeleça horas fora do limite -de forma que o telefone não funcionará durante o horário escolar, por exemplo, e as chamadas de recompensa terminam na hora de dormir. Você também pode inserir palavras no jogo de Forca do TicTalk, programar itens "Para Fazer" ou "Calendário" (que aparecem quando o telefone é ligado), ou mesmo enviar mensagens de texto unidirecionais ao telefone ("O Grande Irmão está observando você! Com amor, Papai").

Programar o Migo e o Firefly não exige um computador, mas isto não é necessariamente algo bom. Em vez disso, você precisa inserir os nomes e números diretamente no telefone -que, não se esqueça, não possuem um teclado numérico. No Firefly, você navega por números e letras do alfabeto pressionando os botões Menor e Maior cerca de seis mil vezes; no Migo, você usa os botões 1, 2, 3 e 4, pressionado cada um várias vezes para navegar por um conjunto de números e letras. Para entrar no número de ligação gratuita da Verizon (800-922-0204), por exemplo, você pressiona 3344333111141142. Entendeu?

Todos os três telefones possuem saída para fone de ouvido, o que é um pouco assustador; o mundo pode não estar preparado para crianças de 6 anos realizando sozinhas aquelas conversas dementes em público, como seus pais sem consciência no mundo empresarial ("Não posso fazer nada! Mande fax imediatamente!")

E por falar em maturidade: o Firefly diz que seu telefone é indicado para crianças de "8 a 12 anos". Mas a verdade é que estes telefones não serão aceitos por aqueles para os quais os celulares são símbolo de status, independência e individualidade. Ou, como um adolescente colocou em uma crítica online: "Nenhuma criança em sã consciência andaria com este celular. Ela seria ridicularizada a cada segundo do dia!" De 5 a 10 anos é uma faixa etária mais plausível para estes telefones, como sugerem a Enfora e Verizon. (Novamente, estes telefones limitados, à prova de idiotas, podem também ter apelo junto a adultos tecnofóbicos ou incapacitados.)

Se você já aceitou o conceito de pré-escolares carregando celulares, seu próximo desafio é aceitar o preço. O tempo de conversa no TicTalk é pré-pago e caro: 25 centavos de dólar por minuto. Os minutos expiram a cada 90 dias. Você pode pagar o Firefly com plano pré-pago, plano 25 centavos por minuto, ou assinando um plano de voz comum da Cingular. Para usar o Migo, você assina qualquer plano existente da Verizon; a maioria das pessoas o adicionam ao plano família (isto é, US$ 10 adicionais por mês).

O caráter educativo do TicTalk e função de organizador pessoal pode fornecer encorajamento acadêmico para os fãs de aparelhos; os grandes ícones Mamãe e Papai do Firefly (e as restrições ao recebimento de chamadas) podem torná-lo a melhor aposta para os mais jovens. Mas o estiloso Migo da Verizon oferece a melhor construção, qualidade de som e características de telefone.

Seja qual for que você escolha, você precisará acompanhar o presente com uma conversa sobre responsabilidade, segurança e carinho pelos bens. Este é um brinquedo que não deve ser esquecido no ônibus. George El Khouri Andolfato

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