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28/12/2005

Partidos iraquianos tentam formar uma ampla coalizão entre grupos étnicos e religiosos

The New York Times
Dexter Filkins

Em Bagdá, Iraque
Líderes políticos iraquianos começaram na terça-feira (27/12) o que deverá ser uma longa negociação para formar um governo de "união nacional", composto dos principais grupos étnicos e sectários do Iraque.

Abdul Aziz Hakim, presidente da coalizão xiita mais votada nas eleições parlamentares do dia 15 de dezembro, viajou para a cidade de Erbil, no Norte, para se encontrar com Masoud Barzani, líder do Partido Democrático Curdo. Na quarta-feira, Hakim deve reunir-se com Jalal Talabani, presidente iraquiano e líder de outro grande partido curdo, a União Patriótica do Curdistão.

Ashley Gilbertson/The New York Times 
Iraquianos removem os cartazes de propaganda eleitoral; xiitas e sunitas tentam superar impasse com uma coalizão
Esses encontros devem ser seguidos de discussões entre os líderes curdos e ao menos dois outros grupos: a Frente de Consenso Iraquiana, uma coalizão de partidos políticos mormente sunitas, e o Comício Democrático Nacional, grupo secular de partidos liderado pelo antigo primeiro-ministro Ayad Allawi. Juntos, os cinco partidos devem reunir a grande maioria dos votos.

Autoridades iraquianas disseram que os líderes políticos esperam formar um governo que tenha como base a maior parte dos parlamentares recém eleitos para a Assembléia Nacional, que terá 275 assentos. Eles também querem incluir representantes de todos os principais partidos iraquianos. Esse objetivo é fortemente favorecido pelos EUA.

Resultados preliminares sugerem que a coalizão xiita surgirá como o maior bloco da assembléia, apesar de provavelmente não obter a maioria. Devido às regras complexas de formação de governo, para a coalizão assumir o poder precisaria obter a maioria de dois terços.

A comissão eleitoral iraquiana deve anunciar os resultados finais até o final da semana.

As negociações ocorrem em uma época de tensão. Resultados preliminares incitaram revolta entre vários líderes iraquianos, especialmente sunitas, que reclamaram de fraudes que favoreceram a aliança xiita.

Autoridades americanas e iraquianas estão especialmente preocupadas com a alienação dos sunitas, cuja inclusão no novo governo é considerada vital para ajudar a marginalizar os guerrilheiros. As autoridades gostariam que ao menos alguns partidos sunitas fossem incluídos no novo governo. Elas temem que os partidos xiitas e curdos, que devem vencer mais da metade dos assentos na assembléia, deixem os sunitas de fora completamente do novo governo ou os envolvam apenas como parceiros secundários.

"Estaremos trabalhando para fechar os vãos entre os diferentes blocos parlamentares", disse Foad Masoum, importante líder da União Patriótica do Curdistão.

Houve sinais na terça-feira de que os bons sentimentos gerados pela grande participação sunita nas eleições de 15 de dezembro estavam rapidamente se dissipando. Em Bagdá, milhares de eleitores sunitas reuniram-se para protestar contra os resultados das eleições e acusaram a coalizão xiita de fraude.

A manifestação, que também incluiu partidários de Allawi, foi a mais recente em uma série de protestos que pareceram um esforço orquestrado para dar mais assentos aos sunitas na assembléia do que foram conquistados nas urnas.

Saleh Mutlak, líder da Tendência Nacional Iraquiana, partido dominado por sunitas, fez as mais amplas acusações de fraude nas eleições. Em uma entrevista na terça-feira, ele disse que partidos xiitas, curdos e sunitas tinham intimidado eleitores, destruído cédulas e enchido alguns postos de votação com mais cédulas do que eleitores.

Os piores incidentes, disse Mutlak, ocorreram na província de Diyala, onde a milícia curda tinha ameaçado árabes e expulsado eleitores dos postos de votação, disse ele. Na cidade mista de árabes e curdos de Mosul, os curdos impediram muitos árabes de votarem.

No entanto, ele parecia ter pouca esperança de que suas alegações fossem consideradas. Segundo ele, as testemunhas temem se expor, e os membros da Comissão Eleitoral Independente parecem próximos demais aos partidos políticos para agirem com justiça.

Além disso, Mutlak disse que fechou um acordo com a Frente de Consenso Iraquiana para coordenar posições em qualquer negociação de entrada em um novo governo. Como muitos iraquianos, Mutlak disse que temia a natureza cada vez mais sectária da política iraquiana.

"Se este país se tornar sectário, será o fim do Iraque", disse Mutlak. "Estamos em um desastre."

Na terça-feira, perto de Karbala, autoridades disseram que descobriram uma cova comum com os restos de dezenas de pessoas, mortas durante um levante contra Saddam Hussein, em 1991. As autoridades disseram que operários estavam instalando uma rede de esgoto e encontraram o que pareciam ser cerca de 150 corpos, inclusive de muitas mulheres e crianças. Deborah Weinberg

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