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05/01/2006

Sharon é operado após ter derrame 'significativo'

The New York Times
Steven Erlanger

Em Jerusalém
O primeiro-ministro Ariel Sharon sofreu um sério derrame na noite de quarta-feira (04/01) e foi submetido a uma cirurgia de emergência no cérebro, em um esforço para salvar sua vida, disse um representante do hospital. O poder de Sharon como primeiro-ministro foi transferido ao vice-premier Ehud Olmert. A política israelense, dominada nos últimos anos por Sharon, foi lançada em turbulência, especialmente com a crescente falta de lei na Faixa de Gaza.

Rina Castelnuovo/The New York Times - 26.set.2005 
Premiê israelense foi submetido a uma delicada operação para conter hemorragia cerebral
O porta-voz de Sharon, Raanan Gissin, disse aos repórteres que após 90 minutos de cirurgia, "a operação está transcorrendo bem e a condição dele é estável".

Mas outro assessor disse que o primeiro-ministro estava em condição crítica e poderia não sobreviver. O sentimento em Israel era sombrio, com Josef Lapid, o líder do Partido Shinui, a chamando de "uma das noites mais dramáticas na história de Israel".

Independente da sobrevivência ou não de Sharon, o país parecia já ter entrado em uma era pós-Sharon. Alguns compararam o sentimento à noite em 1995 em que o primeiro-ministro Yitzhak Rabin foi assassinado.

Em breves declarações no lado de fora do hospital Hadassah, em Jerusalém, seu diretor, o dr. Shlomo Mor-Yosef, disse que Sharon, 77 anos e acima do peso, tinha sofrido um "derrame significativo" e uma hemorragia cerebral com "grande sangramento" e estava sendo submetido a cirurgia.

Em Washington, o presidente Bush disse que ele e sua esposa, Laura, "compartilham da preocupação do povo israelense com a saúde do primeiro-ministro Ariel Sharon e nós estamos rezando pela sua recuperação". Ele elogiou Sharon como "um homem de coragem e paz".

Políticos e estadistas emitiram votos de recuperação para Sharon, e o rabino chefe de Israel, Yona Metzger, apelou na Rádio do Exército para que os israelenses rezem por Sharon, que ocupava o cargo de primeiro-ministro desde 2001.

As eleições israelenses estão marcadas para 28 de março. Mesmo se Sharon se recuperar, a probabilidade é pequena de que possa fazer uma campanha vigorosa para conquistar sua reeleição para um terceiro mandato. O Kadima, o partido político centrista fundado por Sharon quando deixou o mais conservador Partido Likud, pode estar agora desamparado e o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do Likud, poderá ganhar com o infortúnio de Sharon.

Popular entre os israelenses como um guerreiro experiente, disposto a correr riscos políticos, Sharon rompeu recentemente com o Likud para estabelecer o Kadima. Ele atraiu muitos dos melhores políticos do Likud, incluindo Olmert e o ministro da Justiça, Tzippi Livni, assim como um pilar do Partido Trabalhista, o ex-primeiro-ministro Shimon Peres, de 82 anos.

Mas o Kadima estava centrado em Sharon, que travou ou planejou todas as guerras israelenses e que, apesar de sua histórico linha-dura, passou a aceitar a inevitabilidade de um Estado palestino independente com soberania limitada. Sharon rompeu com seu partido ao retirar todos os colonos e tropas israelenses de Gaza e de quatro assentamentos na Cisjordânia no ano passado, e havia ampla expectativa de que outra retirada estava prevista na Cisjordânia caso ele vencesse em março.

Os israelenses também estão preocupados com o crescente caos em Gaza, a crescente influência política do movimento radical islâmico Hamas e com a deterioração da Autoridade Palestina diante de suas próprias eleições, marcadas para 25 de janeiro. Sharon era considerado uma aposta segura e cuidadosa para lidar com os palestinos.

Com um Sharon com saúde, o Kadima era considerado o provável vencedor de até 40 cadeiras em março, dominando uma provável coalizão com o Partido Trabalhista.

"Muitos israelenses seguiram Sharon na saída do Likud e na adoção do Kadima porque acreditavam que ele representava a melhor garantia para a segurança de Israel no futuro próximo", disse Michael B. Oren, um historiador israelense. "Em sua ausência, eles provavelmente se voltarão para a garantia mais provável seguinte, Bibi Netanyahu."

Netanyahu também trabalhou para purgar o Likud "de algumas de suas figuras mais desagradáveis e restaurou parte de sua imagem maculada", disse Oren. Netanyahu também tem boa avaliação por sua condução firme do Ministério das Finanças antes de ter deixado o Gabinete devido à retirada em Gaza.

O Likud também decidiu, diante da incapacidade de Sharon, não entregar seus postos no Gabinete, como era esperado para a próxima terça-feira.

Sharon ainda não tinha escolhido a lista de candidatos parlamentares do Kadima. Apesar do provável agrupamento do partido em torno de Olmert e Livni, nenhum deles é considerado um provável primeiro-ministro. Segundo a lei básica de Israel, se Sharon morrer ou estiver incapacitado, Olmert será o primeiro-ministro por até 100 dias, quando o presidente israelense então nomeará um membro do Parlamento para tentar formar um novo governo. É possível, disseram analistas, que a data de 28 de março para a eleição israelense possa mudar.

Estresse

Sharon sofreu o que foi chamado de derrame leve em 18 de dezembro, perdendo temporariamente sua capacidade de falar. Mas os médicos disseram que o coágulo responsável pelo derrame tinha se dissolvido e que ele não sofreria nenhum efeito posterior. E seus conselheiros políticos promoveram a noção de que Sharon estaria de alguma forma mais saudável do que antes.

Na noite de quarta-feira, Sharon foi levado ao hospital em uma ambulância de seu rancho em Negev, após se queixar de dores. Ele foi descrito como consciente, e os médicos decidiram não levá-lo ao hospital Soroka, em Beersheva, mais próximo, mas sim para o hospital Hadassah-Ein Kerem, em Jerusalém, onde ele passaria na quinta-feira por uma cirurgia para reparar um pequeno buraco em seu coração, que pode ter contribuído para seu primeiro derrame.

Sharon aparentemente sofreu o último derrame enquanto estava no hospital. Segundo uma declaração inicial feita por seu gabinete, Sharon foi levado ao hospital "depois de passar mal" em casa. Em exames realizados após o primeiro derrame, os médicos encontraram um buraco de cerca de 2 milímetros entre as câmeras superiores de seu coração.

Apesar de os médicos terem dito desconhecer se o buraco contribuiu para o derrame, ou mesmo onde o coágulo tenha se originado, eles acharam melhor tampá-lo com um pequeno dispositivo chamado umbrella (guarda-chuva). Eles prescreveram afinadores de sangue para Sharon e o alertaram a entrar em dieta.

Sharon, que completará 78 anos no próximo mês, estava sob estresse significativo devido às pressões do primeiro derrame, a campanha política e problemas familiares. Ele já perdeu duas esposas e um filho. Outro filho, Omri, enfrenta a possibilidade de prisão após se declarar culpado das acusações de falso testemunho e apresentação de documentos falsos após uma investigação de financiamento ilegal da campanha de Sharon em 1999.

E na noite de terça-feira, a televisão israelense mostrou um documento entregue pela polícia à Justiça, pedindo o direito de investigar os computadores pertencentes a dois irmãos baseados na Áustria, Martin e James Schlaff, que são proprietários de parte de um cassino, atualmente fechado, em Jericó, na Cisjordânia.

A polícia disse acreditar que os computadores conterão evidência de um pagamento de US$ 3 milhões à família Sharon, pelo menos metade do qual usado para pagar contribuições ilegais de campanha em 1999.

Os Schlaffs são clientes de Dov Weissglas, o advogado pessoal de Sharon e um importante conselheiro político. Mas aparentemente não há evidência ligando quaisquer pagamentos ao próprio Sharon, o que torna um indiciamento por suborno altamente improvável. Na noite desta quarta, Israel parecia já ter entrado em uma era pós-Ariel Sharon. Alguns compararam o sentimento à noite em 1995 em que o primeiro-ministro Yitzhak Rabin foi assassinado George El Khouri Andolfato

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