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08/01/2006

Cancún: onde as ruínas do Império Maia se encontram com os mega-resorts

The New York Times
Merek Fuchs

Em Nova York
A Riviera Maia --uma faixa de terra de cerca de 130 quilômetros abaixo do canto comercial da primavera em Cancún-- costumava ser uma série de cidades irrestritas como Tulum e Akumal. A costa geralmente oferecia aos viajantes várias opções de pequenos chalés de praia.

Apesar de parecerem idílicas, estes chalés podem ser um desastre anunciado para pais de filhos pequenos (incluindo os meus, três almas tipicamente melindrosas e que se enjoam fácil entre 1 e 7 anos). Algumas carecem de piso, poucas carecem de lagartos; água quente, eletricidade e encanamento que funcionam nunca são garantidos; e muitas têm redes, com sorte protegidas com mosquiteiros pouco rasgados, em vez de camas.

Janet Jarman/The New York Times 
Pôr-do-sol na praia do Hotel Príncipe Bahia, um dos maiores da região, a Riviera Maia

Nem vamos tocar no assunto de estômagos jovens sensíveis e água não filtrada. E apesar do preço destes chalés poder variar de poucos dólares por noite a mais de US$ 1.000 por semana em um local como o Maya Tulum --um resort bem considerado de 10 hectares na água, conhecido por oferecer yoga e chalés de alto nível-- elas sempre foram melhores para os mochileiros hippies do que para pais com sacolas de fraudas.

Mas agora as famílias contam com algumas opções atraentes. Em busca de uma população menos intrépida, surgiu nos últimos anos uma seleção de resorts inclusivos, e o número está crescendo dia a dia (como pode comprovar um vislumbre dos guindastes ao longo da costa). Cancún fica a um vôo sem escala de três horas saído de Nova York, e o trajeto de carro do aeroporto de Cancún até o meio da Riviera Maia é de cerca de uma hora, um linha reta ao sul.

A área --com suas ruínas maias, dezenas de piscinas naturais e parques aquáticos e aquários, uma área de preservação ambiental de meio milhão de hectares e as águas calmas e transparentes do Caribe-- é quase feita para a família interessada em nadar assim como em visitas a atrações turísticas.

Se você for nos limites da alta temporada, há abundância de bons negócios. Fora de temporada --de meados de maio até junho e de setembro até outubro-- pode ser ainda mais barato mas também extremamente quente e úmido.

Janet Jarman/The New York Times 
Ruínas de forte Maia; sítio arqueológico é grande atração na região

A temporada de furacões também não é um bom momento para ir, por mais tentadores que sejam os descontos. Mas viajando com nossos três filhos pequenos e amigos com dois filhos, nós consideramos nosso resort, o Bahia Principe Tulum --que faz parte de um complexo que combina os hotéis de Tulum e Akumal-- como navios de cruzeiro estáticos.

Nós o usamos como base, tirando proveito de sua localização à beira-mar, piscinas e sistema de água filtrada, ao mesmo tempo que saíamos uma vez por dia para visitar os pontos turísticos. No final do dia, nós voltávamos para nossa Oz, onde podíamos desfrutar do essencial para pais de cinco em viagem: encanamento interno moderno.

"Exagerado", disse minha filha, uma menina de 8 anos já enfastiada do mundo, diante das imensas estátuas maias falsas, iluminadas para causar efeito, com vários andares de altura no dois saguões do complexo. Os saguões -que dão para teatros, ginásios e salões de refeição cheios de carne assada e mamão fatiado -servem como ponto central para duas amplas vilas de quartos de hotel, todos ligados por trens elétricos. Piscinas rodeiam a propriedade -sob pontes e, para os pais, com bar.

O complexo, como a maioria ao longo da costa, adota cada clichê kitsch mexicano, do cinzeiro em forma de sombrero a bandas de mariachi no jantar. E Tulum e partes de Akumal estão começando a ficar cheias de lojas de souvenires, que vendem roupas e redes coloridas e oferecem tranças estilizadas para cabelo que são populares na região.

Apesar de se poder argumentar que o maior desenvolvimento da Riviera Maia teve um impacto longe do ideal no meio ambiente e até mesmo culturalmente, o resort foi construído sob medida para duas famílias jovens que estão retomando suas viagens internacionais.

Antes das crianças ficarem entediadas demais no sol, nós saíamos para almoçar, descansar durante o forte calor do dia (nós estivemos lá em abril) e então realizar os passeios diurnos. Os passeios, apesar de não carecerem de aventura, não eram cansativos demais.

As ruínas de Tulum foram um bom primeiro passeio: elas eram próximas e bem conservadas. Parte de uma cidade portuária murada que foi ocupada até cerca de 1.500, as ruínas estão empoleiradas acima do mar azul-turquesa do Caribe, com uma longa escadaria que conduz à praia. O fim de tarde é o melhor momento para ir por causa do sol.

Depois, vale a pena desistir do jantar incluído no pacote do resort para comer no Zamas Hotel, que fica próximo e oferece pratos mexicanos sofisticados com ênfase em peixe fresco e vista para o mar por preço razoável. Uma família de cinco pode comer com grande apetite por menos de US$ 80.

Uma viagem às ruínas de Coba pode ser um pouco mais difícil com crianças pequenas --elas ficam a mais de uma hora de carro a oeste. A excursão dá uma idéia de como é a vida longe do mar: há longos trechos de terras não desenvolvidas e casas com tetos de folhas e palha. Assim que você chega a Coba, passando por um Club Med, guias podem conduzi-lo de pedicab (um riquixá puxado por bicicleta) para ver o Templo de las Iglesias, a maior pirâmide na área.

Para uma experiência mais familiar, Xcaret é um grande parque aquático, com aquário, praia privada e um local para nadar com golfinhos, tudo em um único lugar (o parque ficou fechado após a passagem do furacão Wilma em outubro, mas já foi reaberto). Há vários parques diferentes deste tipo nas proximidades, assim é melhor checar para ver se seu resort oferece algum desconto.

No Xcaret, há um aquário de coral onde você pode ver várias paredes de coral pelo vidro; acima, as piscinas contêm tubarões e tartarugas. Não deixe de descer o rio -quase um quilômetro- e passar pelas cavernas; você precisa de um salva-vidas (incluso no valor do ingresso) e equipamento de mergulho (pago à parte). Esta é uma das poucas visitas que poderá levar o dia inteiro, mas vale a pena -e as refeições podem estar inclusas no ingresso.

A Reserva da Biosfera de Sian Kaan --uma floresta protegida que envolve as ruínas maias e vida selvagem como tartarugas marinhas e uma ampla variedade de aves tropicais-- pode ser melhor vista em uma excursão por barco com guia. Seria muito difícil percorrer a reserva a pé.

Outro passeio interessante é explorar as piscinas naturais. Peça recomendações e direções no hotel. Você pode pagar uns poucos dólares e mergulhar em alguns dos locais para nado mais surpreendentes do planeta, com cachoeiras, trampolins de pedra, corais submarinos e uma série de peixes coloridos.

Após se cansar, volte para a nave mãe e mande ver no bufê "coma tudo o que puder". A banda mariachi manterá as crianças quietas com suas odes ao Ligeirinho.

Descendo a costa

  • Como chegar lá

    American, Continental e outras grandes companhias aéreas possuem vários vôos sem escala que saem de cidades americanas para o Aeroporto Internacional de Cancún (www.cancun-airport.com), com a maioria dos vôos saindo de Nova York em fevereiro a menos de US$ 400. Ônibus (US$ 6, com US$ 1 valendo 10,7 pesos mexicanos), carros para aluguel e táxis estão disponíveis no aeroporto.

    O trajeto até Akumal, a cerca da metade do caminho descendo a costa, leva pouco mais de uma hora na direção sul por uma estrada federal, com a maioria dos resorts situada à beira da estrada principal.

  • Onde ficar

    O Bahia Principe Tulum, (52-984) 875-5000, www.bahia-principe.com, é um dos vastos resorts ao longo da Riviera Maia. Ele é um conjunto labiríntico de piscinas, restaurantes e praia -tecnicamente dois hotéis (Tulum e Akmal), com um total de 1.400 quartos. Mesmo na alta temporada, é possível encontrar quartos por cerca de US$ 200 por noite por pessoa, quartos com duas camas (US$ 105 na baixa temporada), incluindo tudo. Crianças podem pagar preços bem reduzidos.

    O Dreams Tulum, ex-Sunscape Tulum, é uma versão um pouco mais luxuosa do Bahia Principe; (52-984) 871-3333, www.dreamsresort.com/tulum. Quartos com duas camas por US$ 242 por pessoa por noite na alta temporada (incluindo tudo); US$ 161 na baixa.

    O Zamas Hotel, 415-387-9806, www.zamas.com, é uma das melhores opções para o viajante um pouco mais intrépido. Um bônus considerável é seu restaurante, Que Fresco. Peixe fresco, pratos mexicanos de todos os tipos e jantar com vista para a enseada. Os bangalôs custam a partir de US$ 90 na alta temporada.

    Os quartos mais caros, coloridos e bem ventilados, são um grande salto a partir de bangalôs apenas confortáveis; US$ 110 a US$ 145 para vista para o mar ou para a mata; US$ 65 a US$ 135 para vista para o jardim, dependendo da temporada. Refeições não estão incluídas.

  • O que fazer

    Xcaret: passe o dia neste aquário, praia e parente próximo de um parque temático americano misturados em um só. Ingresso básico a partir de US$ 59; US$ 29,50 para crianças. Não perca a exposição de coral ou a descida pelo rio; www.xcaret.com.

    Ruínas de Tulum: ruínas de uma cidade portuária, com vista para o Caribe. Um passeio de fim de tarde pode terminar com um jantar no Zamas, perto dali. O ingresso custa 38 pesos. Informação: (52-983) 837-2411.

    Coba: exceto para aqueles com filhos muito pequenos, Coba vale a viagem de carro mais longa e um caminhada para ver a maior pirâmide da região. O ingresso também custa 38 pesos.

    Reserva da Biosfera de Sian Kaan, (52-984) 87 12499; www.cesiak.org. Tente a excursão de barco com guia. Mergulho com equipamento, observação das aves e visita a uma pequena ruína maia custa US$ 70. Outras excursões estão disponíveis. É possível fazer reserva pelo site. Com ruínas maias, dezenas de piscinas naturais e parques aquáticos e aquários, uma área de preservação ambiental de meio milhão de hectares e as águas calmas e transparentes do Caribe-- área é boa para quem quer nadar ou visitar atrações históricas George El Khouri Andolfato
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