UOL Notícias Internacional
 

07/01/2006

Sharon operado às pressas com nova hemorragia

The New York Times
Steven Erlanger*

Em Jerusalém
Os médicos operaram às pressas o primeiro-ministro Ariel Sharon, nesta sexta-feira (6/1), depois de encontrarem nova hemorragia em seu cérebro. Após cinco horas de cirurgia, ele continuava em estado crítico, porém estável.

Os médicos sugeriram que a nova cirurgia aumentou as chances de sobrevivência de Sharon, depois do derrame extenso que sofreu na noite de quarta-feira, informou o Canal 1 de Israel, na sexta-feira à noite. No entanto, a extensão do dano neurológico não foi revelada.

Sharon, 77, está em coma induzido desde duas operações na quarta-feira. Por causa do sabá, não haverá mais divulgações de boletins de saúde sobre Sharon até a noite de sábado, a não ser que ocorram mudanças graves.

A secretária de Estado Condoleezza Rice cancelou uma viagem que faria à Austrália e Indonésia por preocupações com a condição de Sharon e a possibilidade de sua morte.

A mais recente cirurgia provavelmente postergará até segunda-feira qualquer esforço de tirar Sharon de seu coma e avaliação da extensão dos danos. O coma foi induzido para ajudar seu cérebro a recuperar-se do derrame.

Seu principal cirurgião, Felix Umansky, disse à agência France-Presse que Sharon "ainda pode sair dessa". Mesmo assim, o novo sangramento não era um bom sinal e ninguém acredita que Sharon voltará ao cargo.

A hemorragia, porém, foi uma complicação incomum e desanimadora, disseram os especialistas da área que não estão envolvidos em seu tratamento. Eles disseram que o novo sangramento provavelmente estava relacionado aos efeitos combinados do derrame e às nove horas de cirurgia que Sharon sofreu na quarta e quinta-feira para deter o sangramento anterior. Um fator adicional podem ser os efeitos das drogas anticoagulantes que estava tomando na hora do derrame.

A complicação "provavelmente não sugere algo muito pior que o derrame inicial", disse David S. Liebeskind, vice-diretor do Centro de Derrame da Ucla em Los Angeles. Ele acrescentou que "o tamanho e localização do sangramento original provavelmente determinarão" o resultado para Sharon.

O hospital de Hadassah, onde Sharon está internado, recusou-se a revelar estes e outros detalhes médicos pertinentes. Por exemplo, a extensão do novo sangramento que levou à cirurgia na sexta-feira não foi revelada.

Lee H. Schwamm, que dirige os serviços de derrame do Hospital Geral de Massachusetts em Boston, suspeita que os cirurgiões israelenses removeram uma parte grande do crânio de Sharon para diminuir a pressão em seu cérebro.

Tal procedimento é feito por duas razões: uma delas é impedir a pressão aumentada que prejudicaria o tronco encefálico, que controla o batimento cardíaco e outras funções vitais. Uma segunda razão seria impedir danos às áreas do cérebro que não foram atingidas pelo derrame.

Funcionários do hospital de Hadassah disseram que a tomografia computadorizada mostrava significativa melhora, comparada com a inicial, de quarta-feira. O inchaço provocado pelo derrame no cérebro pode tirar certas estruturas do lugar. Schwamm disse que a melhora apresentada na tomografia provavelmente significava que a posição dessas estruturas estava mais normal.

A mais recente complicação, no entanto, não deve afetar muito sua condição geral, disseram os especialistas.

"A melhor das hipóteses não é se ele vai voltar a atuar como primeiro-ministro", disse Liebeskind. "Estamos de fato avaliando se poderá voltar à vida diária."

Israelenses reagiram à crise com profunda sensação de perda, mas com menos ansiedade que nos dias anteriores. Os jornais e rádios falaram do fim da era da "geração de gigantes", como escreveu o maior jornal do país, Yediot Aharonot.

"O desaparecimento do primeiro-ministro Ariel Sharon da chefia da pirâmide de segurança de Israel criou um vazio organizacional, cultural e de poder", escreveu o correspondente militar do jornal, Alex Fishman.

Uzi Benziman escreveu no Haaretz, de esquerda: "Sua partida do cenário político deixa para trás um país em caos de liderança."

Sharon tinha muito sangue palestino nas mãos, observou Benziman, mas acrescentou: "Será lembrado como aquele que começou a tirar o poder israelense sobre os territórios e como aquele que criou um precedente histórico saindo de Gaza."

Um entrevistador da Rádio Israel conversou com um psicólogo sobre a perda e o luto dos israelenses, que estão "como uma família preocupada e sofrendo". Ele perguntou: "O que acontecerá agora? Ficaremos sem pai?" O psicólogo respondeu que o luto é apropriado, mas que as pessoas precisam manter suas rotinas normalmente.

Com Sharon incapacitado e o sabá chegando, a atividade política foi reduzida. No entanto, houve alguma especulação sobre Shimon Peres, 82. Alguns se perguntam se o ex-presidente do Partido Trabalhista e ex-primeiro-ministro atenderá aos pedidos do novo líder do partido, Amir Peretz, de voltar ao partido.

Peres deixou os trabalhistas depois que Peretz desafiou sua liderança. Ele então se uniu ao amigo Sharon, em seu novo Partido Kadima. No entanto, é possível que Peres não se sinta tão confortável com o novo dirigente do partido, o primeiro-ministro interino, Ehud Olmert, 60.

Perder Peres seria um golpe para Olmert e para o Kadima, porque ele dá aos eleitores uma espécie de segurança que o novo partido é de fato de centro e não um braço do Likud. Peres, como último político ativo da geração que fundou Israel, é respeitado por sua sabedoria e posição internacional.

"Se Peres voltar ao Partido Trabalhista, pode fazer uma diferença. Ele dá certa legitimidade, continuidade e respeitabilidade", disse Shai Feldman, diretor do Centro Crown para Estudos de Oriente Médio na Universidade Brandeis e ex-diretor do Centro Jaffee de Estudos Estratégicos da Universidade de Tel Aviv.

Peres pode, entretanto, estar usando o que Feldman chamou de "posição de barganha reforçada" para conquistar uma posição mais alta no Kadima. Segundo boatos, ele quer ser ministro de relações exteriores.

As primeiras pesquisas de opinião sugerem que o Kadima ainda atrai a maioria dos israelenses, mas com o colapso de Sharon tão recente e as eleições só em 28 de março, poucos analistas estão levando as pesquisas a sério.

*Lawrence K. Altman contribuiu de Nova York. Recaída foi complicação incomum e desanimadora, disseram os especialistas da área que não estão envolvidos em seu tratamento Deborah Weinberg

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