UOL Notícias Internacional
 

06/01/2006

Atentados no Iraque matam pelo menos 130; aumenta a violência após período eleitoral

The New York Times
Richard A. Oppel Jr., em Bagdá, e

John O'Neil, em Nova York
Uma nova rodada de violência sacudiu o Iraque nesta quinta-feira (05/01), matando pelo menos 130 pessoas em uma onda de ataques que resultou no dia mais mortal desde as eleições parlamentares do mês passado. Pelo menos 100 das mortes resultaram de dois atentados suicidas --em um templo na cidade xiita de Karbala e em uma estação de recrutamento da polícia na cidade sunita de Ramadi. Também na quinta-feira, cinco soldados americanos foram mortos quando o veículo deles atingiu um dispositivo explosivo improvisado enquanto atuavam na região de Bagdá, disseram as forças armadas americanas.

Ashley Gilbertson/The New York Times - 28.dez.2005 
Curdos em abrigo temporário em Kirkuk; atentados ameaçam um acordo com sunitas e xiitas

Relatórios preliminares da polícia iraquiana disseram que 52 pessoas morreram e 64 ficaram feridas em Karbala, ao sul de Bagdá. Em Ramadi, 50 pessoas foram mortas e 60 ficaram feridas, segundo o dr. Ammar Al Rawi do Hospital Al Ramadi. Outros ataques por todo o Iraque foram responsáveis por talvez mais duas dúzias de mortes, disseram as autoridades.

As mortes se somam aos ataques que deixaram mais de 50 mortos na quarta-feira, à medida que a violência começa novamente a crescer após a calmaria durante as eleições do mês passado.

Os xiitas em Karbala reagiram furiosamente ao atentado, disse a polícia, com muitas lojas fechando após o ataque.

A nova onda de violência poderá complicar as negociações em andamento entre os partidos políticos xiitas, curdos e sunitas em torno da formação de um novo governo. A insurreição é liderada em grande parte pelos sunitas, o menor grupo dos três, e as autoridades americanas têm pressionado fortemente para que a atual aliança xiita-curda seja ampliada para incluir os sunitas.

O presidente Jalal Talabani emitiu uma declaração condenando os recentes ataques. "Estes grupos de terror sombrio não terão sucesso por meio destes atos covardes em dissuadir os iraquianos em sua busca pela formação de um governo de unidade nacional", disse ele.

O coronel Razzak Al Taee, o chefe da polícia em Karbala, disse que o ataque ocorreu a cerca de 20 metros do lado de fora de um templo que é um dos locais mais sagrados da região xiita, às 10h15 da manhã, no meio de uma grande multidão. A área estava lotada de barracas de vendedores, ele disse, e o templo tinha um número maior de visitantes do que o habitual.

O coronel Al Taee disse que o homem-bomba estava vestindo um cinto de explosivos sob a roupa, cheio de bolas de metal, e também carregava granadas de mão, uma das quais falhou em detonar.

Em Ramadi, o alvo do ataque foi uma fila de cerca de 1.000 recrutas potenciais que aguardavam para se candidatar a uma posição na polícia iraquiana, segundo um declaração divulgada pelas forças armadas americanas. A declaração forneceu um número menor de mortos do que o fornecido pelo médico no hospital, que informou 30 mortos.

Um funcionário do Ministério do Interior iraquiano disse que testemunhas relataram duas explosões diferentes em Ramadi pouco antes das 11 horas da manhã. Um bombeiro que participou dos esforços de resgate disse que ajudou pessoalmente a carregar 40 corpos em caminhões para remoção.

A declaração das forças armadas americanas disse que os candidatos estavam respondendo a um esforço de recrutamento de quatro dias em Ramadi, para o novo contingente da polícia iraquiana que estava sendo criado para a província de Anbar, uma área no oeste do país que está no coração da insurreição. Os primeiros três dias do esforço resultaram em 600 candidatos qualificados, disse a declaração.

Outros incidentes de violência foram relatados por todo o Iraque, segundo as agências de notícias. A "Reuters" disse que mais dois soldados americanos morreram, mortos por uma bomba de estrada em Najaf juntamente com dois civis, um relato que não foi confirmado pelas forças armadas americanas.

A "Reuters" também noticiou que um grande gasoduto próximo da cidade de Kirkuk, no norte, foi seriamente danificado em ataques na noite de quarta-feira e na manhã de quinta-feira; o chefe da inteligência criminal na província de Diyala, a leste de Bagdá, foi ferido em uma emboscada; e duas pessoas foram mortas por três carros bomba no centro de Bagdá.

O ataque mais letal da quarta-feira atingiu um alvo freqüente -um funeral lotado de xiitas- matando mais de 30 pessoas e ferindo 36 em um atentado a bomba em dois estágios durante o cortejo fúnebre em Miqdadiya, a 96 quilômetros a nordeste da capital.

Um porta-voz da polícia iraquiana em Karbala disse que um homem-bomba tinha sido preso lá, na quarta-feira, antes que pudesse detonar seu dispositivo. O homem preso disse que quatro outros homens-bomba entraram na cidade.

Em Bagdá, os moradores acordaram na quarta-feira diante de imensos congestionamentos de trânsito e bloqueios enquanto as forças de segurança iraquianas respondiam a um ataque de natureza mais pessoal: o seqüestro da irmã de Bayan Jabr, o ministro do Interior e uma das figuras mais polarizadores e, entre os árabes sunitas, mas odiadas no Iraque. Jabr, um ex-líder de milícia xiita, tem sido acusado pelos árabes sunitas de orquestrar um amplo programa de assassinato de sunitas, uma acusação que ele nega.

A rede árabe por satélite Al Jazeera disse ter recebido um videoteipe mostrando a irmã de Jabr sendo mantida prisioneira por um grupo rebelde, que exige a libertação de prisioneiras mantidas nas prisões no Ministério do Interior.

Após o seqüestro, as forças iraquianas fecharam pontes, montaram barreiras, redirecionaram o trânsito na quarta-feira e realizaram amplas buscas em lares de bairros sunitas no oeste de Bagdá. Um funcionário do Ministério do Interior confirmou que as operações eram em resposta ao seqüestro, mas não houve reconhecimento público oficial por parte do ministério. Ele não divulgou o nome da mulher seqüestrada.

O ataque ao gasoduto próximo de Kirkuk fez parte do que parece ser um esforço orquestrado pelos rebeldes para danificar a frágil infra-estrutura de combustível do Iraque. Na quarta-feira, eles atacaram comboios de caminhões de gasolina que seguiam para Bagdá, saídos de uma grande refinaria em Baiji, a cerca de 240 quilômetros ao norte da capital. Um ataque destruiu três caminhões-tanque em um comboio fortemente protegido perto de Taji, ao norte de Bagdá, disseram autoridades iraquianas. Nenhuma estimativa do número de mortes foi fornecida.

O estoque de combustível da capital está seriamente reduzido. A demanda diária por gasolina aumentou em cerca de 30%, cerca de 500 mil galões extras, enquanto moradores lotam postos de gasolina em um esforço para alimentar geradores de eletricidade durante um período particularmente ruim de cortes de luz, segundo o ministro do Petróleo de saída, Ibrahim Bahr Al Uloum. E rumores de uma nova onda de aumentos de preço da gasolina também têm aumentado a demanda.

Os estoques foram reduzidos drasticamente no final do mês passado, após a sabotagem de uma refinaria em Bagdá e após o fechamento temporário da refinaria de Baiji, quando os caminhoneiros se recusavam a vir para a capital por causa das ameaças de morte dos rebeldes. Comboios saídos de Baiji foram retomados poucos dias atrás, mas enquanto ambas refinarias ficaram inativas, o estoque de gasolina da capital caiu em quase um milhão de galões por dia, disse Uloum.

Após notícias do atentado a bomba no funeral, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu aos iraquianos para "evitarem qualquer ação que possa minar o progresso democrático do Iraque". Ele chamou os ataques de o exemplo mais recente de um "número cada vez maior de incidentes violentos" após a eleição.

De fato, apesar da forte segurança por toda Bagdá após o seqüestro da irmã de Jabr, os rebeldes realizaram vários ataques com carros-bomba, a maioria contra forças de segurança nas áreas xiitas.

Em Khadhamiya, um grande distrito xiita, um carro-bomba estacionado atingiu uma patrulha policial iraquiana, matando 5 e ferindo 15, disse o Ministério do Interior. Depois, outro carro bomba explodiu no perigoso bairro de Dora, no sul de Bagdá, matando um policial e 2 civis e ferindo 11.

Atiradores também mataram um alto funcionário do Ministério do Petróleo iraquiano enquanto ele dirigia pela manhã pelo bairro de Amariya, no oeste de Bagdá, disse um funcionário do Ministério do Interior.

As autoridades iraquianas anunciaram na quarta-feira seu retorno aos mercados financeiros internacionais com uma emissão de títulos no valor de US$ 2,7 bilhões. Segundo o acordo, 650 credores comerciais que possuem US$ 13,7 bilhões em reivindicações contra o Iraque concordaram em trocá-las por cerca de 20 centavos por dólar no valor dos novos títulos, que possuem uma chance maior de serem pagos. Apesar dos credores terem tido uma perda imensa no valor nominal de suas antigas dívidas, eles todos concordaram com a troca, disse um banqueiro americano que esteve envolvido no negócio. Nova onda de ataques poderá complicar as negociações entre partidos xiitas, curdos e sunitas para formar novo governo George El Khouri Andolfato

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