UOL Notícias Internacional
 

27/12/2005

Fases quentes do passado mostram motivos de preocupação sobre novo aquecimento

The New York Times
Andrew C. Revkin

Em Nova York
Cientistas da Terra munidos com as referências mais extensas freqüentemente parecem ser os menos agitados quanto ao aquecimento global causado pelos seres humanos.

Isto continuou sendo verdadeiro mesmo em 2005, um ano que viu o maior deslocamento de gelo de verão no Mar Ártico já medido. Mas estes especialistas em olhar para trás já viram tudo antes.

Steve Morgan/Greenpeace via The New York Times 
Integrante do Greenpeace protesta contra efeito estufa, vestido de urso polar, na Groenlândia

Recentes estudos revelaram que há 49 milhões de anos o Oceano Ártico, em vez de ser coberto por gelo, era coberto por uma prima da lentilha-d'água que cobre os lagos suburbanos. As florestas no continente atualmente conhecido como Antártida e nas costas do Ártico eram densas e viçosas.

E ao longo de centenas de milhões de anos, as concentrações de gases que prendem a energia solar e impedem o planeta de ser uma bola de gelo foram bem maiores do que as típicas durante a curta existência da humanidade.

Na verdade, o planeta não tem nada com que se preocupar com o aquecimento global. Uma Terra quente e cheia de vapor seria boa para a maioria das formas de vida.

Apenas nós humanos temos que nos preocupar, e espécies como os ursos polares que estão sendo empurradas para a beirada --no caso do urso, o ecossistema tênue formado ao redor do gelo costeiro marítimo.

Henk Brinkhuis, um paleoecologista e botânico da Universidade de Utrecht, na Holanda, disse que o Ártico como o conhecemos "é história".

Ele disse que isto pode representar a extinção dos ursos polares --mas que isto não é necessariamente um golpe para as perspectivas dos mamíferos em geral.

O último grande pico de aquecimento do mundo, há cerca de 55 milhões de anos, precedeu "a maior disseminação de mamíferos", disse Brinkhuis.

"Os primeiros cavalos, vacas, os primeiros primatas tiveram sua origem por volta daquela época, disse Brinkhuis. "Pode ser que a extinção do urso polar seja seguida pelo surgimento de novas espécies de todo tipo."

Nada disto significa que os seres humanos devem simplesmente abraçar sua potência alimentada por combustíveis fósseis sem consideração pelos efeitos. Na verdade, disseram muitos cientistas, se nós valorizamos o mundo como ele é, há fortes motivos para coibir a emissão de gases do efeito estufa, como evitar a rápida elevação dos mares ou a extinção do urso polar.

Mesmo para os ursos polares, há motivos para pensar que o fim não é necessariamente chegado. Houve pelo menos um período significativo -um último intervalo entre as eras do gelo, 120 mil anos atrás- quando o clima global ficou vários graus mais quente do que atualmente e eles claramente sobreviveram. Assim, retardar o aquecimento poderia permitir que sobrevivessem de novo.

David G. Barber, que estuda ciência dos sistemas árticos na Universidade de Manitoba, disse: "Todo o aquecimento global não tem importância para o planeta".

"O planeta prosseguirá dentro de seus ciclos normais, e fará suas próprias coisas", disse ele. "Isto tem importância para nós -como pessoas. Nosso lado econômico das coisas e nosso lado político das coisas é o que realmente está sendo afetado pela mudança climática. O planeta não dá a mínima." George El Khouri Andolfato

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