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25/12/2005

Bugatti Veyron 16.4: dirigindo o sonho impossível

The New York Times
Richard Feast

Em Molsheim, França
Muitas pessoas imaginavam que a Volkswagen tinha perdido o contato com sua base de clientes em 2003, quando apresentou o Phaeton, um sedã de luxo maravilhoso em quase todos os aspectos, exceto por um preço que chegava desconfortavelmente próximo dos seis dígitos.

Então, o que dirão os céticos sobre o Bugatti Veyron 16.4, o mais rápido, mais poderoso e --sem causar surpresa-- mais caro carro de linha de montagem do mundo? A Bugatti é de propriedade da Volkswagen, e o motor do Veyron tem relação, mesmo que distante, com o W-8 disponível na última geração do Passat.

Ed Alcock/The New York Times 
Carro tem dois assentos; o enorme motor ocupa toda a parte de trás e exige vários radiadores

Não se preocupe; as credenciais do Veyron falam por si só. Um dois-assentos de 1.001 cavalos que chega a 99 km/h em 2,5 segundos --e continua acelerando até 407 km/h-- o carro é uma simples maravilha tecnológica.

O carro é extremamente rápido, sem esforço. Outros veículos na estrada parecem parados quando o Veyron passa por eles com a facilidade de um carro de Fórmula 1. Faz você pensar seriamente o fato de um carro de grande prêmio não ser tão rápido quanto um Veyron.

Mesmo parado, o Veyron parece um carro que não faz prisioneiros. Com pouco menos de 4,46 metros de comprimento (não mais que um Kia Spectra) e com quase 2 metros de largura, ele é surpreendentemente compacto. Grande parte do espaço interno parece ocupado pelo enorme motor de 16 cilindros, um transeixo de sete velocidades e um sistema de tração nas quatro rodas. Dez radiadores são necessários para dispersar todo o calor gerado pelos sistemas mecânicos do Veyron.

A pintura em dois tons do carro, grade em forma de ferradura e subchassi dianteiro remontam a herança de design do Bugatti. O interior é requintado; detalhes como aberturas e maçanetas são feitos de alumínio polido.

No geral, o carro representa uma mistura extraordinária de opulência e poder. Tão luxuoso quanto um Mayback, o Veyron fornece um grau de conforto muito além de modelos quase de corrida como a Ferrari Enzo e o Porsche Carrera GT, nenhum dos quais capazes de igualar sua aceleração, velocidade máxima ou frenagem.

Thomas Bscher, presidente da Bugatti Automobiles, está muito orgulhoso dos modos refinados do carro. "Este carro pode ser dirigido por qualquer um", disse ele, uma declaração que implora para ser comprovada.

O poderoso motor ganha vida ao toque de um botão de partida. Apesar de seu posicionamento a poucos centímetros atrás dos ombros do motorista, o motor produz um rosnado abafado que é música para os entusiastas.

Se aventurando pelas estradas daqui, perto do quartel-general da Bugatti na região da Alsácia da França, a raridade e valor do carro geraram considerável apreensão. Embaraço, ferimento, uma grande conta de reparo ou pior aguardam o motorista que não demonstrar o devido respeito.

A transmissão automática de sete velocidades muda as marchas tão suavemente que o único indício é uma mudança no tom do motor. A falta de familiaridade com o carro desaparece com os quilômetros; a velocidade aumenta simultaneamente. Parece completamente natural usando os "paddles" de mudança de marcha montados no volante.

A viagem sobre pisos ruins é surpreendente para um carro de tamanha performance. O volante é tão preciso que o Veyron parece quase tão ágil quanto um Miata.

Seria bom relatar que a habilidade de direção deste repórter foi capaz de extrair a força máxima do Veyron. Ela não foi, mas era suficiente para determinar que em velocidades realmente altas o carro é silencioso, confortável, refinado --e tão fácil de dirigir quanto Bscher disse. A velocidade máxima normal do carro de 376 km/h é suficiente para torná-lo o rei da estrada. Mas para ser o imperador da performance, o motorista deve recorrer a uma segunda chave de ignição à esquerda do seu assento.

A chave só funciona quando o veículo está parado. Um checklist então estabelece se o carro e seu motorista estão prontos para ir à velocidade máxima além de 400 km/h. Se todos os sistemas derem ok, o spoiler traseiro retrai, os difusores de ar frontais se fecham e a altura do solo, normalmente de 124 mm, cai para 66 mm.

Para apreciar alguns dos extremos de performance do Veyron, viaje com Pierre-Henri Raphanel, um ex-corredor profissional que demonstra o carro para compradores potenciais. Raphanel parece relaxado enquanto acelera o Veyron para quase 290 km/h. Outros veículos e objetos à margem da estrada aparecem e desaparecem em um borrão, uma encenação de um jogo de computador na vida real antes que ele alivie.

Quando a estrada fica vazia, Raphanel demonstra os freios do Veyron. A velocidade do carro simplesmente desaparece --a frenagem de 250 km/h até parar leva menos de 10 segundos, ele disse--, mas para o passageiro, há uma experiência igualmente espantosa: o motorista está com ambas as mãos para o alto e exibindo um grande sorriso. O carro parou em uma linha reta sem nenhuma correção no volante. Os freios gigantescos de carbono-cerâmica e o freio de ar traseiro são mais impressionantes que a aceleração do carro.

Tudo no Veyron é moldado em superlativos, mas mesmo Bscher reconhece, "ninguém precisa de um carro como este".

De fato, quem poderia argumentar que não é um risco frívolo? Em que vias poderia ser testado, dado que atinge velocidades que ultrapassam aquelas atingidas nas voltas de classificação das 500 Milhas de Indianápolis? Quando o Veyron registrou 407 km/h, foi em uma pista de teste na Alemanha.

Quão relaxado ficaria um proprietário em deixar um Veyron em uma estacionamento por algumas horas? Quão ansioso ficaria em entregar a chave para um jovem manobrista? A economia de combustível --se esta é a palavra certa-- é de 3,8 quilômetros por litro na cidade e 7,6 na estrada, segundo estimativas preliminares. Nem mesmo pense em quilometragem durante uma condução mais animada: em velocidade máxima, o carro teoricamente ficaria sem combustível em 12 minutos.

Um feito automotivo gigantesco, o Veyron deve sua existência a Ferdinand Piech, que comprou os direitos do lendário nome Bugatti em 1998, quando era presidente da Volkswagen, com a meta de construir o supercarro supremo.

Levá-lo ao mercado exigiu um compromisso resoluto de Piech, um homem com uma reputação de engenheiro brilhante, apesar de muitos terem questionado seu entendimento da realidade comercial.

Ed Alcock/The New York Times 
À velocidade máxima, o motor consome os 98 litros de combustível em 12 minutos apenas

O poderoso motor de 8 litros e 16 cilindros do Veyron foi criado com o casamento de dois motores W-8 semelhantes aos usados pelo Passat da Volkswagen. Com quatro turbochargers, o motor produz 1.001 cavalos e torque suficiente (127,5 mkgf) para arrancar uma sequóia pela raiz. O motor transfere tração para as quatro rodas por meio de uma caixa de mudança automática/manual de sete velocidades.

Apesar do extenso uso de fibra de carbono e alumínio, o Veyron é, com 1.888 quilos, bem pesado. Mesmo assim, o carro é capaz de uma aceleração espantosa, de 0 a 201 km/h em 7,3 segundos e a 402 km/h em 55,6 segundos, segundo a Bugatti.

O preço, para aqueles imprudentes o bastante para perguntar, é de US$ 1,2 milhão nos Estados Unidos, fora impostos [cerca de R$ 2,5 milhões].

Teoricamente, vários dos rivais da Volkswagen poderiam criar alternativas ao Veyron; algumas até poderiam arcar com isto. Bscher disse que o projeto não custou mais do que algumas montadoras gastam anualmente na Fórmula 1 --talvez US$ 400 milhões. Mas no ambiente hostil de negócios atual, as montadoras enfrentam obstáculos que tornam improvável que destinarão recursos técnicos e financeiros para superar o Veyron.

Criar carros para plutocratas é uma estratégia curiosa para a fabricante do Carro Popular {"a Volks Wagen"]. Todavia, os resultados agora estão disponíveis para o punhado de compradores com os recursos necessários.

Exagerado? Vamos contar quanto

O Bugatti Veyron 16.4 não é apenas o carro de produção mais rápido, mais ágil e mais caro já fabricado, ele vem acompanhado de uma longa lista de superlativos, incluindo estes:

Quanto?

Pelo preço de US$ 1,2 milhão por um único Veyron, alguém poderia comprar um Maybach, um Rolls-Royce Phantom e um Lamborghini Murcielago, com troco suficiente para um Corvette para cada dia da semana. Ou um Toyota Prius para cada semana por mais de um ano. É exigido um depósito de US$ 356 mil juntamente com a encomenda.

Isto é tributável?

Para um comprador de Nova York (alguém, digamos, que seja um rico maluco), só o imposto sobre venda seria de cerca de US$ 100 mil. O imposto projetado sobre a gasolina do beberrão seria de US$ 7.700.

Quão poderoso?

Os 1.001 cavalos do Veyron é centenas de vezes superior ao de qualquer outro carro em produção. Seu torque de 127 mkgf é quase o dobro do McLaren F1, que até agora era considerado o carro de rua supremo.

Quão rápido é rápido?

Tão rápido na partida quando um carro de corrida de Fórmula Um, o Veyron atinge 96,5 km/h em 2,5 segundos. Ele pode chegar a 400 km/h em menos de um minuto --e então frear até parar totalmente em menos de 10 segundos.

Isto é tudo?

Não se sabe até que velocidade o Bugatti pode realmente chegar. A velocidade máxima é limitada eletronicamente a 407 km/h por causa dos pneus.

Qual o desempenho?

Estimativas premilinares de consumo de combustível são de 3,8 quilômetros por litro na cidade e 7,6 na estrada. Em aceleração máxima, ele pode acabar com todo o tanque de 98 litros em cerca de 12 minutos.

O que o nome significa?

Pierre Veyron, um piloto de corrida da Bugatti, venceu as 24 Horas de Le Mans em 1939.

Excessos:

O carro tem 10 radiadores, um medidor de hp (cavalagem) e um sistema de exaustão de titânio. Seu sistema de áudio custa cerca de US$ 30 mil.

Os Joneses terão um?

É improvável, com vendas anuais de apenas 50 em todo mundo. As Ferraris (4.900 foram vendidas no ano passado) são comuns em comparação.

Quem vai enriquecer com isto?

O dinheiro bem que viria a calhar para a dona em dificuldades da Bugatti, a Volkswagen. Mas mesmo com seu preço elevado, não se espera que o Veyron recupere o investimento da montadora. Motor de 16 cilindros, 8 litros e quatro turbinas gera 1001 cavalos e supera a força dos carros da Fórmula 1; preço: US$ 1,2 milhão George El Khouri Andolfato

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