UOL Notícias Internacional
 

07/01/2006

Executivo-chefe da GM prevê recuperação nas fábricas norte-americanas

The New York Times
Micheline Maynard

Em Detroit
A General Motors espera que o prejuízo bilionário em suas operações em dificuldades na América do Norte comece a moderar neste trimestre, à medida que seu plano de corte de custos surta efeito, disse o executivo-chefe da GM, Rick Wagoner, nesta sexta-feira (06/01).

Falando em uma rara entrevista com um pequeno grupo de jornalistas na sede da GM aqui, Wagoner se recusou a prever quando a GM voltará a ter lucratividade na América do Norte.

Mas ele enfatizou que a GM não tem planos de pedir concordata. E ele disse que novos veículos, como um reprojetado grupo de veículos utilitários esportivos, assim como a reestruturação da empresa, começarão a aparecer nos resultados da GM no início deste ano.

"Esta é a minha esperança, o primeiro trimestre", disse Wagoner. Ele acrescentou que a previsão precisa levar "um asterisco", porque não inclui qualquer ônus que a empresa possa sofrer pela reestruturação.

Os comentários de Wagoner foram feitos na véspera da North American International Auto Show, que abre para a imprensa aqui no domingo. A GM planeja apresentar vários novos veículos na feira e dará detalhes de sua estratégia para produzir mais modelos híbrido-elétricos.

Atingida duramente pela queda nas vendas e custos crescentes de planos de saúde e pensões, a GM perdeu mais de US$ 4 bilhões na América do Norte durante os primeiros nove meses de 2005. Em dezembro, Wagoner, que se encarregou de consertar as operações norte-americanas da GM no ano passado, anunciou que a montadora fechará totalmente ou parcialmente 12 mil fábricas e eliminará um total de 30 mil empregos até 2008.

Mas analistas criticaram o programa como conservador demais diante dos problemas da GM. Suas vendas nos Estados Unidos caíram em quase 5% no ano passado, e a participação de mercado da GM, que vem diminuindo há décadas, caiu para cerca de 26%, seu nível mais baixo desde os anos 20.

Em dezembro, a Standard & Poor's reduziu o rating da dívida da GM em dois pontos mais dentro do status de "junk", algo que também fez na quinta-feira com o rating da Ford. Scott Sprinzen, um analista veterano da S&P, disse que a GM poderá ser forçada a pedir concordata para reduzir seus custos trabalhistas, de planos de saúde, pensão e outros.

Os comentários de Sprinzen foram notáveis porque a S&P é autorizada a ver dados financeiros e projeções para o futuro confidenciais das empresas. Na quinta-feira, Sprinzen alertou que a Ford, que está prestes a revelar seu próprio plano de reestruturação chamado "Way Forward" (caminho à frente), poderá ser atolada pelos efeitos de um pedido de concordata da GM.

Mas em sua mais acalorada defesa da GM até o momento, Wagoner reiterou que um pedido de concordata não está em consideração.

"Nós não vemos a concordata como uma estratégia vitoriosa de forma alguma", disse Wagoner. Ele prosseguiu: "Nós não pretendemos manter tais tipos de perdas indefinidamente". No mês passado, a S&P previu que a GM poderá perder até US$ 5 bilhões na América do Norte em 2005. Wagoner não quis discutir os resultados do quarto trimestre.

Um grande obstáculo para o pedido de concordata da GM seria o impacto sobre seus consumidores. Apesar de voarem pelas companhias aéreas concordatárias do país, particularmente quando o preço das passagens é baixo, as pesquisas mostram que os clientes relutam em comprar carros de uma montadora concordatária.

Wagoner disse que não conseguiu detectar nenhum efeito da especulação de concordata nas vendas da GM. "Eu não acho que esteja na mente das pessoas fora de Detroit e Nova York", onde os mercados financeiros estão acompanhando atentamente o progresso da GM, disse Wagoner.

A especulação de concordata "não ajuda, mas o que se fazer a respeito --se preocupar ou consertar? Nós temos que consertar e se o fizermos a especulação acalmará".

Em outro assunto, Wagoner chamou os descontos para funcionários do verão passado "o programa de consumo mais bem-sucedido que já realizamos". O plano, que deu aos consumidores preços geralmente oferecidos para funcionários da empresa, ajudou a GM a reduzir seus estoques inchados de carros não vendidos. Imitado pela Ford e Chrysler, o programa gerou algumas das vendas mais fortes na história da indústria.

Mas as vendas caíram acentuadamente em setembro e outubro, quando os descontos terminaram, levando alguns especialistas a dizerem que foi uma solução de curto prazo para o problema de longo prazo de atrair os consumidores a pagarem o preço de varejo por seus carros e caminhões.

Wagoner se recusou a descartar uma repetição do plano ou algo parecido, especialmente para liquidar veículos em fim de modelo do ano. Mas da próxima vez, ele disse, a GM poderá manter o plano por menos de três meses, já que ele perdeu força em suas semanas finais.

O executivo-chefe da GM não quis discutir que tipo de acordos a GM tem em mente. Na sexta-feira, o jornal "The Detroit News" disse que a GM planejava grandes reduções de preços no final de janeiro, tradicionalmente um dos meses mais fracos para vendas de veículos.

Wagoner também não quis dizer se a GM planejava reduzir seus dividendos, um passo que os analistas disseram que poderia provar a determinação da GM de reduzir seus gastos. Wagoner apontou que o dividendo da GM permanece em US$ 2 por ação desde 1997.

Ele disse que os acionistas já sentiram a dor da restruturação da GM por meio da queda do valor das ações, que se desvalorizaram em mais de 50% no ano passado. As ações da GM fecharam em US$ 20,80 na sexta-feira, uma alta de 28 centavos.

Um ponto de luz para a GM em 2005 foi a performance de suas operações fora dos Estados Unidos, onde a montadora agora vende mais da metade de seus veículos. Wagoner disse que a GM vendeu ligeiramente mais de 9 milhões de veículos em todo mundo pela primeira vez desde 1978. E vendeu 1 milhão de veículos pela primeira vez na Ásia.

Mas a GM deverá enfrentar uma disputa cabeça a cabeça com a Toyota Motor Corp. neste ano pelo título de maior montadora do mundo, devido aos planos agressivos de crescimento da Toyota nos Estados Unidos, Europa e partes da Ásia. As vendas da Toyota nos Estados Unidos cresceram mais de 10% no ano passado.

Wagoner apontou que as despesas da GM com planos de saúde e pensões a deixam em uma desvantagem de US$ 5 bilhões frente a Toyota, um motivo para ter que se concentrar na redução de seus custos. Rick Wagoner nega que a montadora pedirá concordata George El Khouri Andolfato

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