UOL Notícias Internacional
 

31/12/2005

Dow Jones fecha em baixa em 2005

The New York Times
Floyd Norris
As bolsas de valores do mundo encerraram um ano em que as ações estiveram
geralmente em alta com uma tendência de queda na sexta-feira (30/12),
fazendo que a média industrial Dow Jones nos Estados Unidos tivesse o seu primeiro declínio anual desde 2002.

O Dow fechou o ano com queda de 0,61%, a 10.717,50. Mas o índice Standard & Poor's 500 - o padrão mais observado entre os investidores profissionais - fechou o ano com alta de 3%, enquanto o índice composto Nasdaq fechou com alta de 1,37%.

Os mercados na Europa e na Ásia geralmente fecharam o ano com ganhos de 15% ou mais, embora essas elevações fossem parcialmente anuladas pelo
enfraquecimento das moedas internacionais em relação ao dólar. No Japão, o Nikkei 225 encerrou o seu melhor ano desde 1986, apesar da grande queda da sexta-feira.

As quedas da sexta-feira pareceram refletir as renovadas preocupações com a possibilidade de um enfraquecimento da economia norte-americana em 2006. A maioria dos economistas prevê um bom ano, com um aumento de mais de 3% do produto interno bruto, mas alguns investidores temem que os índices das obrigações da dívida do governo norte-americano com prazo de dez anos tenham ficado abaixo dos de dois anos.

No passado, tal anomalia entre índices de curto e de longo prazo, conhecida com curva de índices invertidos, foi em algumas ocasiões seguida por recessão. Mas as taxas de juros foram um dos aspectos mais surpreendentes da economia neste ano, conforme as previsões generalizadas de elevação das taxas de juros de longo prazo não se materializaram.

Com a desaceleração no mercado imobiliário e a curva de índices invertidos, os investidores podem ter finalmente acordado para a possibilidade de um crescimento mais lento, diz Peter Boockvar, estrategista de investimentos da Miller Tabak & Company. "A ironia é que a curva de rendimentos manteve-se horizontal durante certo tempo", acrescentou Boockvar.

Os rendimentos dos títulos das obrigações da dívida do Tesouro de dez anos ficaram em 4,39 % na sexta-feira, um pouco a abaixo dos 4,40% daqueles de dois anos. O rendimento dos títulos das obrigações da dívida de dez anos recuou em relação aos 4,66% de novembro, quando o otimismo econômico era maior, mas cresceram em relação aos 4,22% registrados em dezembro do ano passado.

Os economistas esperavam que os aumentos incessantes das taxas de juros pelo Federal Reserve também estimulassem os rendimentos de longo prazo, mas não foi isso o que aconteceu - um fato que Alan Greenspan, presidente do Fed, chamou de "um enigma" no início deste ano. Isso pode ser um reflexo dos fortes investimentos em títulos do tesouro por parte de investidores estrangeiros, já que estes procuram taxas de juros mais elevadas aqui do que na Europa, enquanto o dólar estiver forte.

O índice industrial Dow Jones terminou o dia em 10.717,50, com uma queda de 67,32 pontos. O Dow, que no final de novembro chegou bem próximo dos 11.000, acusou um pequeno ganho anual até a quinta-feira.

Essa reversão acabou com uma das regras tradicionais de Wall Street: a de
que os anos que terminam com o número cinco sempre são bons para o mercado. O Dow, que data de 1896, aumentou mais de 20% em todos os anos terminados em cinco, exceto por 1965, quando ele subiu apenas um pouco menos de 11%.

O Standard & Poor's 500 caiu 6,13 pontos na sexta-feira, ficando em
1,248,29, enquanto o Nasdaq caiu 12,84 pontos, fechando em 2.205,32.

Os mercados internacionais, de forma geral, se saíram melhor. O Nikkei 225 subiu 40,2%, apesar de ter caído 1,4% na última sessão do ano. O FTSE 100, do Reino Unido, teve um aumento de 16,7%, enquanto o S&P/MIB, da Itália, teve um aumento de 15,5%, o pior desempenho entre os índices europeus. Os mercados na França, na Alemanha, na Suíça e na Holanda acusaram altas de mais de 20%.

O mau desempenho do mercado norte-americano frustrou alguns investidores nos Estados Unidos.

"Nós, neste país, tivemos um crescimento de lucros e de produto interno
bruto tão bom quanto o de qualquer outra nação do mundo", reclamou James W. Paulsen, chefe de estratégias de investimento do Wells Capital Management. Ele disse esperar que os investidores concluam que os Estados Unidos são relativamente baratos, começando a investir rapidamente nos mercados do país em 2006.

A diferença de desempenho é menor quando se fazem ajustamentos cambiais. O declínio do iene no decorrer do ano reduziu os ganhos do mercado japonês, medido em dólares, para um índice, ainda assim bom, de 22%. Mas, entre os grandes mercados europeus, somente Suíça e Alemanha acusaram ganhos, medidos em dólares, de mais de 10%¨.

No mercado de ações norte-americano, as ações do setor de energia foram as estrelas do ano, e fecharam 2005 vigorosamente. O setor de energia do S&P 500 subiu 0,3% na sexta-feira, fechando 2005 com alta de 29,8%. A ação de melhor desempenho no índice foi a da Valero Energy, uma refinadora de petróleo, que acusou uma alta de 127% no ano.

A indústria de computadores pessoais contribuiu tanto para a segunda melhor ação do índice quanto para a segunda pior. A Apple Computer teve elevação de 123%, enquanto a problemática Gateway despencou 58%. O pior desempenho foi o da Dana, uma fornecedora de autopeças, cujas ações caíram 59%. Danilo Fonseca

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