UOL Notícias Internacional
 

24/12/2005

Democratas e republicanos preparam-se para batalhas legislativas e eleitorais em 2006

The New York Times
Robin Toner e Carl Hulse

Em Washington
Com o controle do Congresso em disputa no próximo ano, nenhum dos partidos fará uma pausa para as festas de fim de ano. Enquanto este ano do Congresso cambaleava para um encerramento irascível, ambos os partidos planejavam um início intenso para o ano novo, visando dominar a agenda política das eleições de novembro.

Se as coisas correrem como querem os democratas, o debate girará em torno, em grande parte, da ética e da honestidade no governo, e o que afirmam ser os fracassos da maioria republicana nestas áreas. Os republicanos, por sua vez, esperam voltar a atenção dos eleitores para os avanços na economia --esperando associar tais ganhos econômicos aos cortes de impostos que buscarão no próximo ano.

Após um ano politicamente difícil, os republicanos também esperam minimizar as divisões internas, restaurar parte de sua antes lendária disciplina e fazer campanha como o partido que faz com que as coisas sejam feitas.

"Quem é que sabe como será o próximo ano?" disse o deputado Roy Blunt, republicano do Missouri e líder da maioria. "Certamente parece que será um ano eleitoral com desafios significativos, mas eu acho que pelo lado da Câmara nós faremos o trabalho necessário para definir quem somos."

Os democratas estão seguindo para 2006 em um modo mais agressivo, depois de derrotarem a proposta do Seguro Social do presidente Bush e várias outras iniciativas republicanas importantes. Os democratas no Senado planejam introduzir uma nova "unidade de investigação" em janeiro, para acentuar os escândalos republicanos e o que afirmam ser um fracasso crônico do Congresso controlado pelos republicanos em exercerem uma verdadeira fiscalização do governo Bush.

Na Câmara, o deputado Rahm Emanuel, de Illinois, presidente do Comitê Democrata de Campanha ao Congresso, disse que uma mensagem importante para as eleições seria simplesmente: "Nós devolveremos a fiscalização e o equilíbrio de volta ao sistema. As pessoas sabem que o sistema está desajustado".

Os democratas do Senado também planejam iniciar uma série de "visitas aos Estados vermelhos" --inicialmente ao Arizona, Colorado, Idaho e Nebraska-- com a mensagem de que "a América merece um governo tão bom quanto seu povo".

Vários estrategistas democratas disseram que o mapa da estrada para 2006 é 2005, quando ajudaram a determinar o debate ao se oporem, desde cedo e agressivamente, à proposta de Bush de colocar contas de investimento privadas no Seguro Social. "Nós o derrubamos no Seguro Social", disse a deputada Nancy Pelosi, da Califórnia, a líder democrata na Câmara. "Foi um choque direto em nossos valores centrais e tínhamos que vencê-lo."

Os democratas também estão contando com o apoio da Americans United, um grupo liberal originalmente formado durante a luta em torno do Seguro Social e apoiado por alguns importantes sindicatos. A nova campanha do grupo, que usará uma combinação de propaganda e mobilização das bases para promover uma "agenda progressista", terá início por volta da época do discurso do Estado da União de Bush. Karen Olick, o diretor executivo, disse que o grupo espera ser uma versão liberal do Progress for America, o grupo que tem promovido fortemente a agenda de Bush.

Os republicanos estão cientes dos riscos políticos diante de seu partido e já estão contra-atacando. Eles argumentam que problemas éticos e escândalos dificilmente se restringem ao seu partido --uma mensagem que tem um apelo considerável junto aos eleitores, como sugerem as pesquisas-- e acusam os democratas de carecerem de uma agenda positiva.

"As pessoas viram que os republicanos são capazes de fazer com que as coisas sejam feitas", disse a deputada Deborah Pryce, de Ohio, presidente da Conferência Republicana. "Os democratas não oferecem nada em termos de uma agenda concreta."

Por outro lado, disse Ron Bonjean, o porta-voz do presidente da Câmara, Dennis Hastert, de Illinois, os republicanos voltarão em 2006 para "desenvolver nossa agenda econômica e de segurança nacional bem-sucedida --e encontrar formas de reduzir a burocracia, a taxação e o litígio-- enquanto os democratas, sem uma agenda, se concentrarão em atirar lama".

Os cortes de impostos, incluindo o cortes sobre os ganhos de capital e dividendos que expirarão a menos que sejam prorrogados, estão no topo da agenda republicana para o início do próximo ano.

"Os republicanos dirão que esta economia está indo muito bem, que a última coisa que precisamos é de um grande aumento dos impostos", disse David Winston, um analista de pesquisa que aconselha a liderança republicana. "Os democratas dirão que não precisamos dar estas enormes reduções de impostos para os ricos. Como este debate será formado é a chave."

Mas grande parte do desafio político diante da maioria republicana é, como colocou um estrategista, "evitar problemas". Alguns republicanos estão claramente preocupados com a divisão potencial devido à possível luta pela liderança na Câmara que agora, para alguns, parece inevitável no próximo ano, dado o indiciamento do ex-líder da maioria, o deputado Tom DeLay, do Texas, por crime de lavagem de dinheiro. A unidade republicana já estava desgastada nos últimos meses por disputas internas em torno do corte de gastos e déficit.

A fortuna política republicana também depende das condições no Iraque.

"Você tem muitos membros republicanos nervosos no Capitólio, porque há muitas coisas fora do controle deles que os estão afetando", disse Glen Bolger, um analista de pesquisa republicano. "A guerra no Iraque é um assunto sobre o qual um membro normal do Congresso não pode fazer muita coisa a respeito, mas está claramente provocando um ambiente político negativo."

Outra variável importante é a posição do presidente Bush nas pesquisas -que melhorou recentemente, mas ainda está baixa o suficiente para ser uma fonte de ansiedade para seu partido.

Os democratas têm seus próprios problemas -notadamente, a união em torno de uma agenda de campanha, que esperava-se que seria lançada em janeiro, mas que foi adiada. "Nós não sentimos nenhuma pressa a respeito", disse Pelosi. Ela insistiu que a decisão é tática, não baseada em divisões internas no partido sobre o Iraque e outras questões.

Estrategistas democratas disseram que não querem distrair os eleitores do argumento do partido contra os republicanos em janeiro -especialmente em um mês que pode ver mais revelações da investigação do Departamento de Justiça de Jack Abramoff, o lobista republicano, e da investigação de vazamento da CIA.

Outros fatores no debate político do mês, disseram os democratas, serão os cortes no orçamento aprovados nesta semana e o desenrolar do benefício de medicamentos prescritos para o Medicare, o seguro saúde público para maiores de 65 anos, proposto pelos republicanos e que já está repleto de queixas. Os democratas têm criticado o programa de medicamentos como um exemplo do pior caso de política que atende a interesses especiais, colocando a indústria farmacêutica acima dos interesses dos americanos mais velhos.

Os democratas disseram que haverá poucas surpresas em sua agenda, que se concentrará em temas amplos como segurança, prosperidade e integridade. Mas importantes democratas disseram que provavelmente não haverá uma posição detalhada sobre a guerra no Iraque, que tem dividido o partido.

"No Iraque, nosso trabalho, dado não controlarmos a presidência e nenhuma casa do Congresso onde podemos realizar audiências, é não deixar o presidente sossegado e força-lo a se nivelar ao povo americano", disse o senador Charles E. Schumer, democrata de Nova York, presidente do Comitê Democrata de Campanha ao Senado.

No final, Bush tem um papel proeminente no pensamento de ambos os partidos, mas especialmente na nova confiança dos democratas.

Como Schumer colocou: "Ficou claro no último ano que Bush não é o matador de gigantes que alguns republicanos imaginavam que ele seria no dia seguinte à eleição presidencial. Partidos prevêem um outro ano politicamente turbulento nos EUA George El Khouri Andolfato

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