UOL Notícias Internacional
 

05/01/2006

Pataki foca impostos e crimes no último discurso

The New York Times
Danny Hakim

Em Albany

Capital do Estado de NY
Em seu último discurso do estado do Estado, o governador George E. Pataki tentou recapturar nesta quarta-feira (04/01) parte da fórmula centrista republicana que o elegeu há mais de doze anos, oferecendo uma ampla variedade de redução de impostos, medidas de combate ao crime e iniciativas ambientalistas.

Especificamente, o governador pediu pela eliminação da "penalidade ao casamento" no código tributário; redução da alíquota estadual do imposto de renda; eliminação do imposto estadual sobre propriedade; e restituição aos contribuintes de impostos de propriedade. As propostas foram apresentadas um dia depois de o governador ter dito que o Estado projeta um superávit de US$ 2 bilhões em um orçamento total de mais de US$ 100 bilhões.

"Nós provamos novamente como a redução de impostos cria a liberdade financeira que gera ainda mais oportunidades para os cidadãos de Nova York", disse ele, em um discurso que durou menos de uma hora e contava com quase 7 mil palavras.

E com o Estado desfrutando de um superávit orçamentário de US$ 2 bilhões, analistas de orçamento disseram que ele conta com os recursos financeiros para executá-los.

Mas se seu 12º e último discurso na abertura do ano legislativo parecia direcionado a um público maior enquanto estuda concorrer à presidência dos EUA, lhe faltou a força dos primeiros anos. A mensagem reformista de seu discurso do ano passado também foi praticamente abandonada neste ano, apesar de muitas de suas iniciativas anteriores não terem sido concluídas, como a reforma do financiamento de campanha.

Amplos cortes de impostos não foram somados a cortes de gastos para compensar a receita perdida. Em vez disso, foram apresentadas iniciativas potencialmente onerosas, grandemente voltadas para o meio ambiente e educação.

Sua proposta para reduzir a dependência de petróleo estrangeiro inclui a oferta de combustíveis alternativos nos postos de gasolina ao longo da New York State Thruway e incentivos para atrair refinarias de etanol para o Estado. Ele também disse, entre outras iniciativas para educação, que buscará uma bolsa integral para estudantes dos cursos de matemática e ciências na Universidade Municipal de Nova York e na Universidade Estadual de Nova York e que concordarem em lecionar no Estado.

Mas os críticos disseram que ele dificilmente é alguém capaz de retratar a si mesmo como voltado para a educação, e que a batalha legal em torno do financiamento das escolas, não mencionada em seu discurso, continua motivo de disputa dentro do próprio partido do governador.

O prefeito Michael R. Bloomberg, acompanhado de seu secretário de educação, Joel Klein, disse após o discurso que preferiria ver o superávit sendo usado para cumprir a ordem judicial que exige que o Estado gaste bilhões de dólares adicionais nas escolas públicas da cidade. O governo Pataki está apelando da decisão.

Ao ser questionado se o gasto em escolas era uma prioridade maior para ele do que os cortes de impostos, Bloomberg disse: "Eu acho que impostos menores estimulariam a economia, mas primeiro e acima de tudo para a cidade de Nova York, nós precisamos do dinheiro que, segundo o tribunal, o Estado nos deve. E gostaríamos de recebê-lo, e Joel Klein até já estabeleceu, dois anos atrás, como gastaríamos o dinheiro. Coisas como uma pré-escola universal fariam uma enorme diferença na experiência educacional de nossas crianças".

Detalhes de quanto todas as propostas do governador custariam ao Estado terão que esperar até que a proposta de orçamento do governo seja apresentada neste mês. Apesar do superávit esperado para este ano, o líder da maioria no Senado estadual, Joseph L. Bruno, também um republicano, disse na quarta-feira que espera que o déficit no próximo ano, que se encerrará em março de 2007, será de US$ 1,5 bilhão.

Pataki, que freqüentemente é criticado de ter se tornado parte do sistema político implacável de Albany que antes prometia reformar, passou o dia tentando ser conciliatório --ele até mesmo apareceu em um brunch patrocinado por seu principal adversário no Legislativo, o presidente da Assembléia, Sheldon Silver, e citou um Kennedy em seu discurso.

"Eu tinha 15 anos quando ouvi o discurso de posse do presidente John F. Kennedy, e como tantos americanos da minha geração, fui inspirado pela energia, otimismo e patriotismo de sua mensagem", disse Pataki.

Mas Silver não parecia pronto para um ramo de oliva.

"Na faculdade, eu me lembro de um presidente chamado John F. Kennedy que era bastante inspirador", disse Silver, na abertura da coletiva de imprensa em resposta ao discurso do governador. "Ele não é nenhum John Kennedy. O governador tem a oportunidade de estabelecer um legado em benefício dos nova-iorquinos, não em benefício dos eleitores das primárias republicanas em Iowa, New Hampshire ou qualquer outro lugar no país."

Silver, cujo distrito é a Baixa Manhattan, também atacou o governador por apelar, em vez de cumprir, da decisão judicial sobre o financiamento das escolas.

Alan G. Hevesi, o auditor fiscal do Estado, disse que "cortes de impostos sem cortes de gastos significam mais déficits, significam mais dívida; nós estamos cheios de dívidas, o que significa que nossos filhos pagarão por estes cortes de impostos, de forma que vamos ver se ele preenche tal lacuna no orçamento".

Ele acrescentou que não ouviu "nada sobre reforma das autoridades públicas, reforma de aquisições, reforma da dívida, reforma fiscal".

Os republicanos tinham palavras mais gentis.

O senador Bruno a chamou de uma "grande visão geral", acrescentando: "Nós ainda não encontramos uma redução de impostos que não abraçássemos".

John Faso, um candidato à sucessão de Pataki, disse: "Eu acho que ele se concentrou na questão transcendente que a América enfrenta, que é como competir na economia global".

O discurso ocorre em um momento em que Pataki corteja um público muito diferente: a base republicana para a qual deve ter apelo caso deseje concorrer à presidência em 2008. Ele tem passado tempo em New Hampshire e Iowa nos últimos meses, tentado conseguir apoio para sua candidatura presidencial e readotando temas dos tempos antigos, quando tinha a reputação de ser o governador do Nordeste redutor de impostos, que poderiam restabelecer suas credenciais na direita.

Muitas de suas propostas para o combate ao crime eram familiares. Ele propôs novamente oferecer neste ano uma legislação para impedir a libertação de predadores sexuais que cumpriram sua pena criando um sistema de confinamento civil. Ele também propôs o fim do estatuto de limitação para crimes de estupro e outros ataques sexuais, e a obrigatoriedade dos criminosos submeterem amostras de DNA, para serem compiladas em um banco de dados. Ele não mencionou uma das questões controversas que apoiava no início de seu mandato, a pena de morte.

Mais abrangentes foram suas propostas para corte de impostos. Além de propor a eliminação da penalidade ao casamento e propor reduções não especificadas no imposto de renda, Pataki propôs fornecer uma "dedução de combustível para aquecimento" de US$ 500 aos idosos, a eliminação da alíquota estadual do imposto territorial, redução dos impostos a empresas e fornecendo restituições parciais de impostos territoriais escolares.

Apesar de funcionários do Estado terem fornecido poucos detalhes, a eliminação da pena sobre casamento poderia economizar às famílias várias centenas, até mesmo milhares de dólares, dependendo da renda e situação. Em um cenário hipotético fornecido pela Divisão Estadual de Orçamento, um casal com dois filhos, usando a dedução padrão e com uma renda somada de US$ 150 mil, economizaria US$ 821 dentro do plano para eliminar a penalidade.

Mas Pataki também se retratou como um tipo mais centrista de governador republicano do que aqueles que têm caracterizado as costas; entre seus feitos ele citou o pacto de sete Estados para redução das emissões de usinas de força, responsáveis pelo aquecimento global, um assunto amplamente rejeitado pelos republicanos em Washington.

"Claramente, se você citar JFK e Tom Friedman do The New York Times, você não está apelando à base nacional republicana", disse Blair Horner, o diretor legislativo do New York Public Interest Research Group. Pataki citou o livro de Friedman, "O Mundo É Plano", ao discutir o crescimento econômico da China, uma ameaça que ele disse que precisa ser enfrentada com novas iniciativas que visem financiar o ensino de matemática e ciências.

"Para ele, eu acho que a meta do discurso era escrever o primeiro esboço de seu legado", acrescentou Horner. "Ele claramente se apresentou como um tipo de republicano inovador, progressista. Eu poderia apresentar argumentos para todas estas coisas não serem verdadeiras, mas é isto o que ele está pretendendo." O governador de NY prepara sua candidatura à presidência dos EUA George El Khouri Andolfato

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