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10/01/2006

Noite de premiação é uma chance para as estrelas do cinema pornô usarem roupas

The New York Times
Matt Richtel

Em Las Vegas
A atriz conhecida como Tyla Wynn subiu ao palco tarde da noite no último sábado (7/1) para aceitar um prêmio, a versão do Oscar do cinema pornográfico. A categoria foi excelência em uma cena de sexo com várias pessoas. Apesar de milhares de pessoas terem visto Wynn em atos íntimos, ela admitiu estar extremamente nervosa ao aceitar o troféu, um retângulo opaco com a imagem de um homem e uma mulher entrelaçados.

Jim Wilson/The New York Times 
A atriz Jennna Jameson, apontada como a nova estrela do cinema erótico, esteve no 23º AVN
"Falar na frente das pessoas é difícil", disse Wynn, abraçando o prêmio, chamado AVN (Adult Video News).

A cerimônia de premiação do 23º AVN foi nesta cidade, em uma mistura de clichê de Hollywood com clipes pornográficos, vista por 3.000 acompanhantes e pessoas da indústria. Os discursos de aceitação foram breves, adequados para filmes com pouca ênfase no diálogo.

O programa ressaltou que a pornografia, ao menos em certo sentido, está em uma encruzilhada. A indústria mostra sinais de conquistar alguma aceitação pelo grande público --promovida em parte por sua principal diva e sucesso empresarial, Jenna Jameson-- e está tendo vendas recordes.

De acordo com a AVN Publications, que organiza o prêmio, a indústria gerou US$ 4,3 bilhões (em torno de R$ 9,9 bilhões) em vendas e aluguéis no ano passado. Ou seja, arrecadou quase a metade das bilheterias de Hollywood, de aproximadamente US$ 9 bilhões (R$ 21 bilhões) no ano passado.

Ao mesmo tempo, as perspectivas da indústria foram prejudicadas por temores que o Departamento de Justiça esteja tentando abrir alguns processos por obscenidade contra produtores de filmes de pornografia pesada.

A noite de sábado, porém, foi uma festa sincera e assumida. Teve entrada com tapete vermelho cercado de repórteres e prêmios para 104 categorias, inclusive melhores desempenhos em uma série de atos explícitos e posições sexuais. As mais convencionais foram as de melhor diretor, ator e atriz coadjuvante, roteiro e --a categoria mais antecipada da noite-- melhor filme.

Jim Wilson/The New York Times 
Cercado por beldades, o editor Larry Flint (à dir.), da revista "Hustler", também marcou presença no 23º AVN
Este foi para "Pirates", um filme de orçamento relativamente alto. Ele conta a história de um grupo de marinheiros que sai em busca de uma tripulação de piradas malvados que têm um plano de dominação mundial. Muitos dos personagens no filme fazem sexo uns com os outros.

Evan Stone, nome artístico do homem que venceu o prêmio de melhor ator como capitão do navio, disse que um componente central do sucesso do filme foi sua autenticidade. Um consultor instruiu o elenco sobre a etiqueta nas embarcações, disse ele, como nunca deixar o capitão no leme, um trabalho que pertence ao primeiro capataz.

"Tire o sexo do filme, e é Walt Disney", disse Stone, que se recusou a dar seu nome verdadeiro. Os critérios precisos para vencer um AVN não são, bem, explícitos. Cerca de 60 revisores julgam aproximadamente 6.000 filmes submetidos durante o ano. Paul Fishbein, presidente da AVN Publications, disse que basta ver para saber se uma cena é boa.

Ainda assim, certos itens eliminam os candidatos. Um deles é "se você ainda ouve a voz do diretor", disse Fishbein. Outra é "se fica claro que o câmera não está prestando atenção".

A indústria parece ter um senso de humor sobre si mesma, mas tem consciência que muitos americanos reprovam sua profissão. Savanna Samson, que venceu o prêmio de melhor atriz, disse em seu discurso: "A maior parte da minha família tem vergonha do que eu faço".

Os participantes defendem seus direitos de fazer filmes, mas mesmo dentro da indústria de entretenimento sexual as opiniões diferem sobre o que é de bom gosto.

"As modelos de biquíni detestam as dançarinas de topless, as dançarinas de topless detestam dançarinas nuas, as dançarinas nuas detestam atrizes pornográficas", disse Stormy Daniels, 26, que venceu o prêmio de melhor atriz coadjuvante. Daniels, que disse que queria que as pessoas parassem de julgar umas as outras, tem sua própria implicância: roteiros batidos.

"Não há nada pior do que quando o entregador de pizza toca a campainha, a menina diz que não tem gorjeta e então eles se atracam", disse ela. Daniels também venceu prêmio de melhor roteiro por uma paródia, "Camp Cuddly Pines Power Tool Massacre", que presumivelmente tinha um tema mais adequado a seu gosto.

Quando a noite começou, as atrizes passaram diante de mais de 100 fotógrafos. As divas disseram que ficaram angustiadas, pensando no que vestir. Tanya Mercado, 31, cujo nome artístico é Gina Lynn, usou um vestido preto tomara que caia da Nordstrom, comprado depois de rejeitar dois outros por não serem justos o suficiente.

Nem todo mundo dá muita importância ao prêmio. Até Wynn, uma vencedora, disse em entrevista no dia anterior que mal se lembrava de uma das cenas de sexo pela qual foi nomeada.

"Como se chama mesmo o filme?" perguntou, tentando lembrar-se do título de um dos 150 filmes que disse ter feito no último ano. Alguns momentos depois, lembrou-se "Too Hot to Handle", de duas mulheres que usam a mesma roupa e depois fazem sexo, segundo ela.

Diferentemente de "Pirates", que tem uma produção cara e foi feito para agradar homens e mulheres, o filme de Wynn é de muitas formas característico. Mais de 90% dos filmes são chamados de "gonzo", que quer dizer que não têm enredo.

Steven Hirsch, diretor executivo da Vivid Entertainment, que fez o premiado "Devil in Miss Jones", disse que os prêmios podem ajudar a passar os filmes às distribuidoras e realmente promovem mais vendas.

Nem todos os fãs prestam atenção aos prêmios, porém. Ian Thomas, 34, agente imobiliário em Las Vegas, disse antes da cerimônia que escolhia filmes pornográficos com base em suas mulheres prediletas.

"Se quiser ver atuação, pego um filme de máfia", disse Thomas. Indústria de filmes eróticos gerou US$ 4,3 bilhões em vendas e aluguéis no ano passado: quase a metade de toda a bilheteria de Hollywood, que foi aproximadamente US$ 9 bilhões em 2005 Deborah Weinberg

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