UOL Notícias Internacional
 

31/12/2005

Criminalidade cai em Nova York pelo 17º ano consecutivo

The New York Times
Al Baker

em Nova York
Oficiais do Departamento de Polícia disseram nesta semana que a criminalidade caiu por toda a cidade de Nova York pelo 17º ano consecutivo, com os crimes no metrô caindo em mais de 5% em relação ao ano passado e o número registrado de assassinatos já virtualmente certo de ser o menor em qualquer ano desde 1963.

Até sexta-feira, ocorreram 537 assassinatos na cidade. Isto representa uma queda em comparação aos 566 no mesmo período no ano passado. E uma queda em comparação a 649 em todo o ano de 2001, quando aumentou o desemprego, a ansiedade em relação a 11 de setembro estava presente e o aperto orçamentário levou a uma redução no número de policiais da cidade. Naquele ano, alguns cidadãos e especialistas em justiça criminal previram que a criminalidade deixaria de cair à medida que os policiais assumissem novas responsabilidade de contra-terrorismo.

Em 2005, os números para estupro, assalto à mão armada, roubo e roubo de grandes valores caíram todos, disse o departamento. O roubo de carros, que, assim como o assassinato, é considerado um indicador confiável dos padrões de criminalidade porque há pouco critério para classificá-lo e pouca relutância em comunicá-lo, caiu quase 12%.

"Quando você tem 8 milhões de pessoas juntas, você terá algum crime", disse o comissário de polícia Raymond W. Kelly. "Mas a cidade está melhorando? E, a qualidade de vida está melhorando? A maioria acredita que sim e acredita que os policiais estão fazendo um bom trabalho e a criminalidade está caindo."

O declínio contínuo em Nova York contrasta com algumas outras cidades por todo o país. Depois de anos de queda na criminalidade, Boston está atualmente experimentando um aumento dos homicídios. Houston viu mais mortes em 2005. Na Filadélfia, os assassinatos estão superando o índice do ano passado. Algumas autoridades têm atribuído o aumento dos índices de assassinato fora de Nova York ao uso da droga metanfetamina.

David M. Kennedy, o diretor do Centro para Prevenção e Controle do Crime da Faculdade John Jay de Justiça Criminal em Manhattan, disse: "Ninguém mais, em qualquer lugar, tem sido capaz de obter tanto as imensas reduções em crimes violentos quanto sustentar tais reduções sem reversão por 10 anos, que é o que Nova York fez".

Na visão de alguns críticos, os números em geral parecem bons demais para serem verdade. Os diretores da Associação Benevolente dos Patrulheiros, o principal sindicato da polícia, acusaram no ano passado que os comandantes dos distritos eram pressionados para reduzir a criminalidade "adulterando os registros", reduzindo a gravidade dos crimes no papel para evitar registrá-los e relatá-los ao FBI.

Mas o sistema tem um sistema de auditoria interno, disse Michael J. Farrell, o vice-comissário para iniciativas estratégicas. Desde que tal sistema foi implementado no início dos anos 90, a taxa de erro passou de 4,4% para 1,5%, disse ele.

"O aspecto disto que nos tranqüiliza são as auditorias que fazemos, que são muito substanciais, em termos de números", disse Farrell. "Todo distrito é submetido aleatoriamente a auditoria, duas vezes por ano."

É claro, em qualquer dia na cidade, as ruas podem parecer perigosas.

As prisões por porte de arma estão em alta, entrando na última semana do ano. Dois policiais foram mortos no cumprimento do dever nas últimas semanas, e mais foram baleados neste ano, oito, o número mais alto desde 1997, quando 10 foram baleados e um foi morto. A contagem de assassinatos de 2005 ainda poderá aumentar até a meia-noite de sábado, ou quando algumas mortes de 2005 por causas desconhecidas forem finalmente determinadas pela perícia.

Tiroteios, uma estatística do crime que o departamento tem monitorado nos últimos 12 anos, aumentaram 3,2%, de 1.461 para 1.508. E o número de feridos nestes tiroteios aumentou de 1.755 para 1.808. Mas os tiroteios ficaram concentrados em um punhado de distritos e agora começaram a cair. Este ano poderá terminar com o segundo número mais baixo de tiroteios desde 1993.

O distrito com maior número de incidentes com armas de fogo em 2005 foi o 75º Distrito, em East New York, no Brooklyn, com 92 registros. A maior apreensão de armas, 225, também aconteceu lá.

A queda por toda a cidade em cinco das principais categorias de crime foi seguida por quedas aproximadamente proporcionais nas prisões por tais crimes. Mas o número de furtos aumentou, em 0,8%, e, consequentemente, as prisões por furtos incharam em quase 11% à medida que a polícia passou a se concentrar no problema.

Ou, como colocou Farrell, "reinocular" uma nova geração de criminosos "que podem não ter tomado tal vacina".

Colocando em contexto, o aumento dos furtos, de 23.746 para 23.948, ocorre em uma categoria de crime que é uma mera sombra do que costumava ser: o número deles atingiu o pico de 100.280 em 1990, disse Thomas A. Reppetto, um historiador de polícia e diretor executivo da Comissão do Cidadão para o Crime, um grupo que monitora as políticas da polícia em Nova York.

No geral, os números coletados, computadorizados e analisados pelo Departamento de Polícia de Nova York revelam toda sorte de tendências e desdobramentos.

Em 2005, oito distritos na cidade não registraram nenhum homicídio -vastas partes da cidade que incluem o Central Park e o 94º Distrito em Greenpoint, Brooklyn, onde no ano passado ocorreram quatro assassinatos e em 1990 ocorreram oito.

Cinco distritos, incluindo um que cobre o setor de Queens de Long Island City e outro, nas seções de Fordham e Bedford Park do Bronx, registraram alguns dos números mais altos de crimes violentos neste ano. Ocorreram 229 roubos no 108º Distrito em Queens, por exemplo. Mas mesmo com estes números elevados, foram estes mesmos distritos que registraram as maiores reduções quando comparados ao ano passado. Por exemplo, os roubos no 108º caíram 16%.

A percepção pode ser uma forma de medição do crime tanto quanto as estatísticas relatadas.

Em 1963, assim como hoje, alguns casos sensacionais ocuparam as manchetes por semanas. Naquela época, eram os chamados assassinatos de Garotas de Carreira, um duplo homicídio de uma preparadora de textos da "Newsweek" e uma professora do Upper East Side. Ocorreu um total de 548 homicídios naquele ano.

A cidade atingiu o ápice de assassinatos em 1990, com 2.245.

Atualmente, é Peter Braunstein, um escritor suspeito de se passar por bombeiro em um ataque sexual em Chelsea, em 31 de outubro.

Kelly, por sua vez, disse que nenhum patamar para qualquer tipo de crime é aceitável.

O departamento rastreia a criminalidade em "tempo real", ele disse, e a mapeia até as esquinas. O número de policiais para a Operação Impacto, um programa iniciado por Kelly para encher as áreas problemáticas com recrutas da Academia de Polícia acompanhados por oficiais mais experientes, será dobrado no próximo mês para incluir 1.200 oficiais. Uma estratégia para dividir os distritos mais violentos em três, a Operação Tridente, será implementada nos 44º e 46º distritos, ele disse.

Mas muitas pessoas, incluindo Andrew Karmen, um criminologista que tem analisado os fatores que afetam a criminalidade na cidade, se perguntam por quanto tempo esta tendência -o que Karmen chama de "crash do crime"- durará.

"Eu acho que há espaço para maiores progressos, porque em outras grandes cidades ao redor do mundo, como Londres e Tóquio, as pessoas convivem muito melhor umas com as outras do que nós", disse Karmen, que escreveu o livro "New York Murder Mystery" (NYU Press, 2000), sobre a queda da criminalidade nos anos 90.

Indo para seu segundo mandato, o prefeito Michael R. Bloomberg disse que os índices são um bom augúrio para o futuro.

"Todo ano os especialistas dizem que não podemos reduzir ainda mais a criminalidade, mas felizmente o Departamento de Polícia de Nova York prova que estavam errados e quebra um novo recorde", disse Bloomberg. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,97
    3,127
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,99
    64.389,02
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host