UOL Notícias Internacional
 

26/12/2005

Rumsfeld diz que EUA planejam ligeira redução de tropas no Iraque

The New York Times
Thom Shanker e Eric Schmitt,
em Washington
The New York Times
Em uma iniciativa que representará a primeira redução de tropas norte-americanas no Iraque a ser aprovada desde as eleições da semana retrasada naquele país, o presidente Bush ordenou que a força central composta de 17 brigadas de combates estacionadas em território iraquiano seja reduzida para 15 brigadas no início do próximo ano, anunciou na última sexta-feira o secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld.

Embora a redução total do tamanho das forças nortes-americanos seja modesta --entre 3.000 e 5.000 soldados--, essa decisão indica que teve início uma cautelosa reformulação da estratégia de Washington, com o objetivo de fazer com que o número de soldados no Iraque atinja em breve o seu patamar mais reduzido desde meados de 2004. Acredita-se que essa iniciativa será seguida de outras reduções graduais nos próximos meses.

Em uma visita a Fallujah, um ex-reduto dos insurgentes a oeste de Bagdá, no Iraque, Rumsfeld anunciou a decisão de Bush com relação à redução do número de soldados. Ele não informou qual seria a magnitude exata de tal redução.

A decisão ocorre no momento em que se discute se as forças armadas norte-americanas deveriam sair do Iraque, e, em sendo este o caso, com que rapidez deveriam fazê-lo. O plano foi descrito na quinta-feira por funcionários do Pentágono e oficiais militares, que tiveram a garantia do anonimato para discutirem o assunto antes que Rumsfeld fizesse o anúncio de forma oficial.

Segundo essas ordens, uma brigada da Primeira Divisão de Blindados, atualmente no Kuait, mas cuja base fica na Alemanha, não mais seria enviada imediatamente ao Iraque, conforme o planejado. A brigada continuaria estacionada no Kuait, e só entraria em ação de acordo com as necessidades, informaram as autoridades. Caso a situação da segurança no país se normalizasse, parte dessa brigada, ou até mesmo toda ela, poderia retornar para casa.

Além disso, uma brigada da Primeira Divisão de Infantaria, cuja base fica em Fort Riley, Kansas, e que foi designada para uma missão de um ano no Iraque, não seria enviada em sua totalidade. Em vez disso, unidades menores da brigada poderiam ser enviadas gradualmente no decorrer dos próximos meses a fim de ajudar no treinamento das forças de segurança iraquianas, enquanto outras poderiam seguir para o país muçulmano com a missão de guardar bases, complexos para fornecimento de água e energia, e outras instalações, conforme se fizesse necessário. Não foi revelada a quantidade de soldados da brigada que poderia ser mandada para o Iraque para essas missões de treinamento e guarda. O plano original previa que as duas brigadas seguissem para o Iraque para substituir outras brigadas que estão chegando ao final do período estabelecido para suas missões.

As duas brigadas possuem cerca de 7.000 soldados, mas a redução prevista será menor do que isso, já que um número ainda desconhecido de soldados seguirá para o Iraque com o objetivo de desempenhar missões de apoio, inclusive a de treinamento das forças de segurança iraquianas, o fornecimento de suporte e serviços aos ministérios do Interior e da Defesa iraquianos, e outros trabalhos não especificados de segurança e proteção.

Nos últimos anos forças armadas norte-americanas estabeleceram um patamar básico de 138 mil soldados no Iraque, para o desempenho de funções de combate, apoio e treinamento, mas esse nível variou, tendo ultrapassado 160 mil durante as eleições em janeiro, outubro e dezembro, a fim de proporcionar segurança extra. Já se previa que o tamanho elevado da tropa mobilizada para as eleições de 15 de dezembro último diminuísse para 138 mil soldados no início do próximo ano. As novas ordens significam que o número de soldados será inferior a esse patamar até o segundo trimestre do ano que vem. A remodelação da força norte-americana no Iraque é um reflexo de planos no sentido de transferir uma parcela maior da responsabilidade pela segurança para as forças iraquianas, possibilitando que os norte-americanos atuem mais nas funções de apoio, treinamento e de fornecimento de tropas de reforço para o combate em 2006.

Em uma entrevista coletiva à imprensa na quinta-feira, o general James T. Conway, diretor de operações do Estado-Maior das Forças Armadas, disse que batalhões norte-americanos individuais estão trabalhando junto a unidades iraquianas a fim de fornecer treinamento e logística, bem como conduzir missões conjuntas de patrulhamento. Além disso, o general Conway informou que o número de assessores militares norte-americanos que moram e trabalham no Iraque aumentará no ano que vem. Outras autoridades norte-americanas afirmaram que cerca de 2,5 mil pessoas serão designadas para prestar assessoria às unidades iraquianas.

"Presenciaremos um aumento do número de assessores graduados designados para essas equipes. Eles morarão, comerão, dormirão e lutarão com as unidades iraquianas", disse Conway. "Eles também ficarão responsáveis pela promoção do profissionalismo dos soldados iraquianos, de forma que estes se tornem cada vez mais capazes. Isso possibilitará que possamos trazer as nossas tropas de volta para casa".

De acordo com o general Conway, as tropas norte-americanas prestarão auxílio nas áreas de logística e treinamento, mas serão também capazes de solicitar apoio a unidades de combate maiores, "caso se vejam em apuros".

As novas ordens foram assinadas por Rumsfeld, que esteve no Iraque na semana passada para se reunir com o general George W. Casey Jr., o principal comandante militar no Iraque, e com oficiais iraquianos. Oficiais militares disseram que os soldados pertencentes às duas brigadas foram informados sobre a decisão do governo na última quinta-feira. A decisão final quanto ao tamanho da tropa é um reflexo de novas avaliações feitas desde a eleição de 15 de dezembro, incluindo reavaliações das forças de segurança iraquianas. Além disso, a intenção foi também dar uma boa notícia às famílias dos soldados antes do final de semana do Natal.

Comandantes norte-americanos e funcionários graduados do Pentágono informaram que o número de soldados norte-americanos pode ser reduzido para menos de 100 mil até o segundo semestre do próximo ano, dependendo das condições de segurança, da estabilidade política e da capacidade dos policiais e soldados iraquianos de continuar assumindo uma maior responsabilidade pela segurança nas diversas regiões do país.

Para alcançar esses níveis mais reduzidos, as autoridades norte-americanas poderiam mandar de volta para casa, antes do prazo previsto, soldados que já estão no Iraque, ou cancelar o envio para o território iraquiano de unidades que já estão se preparando para seguir para a zona de combate no ano que vem. Um oficial graduado do exército disse na última quinta-feira que o general Casey e outros comandantes de alto escalão poderão estudar a possibilidade de reduzir ainda mais o número de soldados no Iraque até março. Tradução: Danilo Fonseca

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