UOL Notícias Internacional
 

06/01/2006

Mais humilde, Schwarzenegger desculpa-se pela eleição de 2004 e migra para o centro

The New York Times
John M. Broder

Em Sacramento

Capital da Califórnia
Um governador Arnold Schwarzenegger de forma humilde pouco característica pediu desculpas aos eleitores da Califórnia na noite de quinta-feira (5/1) e propôs uma série de políticas que representam uma volta dramática ao centro político, após uma malsucedida inclinação para a direita no ano passado.

Jim Wilson/The New York Times 
Governador abandona propostas do Partido Republicano, cujos membros o criticaram
Em seu discurso anual do Estado do Estado, Schwarzenegger disse que ele foi contra a vontade da população ao patrocinar uma cara eleição especial em novembro, que foi amplamente vista como um esforço para punir os funcionários públicos e legisladores democratas. A população rejeitou decisivamente todas as quatro iniciativas do governador.

"É verdade que fui afoito e aprendi minha lição", disse Schwarzenegger, um republicano, em um discurso na câmara da Assembléia que foi transmitido para todo o Estado. "Eu não ouvi a maioria dos californianos quando me diziam que não queriam a eleição especial. Eu segui em frente assim mesmo quando devia ter escutado."

"Eu absorvi minha derrota e aprendi minha lição", ele acrescentou. "Para meus caros californianos eu digo: 'Mensagem recebida'."

O discurso foi sua primeira oportunidade de se dirigir aos californianos desde o revés eleitoral e foi, na prática, o pontapé inicial de sua campanha para reeleição neste ano. Desde novembro, Schwarzenegger tem moderado sua oratória combativa e trocado seu secretariado, substituindo seu chefe de Gabinete republicano por um antigo ativista democrata e ex-alto assessor do governador Gray Davis, que foi derrubado por Schwarzenegger em uma eleição de substituição há dois anos.

Schwarzenegger usou o discurso para propor políticas que visavam apelar para as famílias trabalhadoras e eleitores moderados, que praticamente o abandonaram no ano passado enquanto buscava uma agenda conservadora.

Ele defendeu um aumento de US$ 1 por hora no salário mínimo estadual, para US$ 7,75 a hora, e pediu ao Congresso e ao governo Bush que permitam que os californianos importem medicamentos mais baratos do Canadá. Em 2004 e 2005, ele vetou medidas patrocinadas pelos democratas para importações de medicamentos e aumento do salário mínimo.

O governador prometeu devolver US$ 2 bilhões tirados da verba das escolas para ajudar a equilibrar o orçamento estadual, e ofereceu uma reversão do plano que aumenta em 8% o custo das faculdades estaduais neste ano.

As propostas foram aplaudidas pelos democratas, que possuem fortes maiorias na Assembléia e no Senado estadual.

Os republicanos conservadores não encontraram muito o que gostar, acusando Schwarzenegger de carecer de convicção.

Mike Spence, presidente da Assembléia Republicana da Califórnia, disse que Schwarzenegger praticamente abandonou o partido que ajudou a elegê-lo.

"Quem se importa com sua reeleição se ele não defenderá nenhum pingo da crença fiscal conservadora republicana?" perguntou Spence. "A boa notícia é que você não sabe o que ele defende. De forma que ele pode estar do nosso lado no próximo ano."

O governador disse que ofereceu seu plano agora porque a receita do Estado está bem à frente das projeções. Funcionários estaduais previram um superávit de US$ 5 bilhões quando terminar o ano fiscal, em 30 de junho.

A peça central do discurso e a base central de sua plataforma de reeleição foi um plano de 10 anos e US$ 222 bilhões para reconstrução de estradas, sistemas de trânsito, portos, escolas, prisões, diques e linhas de abastecimento de água. O governador propôs o lançamento de US$ 68 bilhões em títulos para ajudar a pagar pelo plano.

Schwarzenegger notou que seus antecessores nos anos 50 e 60, como Earl Warren, um republicano, e Edmund G. Brown Sr., um democrata, construíram estradas, universidades, canais e prédios públicos invejáveis. Mas a população do Estado, em 37 milhões, quase triplicou desde 1955, e especialistas previram que crescerá em 10 milhões em 20 anos.

O governador disse que a Califórnia não investiu para acompanhar tal crescimento, acrescentando: "Nos últimos anos, a Califórnia tem investido aos poucos, crise a crise, congestionamento a congestionamento".

Ele pediu ao Legislativo para aprovar US$ 25 bilhões em títulos para os projetos deste ano. Segundo a lei estadual, os eleitores teriam que aprovar tais medidas, e ele pediu que o projeto de lei fosse preparado a tempo da eleição primária em junho. O restante dos títulos seria vendido de 2008 a 2014. Schwarzenegger disse que poderiam ser financiados com impostos locais.

Os títulos pagariam por centenas de quilômetros de estradas e faixas para veículos com vários ocupantes e 1.000 quilômetros de serviços de trânsito de massa. O programa adicionaria 40 mil salas de aula e modernizaria 140 mil. Ele fortaleceria o controle de inundações e forneceria água potável para mais 8,5 milhões de pessoas.

A senadora Dianne Feinstein, uma democrata, gostou do plano, dizendo que trabalhará por recursos federais para executá-lo.

"Nos próximos 20 anos", disse Feinstein em uma declaração, "a Califórnia crescerá para quase 50 milhões de pessoas com infra-estrutura de água e transporte suficiente para metade da população. Isto é claramente insustentável e este programa de 10 anos é um grande passo para remediar a situação".

A reação ao plano e à postura política recente de Schwarzenegger não foi totalmente positiva. Art Pulaski, o secretário executivo-tesoureiro da Federação do Trabalho da Califórnia, uma unidade da central sindical AFL-CIO, disse que vender bilhões de dólares em títulos de longo prazo sem aumentar a receita para pagá-los coloca em risco o futuro fiscal do Estado.

"Se não formos cuidadosos", disse Pulaski, "nós estaremos apenas jogando isto contra os ainda não nascidos".

Ele também se disse desconfiado do ramo de oliva estendido pelo governador aos trabalhadores e democratas após a guerra política do ano passado. Ele disse ter ficado feliz em ver o governador abraçar o aumento do salário mínimo, mas se queixou de que Schwarzenegger continua a rejeitar o aumento do custo de vida.

"Depois do ano passado", disse Pulaski, "nós passamos a abordar Arnold da mesma forma que Ronald Reagan abordava os soviéticos --confie mas verifique. Mas neste caso, nós queremos verificar primeiro".

Schwarzenegger reconheceu que tinha algum atraso para compensar. Seu discurso começou com uma piada sobre seu índice de aprovação.

"Que diferença um ano faz", disse ele. "Um ano atrás, a Universidade do Sul da Califórnia e eu estávamos em primeiro lugar. O que aconteceu?" O discurso agradou democratas e foi visto como pontapé inicial de sua campanha para reeleição ao governo do Estado da Califórnia George El Khouri Andolfato

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