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04/01/2006

Equipes de resgate se aproximam de mineiros presos, mas qualidade do ar é ruim

The New York Times
James Dao

em Sago, Virgínia Ocidental
As equipes de resgate estavam a uma distância entre 300 e 600 metros de onde acreditavam que 13 mineiros estão presos, a 80 metros abaixo do solo, e esperavam alcançá-los em menos de duas horas, disse o proprietário da mina no início da noite de terça-feira.

Ele disse que as equipes de resgate estavam conseguindo "um avanço significativo", mas que os níveis de monóxido de carbono permaneciam três vezes mais elevados do que os níveis respiráveis, e reconheceu que "estamos em uma situação onde precisamos de um milagre".

Não há obstáculos físicos que impeçam os mineiros de serem retirados pelo poço da mina quando forem encontrados, disse Ben Hatfield, o presidente e executivo-chefe do International Coal Group, em uma coletiva de imprensa televisionada logo após as 17 horas. Ele disse que o ambiente tóxico continuava sendo o maior problema.

Os sensores que monitoram a qualidade do ar no poço da Mina de Sago apontavam níveis de monóxido de carbono de 1.300 partes por milhão. Os padrões federais para o limite máximo dos níveis aceitáveis do gás venenoso é de 400 partes por milhão por cerca de 15 minutos.

"Este não é um ambiente que possa sustentar vida", disse Hatfield anteriormente. "Nós estamos muito preocupados com a informação que recebemos até agora."

As equipes de resgate perfuraram um buraco de aproximadamente 16 centímetros na mina nesta manhã e desceram uma câmera em seu interior, mas Hatfield disse que o vídeo da câmera não mostrou qualquer sinal dos mineiros, nem danos significativos no poço da mina.

Os responsáveis disseram que esperam que os mineiros estejam em uma parte diferente da mina ou tenham conseguido se proteger em uma seção da mina com nível suficiente de oxigênio.

Até o início da noite de terça-feira, as equipes de resgate penetraram 3.400 metros na mina.

Hatfield disse na manhã de terça-feira que as equipes estavam perfurando três buracos no poço da mina para tentar encontrar sinais de vida e medir os níveis de monóxido de carbono e outros gases tóxicos. A perfuração foi suspensa posteriormente porque as equipes de resgate precisaram ser removidas por motivo de segurança e, disse Hatfield, as autoridades não queriam interromper ainda mais a busca.

Um robô de 590 quilos, equipado com uma câmera com lente telescópica e sensores que analisam a qualidade do ar, foi baixado ao poço na manhã de terça-feira, mas ficou atolado na lama dentro do poço. O robô, que opera em uma esteira e por controle remoto, pode atingir profundidades de 1.060 metros. As equipes de resgate ultrapassaram o robô na busca pelos mineiros. O governador Joe Manchin III disse na segunda-feira que os 13 mineiros tinham acabado de entrar na mina para o início de seu turno, logo após as 6 horas da manhã, quando ocorreu a explosão.

Uma equipe que vinha atrás escapou, então tentou voltar, mas foi incapaz de alcançar os mineiros, disse Manchin.

"Nós estamos no momento com nossas famílias e todas as famílias na Virgínia Ocidental torcendo e rezando por uma rápida recuperação", disse Manchin.

Ao longo de toda a segunda-feira, vários amigos e parentes dos mineiros presos, a maioria vivendo nas proximidades da mina, se reuniram em uma igreja batista para aguardar os boletins do esforço de resgate e receber os informes de Manchin.

"Eu sei quão agonizante pode ser a espera", disse Manchin, um democrata, que perdeu um tio em um desastre de mina em Farmington, em 1968.

Ele chamou o sentimento dentro da igreja de "muito devoto e muito esperançoso".

Não se sabe o que causou a explosão, apesar de haver relatos não confirmados de que um raio pode ter inflamado gases voláteis dentro da mina, que os responsáveis disseram ter ficado fechada no sábado e no domingo devido ao feriado de Ano Novo.

Quedas acentuadas na pressão barométrica podem fazer gás metano potencialmente explosivo migrar para as áreas de trabalho, segundo a Administração de Saúde e Segurança em Minas. A explosão que prendeu os mineiros ocorreu durante uma tempestade de raios.

Autoridades disseram que preocupações com gases perigosos impediram as primeiras equipes de resgate de entrarem no túnel até as 17 horas de segunda-feira. Uma rotatividade de 13 equipes de seis a oito membros, treinadas especialmente para resgates subterrâneos e carregando oxigênio, trabalhou durante toda a noite na tentativa de encontrar os mineiros presos.

"Nós ficaremos aqui até chegarmos até eles", disse Jim Farry, vice-diretor do Escritório de Administração de Emergência de Upshur County.

Um membro das equipes de resgate, que não quis ser identificado por não estar autorizado a falar com os repórteres, disse que as equipes passaram grande parte da tarde de segunda-feira despejando água na mina, para tentar combater um incêndio.

Gene Kitts, vice-presidente sênior do International Coal Group, disse que uma equipe de resgate penetrou quase 2.700 metros na mina e não encontrou evidência de desmoronamento. Mas ele disse desconhecer o estado da mina mais adiante. Estas equipes deixaram a mina na manhã de terça-feira antes do buraco ser aberto, porque as autoridades temiam que corriam risco se a perfuração do buraco fizesse os gases tóxicos circularem pelo poço da mina.

A mina contava com um sistema subterrâneo de telefone, mas ele foi desativado pela explosão.

Suprimentos de emergência também estavam armazenados em barris de 208 litros dentro da mina, o que possibilita aos mineiros sobreviverem por muitas horas, disse o membro da equipe de resgate.

A mina, na região centro-norte de Virgínia Ocidental, a cerca de 160 quilômetros a leste de Charleston, é de propriedade da Anker West Virginia Mining Company, que foi recentemente comprada pelo International Coal Group, informou a agência de notícias "The Associated Press".

Pessoas que moram nos arredores da mina disseram que a explosão sacudiu suas casas, as despertando de seu sono.

"Foi como se alguém tivesse detonado um barril de pólvora", disse Clifford Rice, um motorista de caminhão que mora a menos de 100 metros da entrada da mina. "Eu achei que um raio tivesse atingido a casa."

Moradores ansiosos começaram a se reunir na Igreja Batista de Sago poucas horas depois da explosão. À tarde, vizinhos começaram a chegar com pizza, presunto e sacolas de compras cheias de comida. No início da noite de segunda-feira havia mais de 200 pessoas sentadas no interior, circulando pelo gramado da igreja ou rezando silenciosamente em uma capela adjacente.

Uma mulher sentada do lado de fora disse que seu irmão estava preso na mina. Ela disse que ele é mineiro há 35 anos e que tem dois filhos e quatro netos.

"Eu só quero que as pessoas rezem por eles, e só", disse a mulher, que não quis dizer seu nome.

Especialistas disseram na segunda-feira que a explosão que prendeu os homens é um risco na mineração, especialmente nesta época do ano.

"Durante o inverno", disse Bruce Dial, um ex-inspetor da Administração de Saúde e Segurança em Minas, "ocorre muitas delas porque há muito menos umidade no ar, o que significa que não há nada que impeça a suspensão do pó de carvão e uma pequena fagulha e uma pequena quantidade de metano pode detoná-lo. Se há uma fagulha e metano no ar, o pó de carvão se incendeia e lança uma bola de fogo pelo túnel".

Segundo a agência, a mina de Sago recebeu 208 citações em 2005, um aumento em comparação a 68 em 2004. Dezesseis delas foram por violações que os operadores da mina tinham conhecimento mas não repararam antes que os inspetores as detectassem, disse a agência. A empresa disse que tais números são normais.

Cynthia McCloud e Jen McCaffery, em Tallmansville, Virgínia Ocidental; Ian Urbina, em Washington; e Timothy Williams, em Nova York, contribuíram com reportagem para este artigo. George El Khouri Andolfato

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