UOL Notícias Internacional
 

22/12/2005

Rival republicana de Hillary abandona a disputa

The New York Times
Raymond Hernandez e Patrick D. Healy

Em Nova York
Jeanine F. Pirro, cuja campanha para a vaga da senadora Hillary Rodham Clinton estava confusa quase desde o início, disse nesta quarta-feira (21/12) que ia deixar a disputa e concorrer em vez disso à promotoria-geral de Nova York.

Pirro foi promotora distrital no condado de Westchester por muito tempo. Ela anunciou sua decisão em uma declaração de quatro parágrafos divulgada por seu comitê aos repórteres no meio da tarde. O momento pareceu calculado para chamar o mínimo de atenção possível, durante a greve dos transportes de Nova York.

James Estrin/ The New York Times 
Antes considerada a melhor opção contra Hillary, a candidatura de Jeanine Pirro foi abandonada por seu próprio partido, o Republicano
Na declaração, Pirro não mencionou as dificuldades que atrapalharam sua campanha ao Senado, incluindo suas próprias gafes, um coro de críticas de colegas republicanos e um anêmico resultado no esforço de levantamento de fundos. Em vez disso, ela argumentou que sua experiência a tornava uma candidata mais adequada para a promotoria-geral.

"Concluí que minha cabeça e meu coração continuam na fiscalização da lei e que meu serviço público deve continuar nessa arena", disse ela.

Apesar da retirada de Pirro ser esperada, mesmo assim deixa líderes republicanos em dificuldades para encontrar outro candidato contra Clinton. Esta entra em seu ano de reeleição por cima, com altos índices de aprovação e milhões de dólares nos cofres da campanha.

Um importante candidato a substituir Pirro é John Spencer, ex-prefeito de Yonkers que vêm viajando pelo Estado nos últimos meses, tentando angariar apoio de líderes republicanos e conservadores para sua campanha ao Senado.

Ao mesmo tempo, porém, vários altos membros do partido indicaram que queriam tentar convencer Edward F. Cox, advogado de Manhattan e ex-candidato ao Senado, a voltar à disputa. Cox, mais conhecido como genro do ex-presidente Richard M. Nixon, abandonou a campanha depois que o governador George E. Pataki deixou claro que ia apoiar Pirro. Republicanos que acompanharam o caso disseram que deixou mágoas.

Em meio à forte competitividade da arena política, os democratas não perderam tempo para reagir à notícia da desistência de Pirro. Obviamente deliciados, membros do Partido Democrata de Nova York e do comitê de campanha de Clinton, que tinham satirizado as gafes de Pirro e seus problemas políticos durante o outono, divulgaram declarações antes mesmo de ela fazer sua declaração oficial.

"Sabemos que em certa altura os republicanos vão organizar o processo e escolher um candidato", disse Howard Wolfson, porta-voz de Clinton.

"Você tem que decidir"

Um alto republicano disse que o momento do anúncio de Pirro foi proposital, enquanto os nova-iorquinos estavam preocupados com as festividades de fim de ano, e os noticiários estavam dominados pela greve do transporte público. A intenção era minimizar a cobertura da imprensa de sua desistência, disse o republicano.

Nas últimas semanas, Pirro vinha sofrendo crescente pressão de altos membros do partido, inclusive de Pataki, para retirar-se da disputa e concorrer para promotoria-geral. Até seu marido, Albert, lobista republicano, tentou fazê-la desistir da candidatura ao Senado.

Na terça-feira, Joseph L. Bruno, líder da maioria do Senado do Estado, e Stephen J. Minarik III, diretor do partido em N.Y., disse a Pirro que ela precisava decidir rapidamente para que o partido pudesse ajustar-se e preparar uma nova estratégia e candidatos, se necessário.

Em sua conversa, Minarik brincou com ela sobre o melodrama de sua candidatura e depois disse, diretamente, mas de forma simpática: "Você tem que decidir", de acordo com dois republicanos que souberam da conversa.

A partida de Pirro da disputa ao Senado não resolve o problema maior que a liderança republicana enfrenta ao preparar sua lista de candidatos para as eleições de 2006. Com a nomeação republicana ao Senado agora em aberto, é possível que haja uma luta entre Spencer e Cox.

"Algumas pessoas em nosso condado disseram que se Jeanine deixasse de ser candidata, devíamos voltar a procurar Ed, e estamos discutindo isso dentro do partido", disse Ryan Moses, diretor executivo do partido do Estado. "John Spencer também está lá agora, concorrendo à nomeação."

Por outro lado, a nomeação republicana de Pirro para procuradora-geral não está nada certa. Até Pataki indicou aos repórteres na quarta-feira que não ia apoiar sua candidatura automaticamente.

"Com respeito a qualquer cargo, você tem que conquistá-lo", disse ele quando perguntaram se ia endossá-la. Ao ser lembrado que tinha endossado a candidatura de Pirro ao Senado, acrescentou: "Achei que ela seria excelente candidata. Agora terá que sair e defender sua posição."

Um alto assessor de Pirro tentou descrever sua decisão na quarta-feira, no que pareceu um primeiro passo para reanimar sua carreira política, golpeada pela mídia e por seus opositores desde que fez uma pausa de meio minuto em programa de televisão ao vivo, em agosto, quando perdeu uma página de seu discurso inicial de campanha.

O assessor disse que Pirro tinha sempre acreditado que a disputa à promotoria-geral era o melhor curso para ela em 2006, mas que tinha desafiado Clinton porque queria uma plataforma nacional para falar de prioridades de décadas no campo da justiça criminal.

Entretanto, o Partido Conservador de Nova York nunca se animou com sua candidatura, disse o assessor. E membros do Partido Republicano e patrocinadores não estavam prontos a ajudá-la --em parte porque ela continuou errando no outono.

"Para vencer Hillary, você precisa de apoio total de republicanos e conservadores, e isso simplesmente não estava acontecendo", disse o assessor, que fala com Pirro quase todos os dias e pediu para manter o anonimato. "O partido nacional estava distraído com o Iraque, furacões e as duas vagas na Suprema Corte. E o ambiente para levantar fundos estava terrível." A promotora Jeanine F. Pirro desiste de enfrentar a ex-primeira-dama na eleição para senador pelo Estado de Nova York Deborah Weinberg

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