UOL Notícias Internacional
 

22/12/2005

Greve no transporte de NY continua; governador descarta negociação até volta ao trabalho

The New York Times
Janny Scott e Sewell Chan*

Em Nova York
Enquanto a cidade suportava o segundo dia de greve nos transportes, o custo para os grevistas, negócios e passageiros crescia na quarta-feira (21/12): o governador declarou que não haverá negociações enquanto os grevistas não voltarem ao trabalho; um juiz aumentou a possibilidade de envio dos líderes sindicais para a cadeia; os negócios sofreram e passageiros cansados lidavam com a dura realidade da vida sem ônibus e trens.

Vincent Laforet/The New York Times 
Vista aérea do congestionamento na região da ponte George Washington, que liga o Estado de Nova Jersey a Manhattan, o coração econômico de Nova York
A guerra de retórica em torno da greve entrou em uma fase mais barulhenta e contenciosa, com o chefe do sindicado dos transportes exigindo furiosamente que as espinhosas questões de aposentadoria fossem retiradas da mesa antes de voltarem ao trabalho.

Mas o governador George E. Pataki se juntou ao prefeito Michael R. Bloomberg para dizer que os trabalhadores dos transportes devem encerrar a greve antes que as negociações possam ser retomadas, contradizendo a posição anterior da Autoridade Metropolitana dos Transportes (MTA) de que negociaria a qualquer hora. E na noite de quarta-feira, a MTA tomou a medida incomum de veicular propagandas em televisão pedindo aos trabalhadores que voltem ao trabalho.

Mesmo assim, havia evidência de disposição para um acordo, pelo menos nos bastidores, enquanto ambos os lados se encontravam separadamente com mediadores estaduais --o primeiro passo possível para que a disputa seja levada para arbitragem.

Na Suprema Corte estadual no Brooklyn, o juiz Theodore T. Jones ordenou que três líderes sindicais aparecessem na quinta-feira para enfrentar acusações de desacato criminoso e possível prisão segundo a lei que proíbe greve de funcionários públicos.

Roger Toussaint, o presidente da Local 100 do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes, atacou de forma amarga o prefeito e o governador pelo que chamou de uso de "linguagem ofensiva", aparentemente se referindo à caracterização pelo prefeito da greve dos 33.700 trabalhadores de ônibus e metrô como "egoísta" e "criminosa".

Em um discurso desafiador que não correspondia à situação delicada do sindicato, que já está sendo multado em US$ 1 milhão por dia, Toussaint pareceu lançar o conflito em um contexto de justiça social. Ao descrever a luta de sua sindicato minoritário, ele invocou Martin Luther King Jr. e Rosa Parks e disse: "Há um chamado superior do que o da lei. Ele é a justiça e a igualdade".

Toussaint e seus principais advogados se encontraram com os mediadores estaduais por horas. A mediação estadual poderá resultar em uma solução das diferenças, ou forçar os dois lados a acatarem uma arbitragem. Apesar de Toussaint ter reiterado sua oposição à arbitragem, ele não a descartou.

E apesar de Pataki ter prometido que não haverá negociação enquanto os trabalhadores estiverem em greve, o presidente da MTA, Peter S. Kalikow, estava no hotel Grand Hyatt, na noite de quarta-feira, sugerindo que ainda estava disposto a se encontrar com Toussaint. Apesar de ter divulgado uma declaração criticando as palavras de Toussaint, ela incluía termos que apontavam que a MTA ainda queria conversar.

Bloomberg recitou uma litania de misérias provocadas pela greve: os negócios caíram 40% em alguns restaurantes e 60% em algumas lojas; os funcionários de saúde que atendem a domicílio foram incapazes de chegar até seus pacientes; pessoas estavam adiando quimioterapia e radioterapia; o Banco de Sangue de Nova York declarou estado de emergência; a freqüência a museus e teatros estava em queda; o público das Festas na Quinta Avenida encolheu.

Após o primeiro dia de caos, havia sinais de que o sistema estava se acertando e as pessoas estavam se adaptando. Alguns trens suburbanos passaram a saltar paradas para chegar mais rapidamente a Manhattan. As barreiras policiais funcionavam de forma mais ágil. Na Aviation High School em Long Island City, Queens, os estudantes ganharam tempo extra para chegar e realizar suas provas.

Ainda assim, o rush no anoitecer de quarta-feira foi tão caótico quanto o de terça-feira, com longas filas em quase toda parte.

Mais carros entraram em Manhattan. Cerca de 36 mil carros entraram entre 5 e 10 horas da manhã, um aumento de 18% em comparação a terça-feira, disse Kay Sarlin, uma porta-voz do Departamento Municipal dos Transportes. A balsa de Staten Island tinha mais passageiros do que o habitual; os passageiros se espremiam nos terminais de balsa de Brooklyn Army e Hunters Point em Long Island City. A cidade reabriu as avenidas Quinta e Madison, que ficaram restritas ao trânsito de veículos de emergência no primeiro dia. Houve alguns relatos de aumento de preços por parte de motoristas de táxi e cocheiros, disse o prefeito.

Em piquetes do lado de fora dos pátios de ônibus no centro de Manhattan e da instalação de transportes, na Rua 53 Oeste, alguns grevistas indicavam que estavam em dúvida. Eles dizem estar enfrentado dificuldades, sobrecarregados por hipotecas, muitos com filhos e parentes doentes que precisam cuidar. Alguns disseram se perguntar se seriam aqueles que mais perderiam.

A greve dos transportes, a primeira em um quarto de século, teve início às 3 horas da madrugada de terça-feira após as negociações entre o sindicato e a autoridade de transportes ter fracassado, após a exigência de última hora de que todos os novos funcionários de transportes contribuíssem com 6% de seus salários para suas aposentadorias -um aumento em relação aos 2% que pagam atualmente.

A MTA disse que precisa conter os custos crescentes da aposentadoria. Toussaint tem argumentado que, segundo a lei estadual, é ilegal a MTA insistir em incluir uma exigência de aposentadoria como parte do acordo.

Em uma coletiva de imprensa, Pataki disse: "Não haverá nenhuma negociação enquanto estiverem em greve. Voltem ao trabalho. E então a MTA, eu estou certo, estará disposta a retomar as negociações. Mas não enquanto estiverem praticando uma greve ilegal".

Ao ser perguntado sobre a exigência do sindicato de que a aposentadoria seja retirada da mesa, o governador disse: "Eu não ligo para o que o sindicato diz até que retorne ao trabalho".

Toussaint, em sua coletiva de imprensa, reiterou o argumento do sindicato de que a MTA forçou o sindicato a entrar em greve ao insistir ilegalmente nas mudanças na aposentadoria. Segundo a Lei Taylor estadual, um lado não pode tornar a aposentadoria uma condição de acordo. Mas em 1994 e 1999 ambos os lados concordaram em mudanças na aposentadoria.

"Nós estamos preparados para retomar as negociações, imediatamente, neste exato minuto", disse ele. "Se a questão da aposentadoria for retirada da mesa, isto servirá de base para pedirmos ao nossos membros -para pedirmos ao nosso conselho executivo- a volta ao trabalho."

*Colaboraram com reportagem Michael C. Cooper, Janon Fisher, Steven Greenhouse, Thomas J. Lueck, Jesse McKinley, Colin Moynihan, Fernanda Santos e Shadi Rahimi. Líderes sindicais de motoristas e metroviários podem ser presos George El Khouri Andolfato

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